|
Quiçá eu pudesse dar uma volta pelo tempo,
andarilhar à época em que eu sabia ser menina, quando a ousadia
me levava até a felicidade.
Nessa minha estadia,
revisitaria a alegria dos dias simples
quando a felicidade morava em mim,
nas andanças,
na escola,
nas praças e nas pedras
que guardo na memória.
Eu iria ao encontro da noite estrelada.
Deitaria numa calçada,
tentando contar estrelas
e apontar constelações.
Retornaria aos lugares da minha felicidade:
chuparia um picolé na feira,
comeria um pastel depois de um baile,
tomaria banho na chuva
e a acompanharia até a Véia Ana.
Eu me atreveria a ir à Praça Siloé Tavares,
sem intenção,
apenas para descobrir
o que a noite havia reservado:
uma boa conversa,
brincadeiras
ou, quem sabe,
juntar-me ao coro das namoradeiras?
De um lugar eu não abriria mão:
tomaria um café com a Discoteca Revelação.
Lá eu me vejo feliz!
Ah, se o tempo me quisesse um acordo...
Eu tenho tanto para contar!
|