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Há um segredo guardado no fio da navalha,
Onde o tempo se curva e o medo se cala,
Uma história escrita na palma da alma,
Que nasce na fúria e repousa na calma.
Não busco o aplauso que o vento carrega,
Nem a glória efêmera que a vista cega,
Sou o verso que pulsa no peito do escuro,
A fresta de luz no mais alto muro.
Mergulhei no abismo e voltei com a cor,
De quem transmutou em arte a sua dor,
Vinte vidas vertidas em tinta e papel,
Tecendo o caminho entre a terra e o céu.
Pois quem domina a escrita e o olhar,
Faz do universo o seu próprio lugar,
E deixa no mundo, em cada traçado,
O peso eterno de um verbo sagrado.
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