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O Inventário da Ausência
Breves anotações sobre o que o tempo não consegue levar
Anderson Del Duque Jorge

Resumo:
​Em uma reflexão arrebatadora sobre a finitude e a persistência do afeto, esta obra mergulha nas camadas mais profundas da experiência humana. Longe das métricas frias da rotina, a poesia de Anderson Del Duque investiga o que resta quando o tempo exerce seu papel de escultor silencioso, desfazendo contornos e silenciando vozes. ​O texto não se limita a lamentar a perda; ele celebra a coragem de quem ousa amar em um mundo passageiro. Através de imagens cotidianas — uma xícara esquecida, um livro aberto, o eco de um nome — o autor constrói um inventário emocional que transforma a dor em um "verso da vida". É um manifesto lírico sobre a impermanência, que conduz o leitor por um caminho de lágrimas e reconhecimento, culminando na certeza de que a maior obra de um homem não é o que ele constrói para si, mas o rastro de luz que deixa no coração de quem fica. Uma peça universal, visceral e necessária para quem busca entender a beleza contida na saudade.

​O Inventário da Ausência
​O tempo não é um rio, como dizem os poetas antigos,
É um escultor silencioso que trabalha enquanto dormimos.
Ele não leva apenas os dias; ele desfaz os contornos,
Leva o cheiro do café na cozinha, o som dos retornos,
E a textura exata da mão que um dia segurou a nossa,
Deixando apenas o vácuo onde a memória, exausta, pousa.
​O que dói não é a partida, pois o adeus é um estrondo,
O que corrói é o silêncio que o dia seguinte traz no fundo.
É a cadeira vazia que ainda parece guardar o peso,
É o livro aberto na página dez, o marcador preso,
É a xícara que espera, num hábito que a morte não avisou,
E o eco de um nome que a casa, aos poucos, silenciou.
​Nascemos com as mãos fechadas, apertando o nada,
E morremos de mãos abertas, entregando a jornada.
E no intervalo desse sopro que chamamos de existência,
Passamos a vida tentando dar um nome à nossa carência.
Plantamos jardins para que alguém colha as flores depois,
Pois o amor é o único idioma que nunca se fala a dois:
Ele é sempre um legado, um segredo que se lança ao vento,
Para que o outro sobreviva ao nosso próprio esquecimento.
​Não chorem pelo que se foi, pois a dor é o verso da vida,
Só sofre pela distância quem teve a alma preenchida.
As lágrimas são o tributo de quem amou com coragem,
De quem não passou pelo mundo como uma mera miragem.
Pois, ao fim de tudo, quando as luzes se apagarem de vez,
Não sobrará o que tivemos, nem o que o ego nos fez...
​Sobrará apenas o rastro de luz que deixamos no escuro,
O carinho que foi abrigo, o abraço que foi muro.
E no peito de quem fica, como uma chama acesa na mesa,
Viveremos para sempre... na mais doce e eterna saudade.
​— Anderson Del Duque


Biografia:
Anderson Del Duque Jorge, é um produtor de conteúdo audiovisual ativista e jornalista , nasceu em Sumaré no dia 28 de julho de 1978 na cidade de Sumaré SP, filho de Abadia Salete Piedade Del Duque Jorge (cozinheira) e de Felismino custódio Jorge (servente de obras) tem em seus trabalhos filmes como O TAXIDERMISTA
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