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Minha professora de matemática
Jordan Benevides


Minha professora de matemática


Era o primeiro ano na 5° série e na escola nova chamada por nós de Marquês e eu não conhecia nenhum professor de lá, apenas alguns dos meus amigos de onde eu morava. Minha professora de matemática se chamava Rita, usava óculos e penteava seu cabelo para trás com ajuda de uma tiara de cabelo.
Nos primeiros dias não deu para perceber que minha sala era a pior de todas as outras do período da tarde, mas com o passar dos dias ela foi se revelando pouco a pouco e Rita também se revelava com o que nós não sabíamos do que ela tinha.
O primeiro dia em que ela deu seu primeiro grito na sala eu estava presente:
— Fechem a boca! — Aquela voz que no início era insuportável pra mim eu fui me acostumando pouco a pouco.
Seus gritos eram, como eu achava no início, iguais a aqueles piores que as risadas de vilões que eu não suportava na época. E cada dia ela gritava mais, pois cada dia minha sala ia piorando por motivo de bagunça e de conversa, era apenas eu e outros que se salvavam dos gritos que não eram para nós, se ofensa dos que bagunçavam.
Os gritos eram quase sempre os mesmos:
— Fechem a boca! Já chega! Parem de conversar! — E assim por diante, dependendo do comportamento da sala naquele dia, ela dizia frases diferentes, mas sua voz era infelizmente a mesma.
Não era só ela que reclamava da minha sala, e sim todos os professores, mas ela reclamava bem mais, e não apenas com os professores no conselho de classe, mas com todos os pais na reunião dos alunos que mais bagunçavam, pois, além disso, ela era a nossa professora representante da sala e era ela quem fazia todas as reuniões com os pais.
Eu e alguns outros alunos não levávamos xingos sejam dos pais ou dos professores, mas que nós sabíamos o que os alunos bagunceiros estavam sofrendo de alguma maneira, sim! Por isso nós não bagunçávamos.
Certo dia, Michel e outros alunos dos mais bagunceiros estavam jogando bolinhas de papéis em todos os canos da sala enquanto Rita não estava. Divertiram-se até certo ponto, pois ela chegou à sala batendo a mão com força na porta e dando um susto em todo mundo dizendo:
—Eu consigo ouvir vocês de lá da secretaria! — O silêncio tomou conta da classe, principalmente os bagunceiros que ficaram olhando para a Rita como maior cara-de-pau que tinha. — Os professores estão reclamando dos seus berros e até esta parecendo que são os berros mais altos de toda a escola!
Eu dava várias gargalhadas dentro de mim quando olhava para a cara que os bagunceiros faziam, e Rita olhava era mais pra eles, enquanto eu e mais alguns alunos não parávamos de rir pelas costas dos alunos.
— Se eu ouvir essa baixaria novamente seja onde for eu mando todos que estavam bagunçando pra fora! — Com uma voz fina, alta e totalmente irritante na época ela deixava a crista dos alunos bagunceiros a mais baixa o possível!
Havia dias que eu até me irritava com seus gritos maléficos.
Quando ela passava matéria e virava as costas para a classe alguns alunos até que conversavam um pouco e logicamente os mais bagunceiros, e como ela ouvia quase tudo que se falava naquela sala, se virava para nós e ameaçava jogar um giz de escrever no quadro na cabeça do primeiro aluno que ela visse.
Alguns de todos nós da sala tinham até medo dos gizes que ela tinha e outros até furtavam sem que ela visse só pra não jogar o giz novamente.
Por sorte ela só ameaçava jogar o giz. E chegava até a dizer que jogaria o giz quando ouvisse conversa mais uma vez, mas nunca jogava, pois eu e nenhum aluno ainda não tinha visto nenhum giz voando em direção a algum aluno.
Ainda no começo do ano, mais para o meio, ela havia ameaçado jogar o giz na cabeça de Michel, mas não jogou. Mas só foi eu ter pensado que ela nunca jogaria um giz na cabeça de um aluno ela jogou brutalmente em direção a Michel. Todos os alunos da sala ficaram impressionados ao ver o giz voando no meio da sala, mas quando todos tinham esperanças de que iria acertar na mosca ela havia errado, passou perto, mas tinha errado.
E nós todos fizemos aqueles sopro de “ufa!” e um suspiro profundo saiu de nossos pulmões.
— Dessa vez eu errei, mas a próxima é pra acertar no olho! — Gritou ela.
Depois do que ela disse dava para até ouvir o barulho de uma mosca voando na sala de tanto silêncio que havia. Mas depois várias gargalhadas nós demos.

Alguns dias se passaram e por incrível que pareceu Rita não gritou com nossa classe, além disso, depois do giz que ela jogou em Michel, ninguém ousou dizer um pio.
