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Onde a saudade se senta e descansa a mala,
E o tempo esquece que precisa passar,
Há um silêncio que grita e que nunca se cala,
No fundo de um poço que ninguém quer olhar.
Eu vi o adeus se tornar um fantasma no rosto,
De quem amou muito e nada guardou,
O sol se pondo em um eterno agosto,
Nas cinzas de um sonho que o vento poupou.
As mãos, que antes colhiam as flores de maio,
Hoje tremem ao peso de uma simples canção,
A vida é o brilho de um único raio,
Que rasga a penumbra de uma solidão.
Mas no papel, onde a lágrima encontra o destino,
A dor se transmuta em um canto sagrado,
O homem morre, mas renasce o menino,
No verso imortal que ficou registrado.
Não choro por mim, nem por quem já partiu,
Choro pelo mundo que não soube escutar,
A beleza que mora no que se partiu,
E a força que resta em quem sabe esperar.
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