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Partiu cedo demais —
como quem ainda tinha
sol nos olhos
e caminhos por dizer.
Ficaram as mãos vazias,
o silêncio nos lugares
onde antes havia riso,
e o tempo — esse teimoso —
insistindo em seguir.
Um bom filho não se vai inteiro,
fica em cada gesto aprendido,
em cada memória que insiste
em aquecer o peito
quando o frio da ausência chega.
Um irmão não se despede,
se espalha em lembranças partilhadas,
em histórias que o tempo
não ousa apagar.
Um amigo permanece —
feito raiz invisível
sustentando o que ainda vive.
Mas é no amor partido ao meio
que a dor encontra morada mais funda:
no olhar de quem ficou,
no abraço que agora é ausência,
na palavra que já não encontra resposta.
E, ainda assim…
há uma certeza que não se quebra.
Porque quem ama assim
não se perde no escuro,
apenas atravessa.
Há um encontro prometido
além da saudade,
além do tempo,
além daquilo que hoje dói.
E nesse dia —
quando os caminhos se cruzarem outra vez —
não haverá partida,
nem silêncio,
nem fim.
Apenas o abraço inteiro
que a vida, por um instante,
nos ensinou a esperar.
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