— Vocês terão que fazer um trabalho referente ao que eu vou dizer e terão de apresentá-lo aqui na frente como eu digo a vocês.
Depois que disse isso só se dava para ouvir várias perguntas como: o que? Para quando? Por quê? E também vários “nãos” em tons decepcionados, tons de quem não queria apresentar um trabalho à frente do quadro negro enquanto todo mundo olhava e dava risada.
— Chega! — Gritou Rita cansada de nossos “nãos”. — Minha nossa vocês só sabem falar e gritar! Vão fazer o que estou dizendo e pronto!
Todos olharam rigorosamente para ela, que ainda por cima nos encarou fazendo nós desviarmos os olhares.
Seus trabalhos eram de difíceis conteúdos, pois quando íamos procurar em livros raramente se encontrava e tínhamos que procurar na internet, e quase conseguíamos achar o que estávamos procurando, Quando apresentávamos o trabalho tínhamos que escrever exemplos no quadro e explicar como era feita a conta e etc…
Dava quatro trabalhos para apresentarmos à classe, um trabalho por cada bimestre do ano.
Cada dia mais seus gritos ficavam mais fortes, e quando os alunos bagunceiros conversavam demais ela fazia questão de deixar-nos presos dentro da sala e sairmos mais tarde em plena sexta-feira e fazia com que nós ficássemos ouvindo sua voz uma aula vaga inteira.
Era totalmente cruel o que ela fazia, e nós que éramos mais estudiosos e ficávamos apenas em nosso canto levávamos a culpa da sala junto com todo o resto dos alunos.
Este ano foi completamente cruel para mim que estava na pior sala do período da tarde.
Mas finalmente ele se passou, não muito rápido, mas se passou.
No ano seguinte, na 6° série, eu fui classificado em uma sala totalmente diferente da que era antes, com alunos diferentes e uma ética também diferente, alguns professores mudaram, mas Rita continuou comigo como professora de matemática!
Por sorte, nesse ano ela não precisou gritar com a sala eu quase não precisei ouvir seus gritos de arrepiar, pois todos os alunos incluindo eu eram totalmente estudiosos na época.
Mas há uma coisa que ela continuou fazendo, os trabalhos, e todos nós, mesmo sendo alunos que diferentes do ano passado, dizíamos ainda aqueles ”nãos” que Rita odiava, mas ela pouco gritava e nem ameaçava jogar o giz na cabeça de um aluno, pois nossa sala era excelente.
Quando apresentávamos os trabalhos, mesmo não gostando, nós até explicávamos, não com muita clareza, mas conseguíamos e a maioria dos alunos tirava dez ou nove de nota e média.
Foram exatamente iguais ao do ano passado, os processos foram os mesmos, quatro trabalhos e um em cada bimestre e etc.
O ano passou-se totalmente tranqüilo e no período da tarde minha sala se tornou a melhor de todas.
Mas, quando Rita estava dentro da sala, os alunos se comportavam como pessoas mudas, só que quando ela saia da sala era um “blá blá blá” de lá e eu “ti ti ti” de cá, pois todos conversavam e só esperavam para que ela saísse e conversar, e eu ficava surpreso e achava engraçado até.
Quando ela chegava parecia que um boi morreu nos olhos dela pra todo mundo parar de conversar num instante e ficar olhando pra ela com cara de alunos super inteligentes, o que quando Rita saia era totalmente o contrário.
Nisso eu pensei comigo mesmo: “E eu que pensava que todos esses alunos nunca chegaram a fazer uma coisa dessas, como conversar tanto enquanto Rita sai que eles parecem uma multidão de batalha quando gritam”.
Os quatro trabalhos de apresentação lá na frente foram apresentados e o ano se passou tranquilamente como todos nós sendo a melhor sala do período da tarde.

Era 7° série e todos os alunos do ano passado eu os vi de novo, pois todos caíram comigo na minha sala, e já que todos nós nos conhecíamos o ano estava mais divertido, e, além disso, estávamos no período da manhã.
Todos os professores mudaram, mas apenas um ficou com a gente, incrivelmente ela, Rita, e quando nós a vimos soltamos aquele “de novo não! Parece que ela nos persegue!”
— Eu que escolhi ficar com vocês. — Disse minha professora sorrindo para nós. Aquele sorriso maléfico. — Forcei o conselho pra ficar com você novamente este ano!
— O que?! — Perguntou Wendell, um amigo meu. — Não acredito que ela fez isso!
— Não pode estar acontecendo! — Disse Alexandre, um aluno que não era nem estudiosos e nem bagunceiro, mas que ele conversava bastante ele conversava, parecia que sua boca era uma máquina de falar e só parava de falar quando alguém desligava apertando um botão que até agora não era identificado.
— Estão achando ruim?! — Perguntou Rita mudando de personalidade, não gostava que ninguém achasse ruim o que ela fazia.
— Não! Não estamos achando nada ruim. — Disseram alguns alunos como se nada estava acontecendo de ruim naquele dia, além disso, era o 3° ano em que nós todos víamos o rosto daquela professora.
Quando ela olhava pra nós parecia que queria nos comer com os olhos!Mas o bom foi que ela só passou um trabalho para apresentarmos e depois se esqueceu e não passou mais, ficamos totalmente aliviados com isso e nem a lembramos.
Seus costumes até saíram de sua mente em relação à nossa sala. Éramos ainda os melhores, do período da manhã, onde não conhecíamos ninguém.
Eram elogios de todos os professores:
— A 7° B é isso, a 7° B é aquilo, é tudo de bom, um exemplo para a escola.
As outras salas ficavam com tanta inveja que algumas amizades eram rompidas. Mas pelo menos nas minhas amizades, meus amigos não eram invejosos e por sorte eu os tenho até hoje.
Alguns alunos da nossa sala até ficavam entediados com todas aquelas palavras que saíam dos professores e dos alunos das outras salas.
Com isso, a maioria dos alunos passou a se sentir maior do que os outros alunos, diziam:
— Somos os melhores! Não tem comparação! — E assim surgiram as conversas dentro da sala de aula, mas não eram conversas escondidas, e sim na frente dos próprios professores, menos na frente de Rita.
Ficamos cada vez mais bagunceiros. E por isso os professores falaram mais ainda de nós, só que desta vez diziam que só porque foram julgados os melhores, se gabavam.
Rita ficou sabendo disso, e já que ela era ainda a nossa professora representante de sala, ficou uma leoa raivosa quando ficou sabendo disso!
— Eu não acredito que logo eles estão fazendo isso! Ahhh! — Ficou uma fera.
Estava na aula de matemática, justamente a dela, e os alunos conversavam livremente, confesso que até eu conversava um pouco com meus amigos naquele momento, quando ela chegou, batendo a mão na porta com força como ela fazia na 5° série e todos pularam de susto, fazia tempos que eu não ouvia aquela mão batendo lentamente na porta causando um barulho estrondoso e deixando os alunos todos assustados.
Mas desta vez ela não disse nada, apenas ficou olhando para nossos rostinhos de assustados e de anjinhos, e de anjinho não tínhamos nada.
— Vou fazer uma pergunta a vocês. — Disse ela se encaminhando para sua mesa, enquanto todos olhavam pra ela assustados. — Ultimamente, muitos professores estão reclamando de que vocês estão conversando demais na hora em que eles explicavam matéria. E isso é verdade?! — Seus olhos se entortavam para nós com um olhar assustador.
Um silêncio surgiu na sala como se fosse um tornado tirando o som da voz de todo mundo.
— Eu fiz uma pergunta e quero que a respondam agora! — Disse ela. Os alunos das outras salas podiam ouvir os gritos dela.
— Não fazíamos nada na sala de aula dos outros professores! — Disse um aluno dos mais bagunceiros que criou coragem, dificilmente, e disse.
E assim, logo depois todos concordaram dizendo que não haviam feito nada, porém, um aluno que era contra todos os bagunceiros, o tal do “nerd’s” da sala, chamado Lucas levantou-se e disse bem alto para todos ouvirem:
— Isso tudo é mentira! — Enquanto eu ficava apenas no meu canto quieto, todos olharam pra ele com aquela cara de “vou te estrangular na hora da saída”. — Tudo o que eles disseram é mentira, pois eu estava lá e vi como eles se comportavam na frente dos professores!
Rita, que acreditava nele, pois a palavra dele era como a dos professores, olhou para os alunos que mentiram pra ela e gritou como um leão faminto:
— Ocorrência para todos, menos pra ele que disse a verdade e pra quem não disse nada em relação à mentira!
Eu e Lucas olhávamos um para o outro e comemorávamos, pois eu não disse nada para Rita e como já tinha dito fiquei quieto no meu canto.
O ano se passava e cada dia era pior para a maioria dos alunos que conversavam demais e não aprendiam que mais cedo ou mais tarde iriam ser pegos pelos outros professores ou mesmo pelo Lucas, pois como ele era humilhado na hora da bagunça descontava dizendo para Rita quem bagunçava, um a um.
Final de ano, e nós estávamos felizes, pois além de que nós estávamos saindo de linha ainda éramos os melhores e Rita não dava mais aqueles trabalhos em grupo como no ano passado.
— Não vejo à hora de acabarem as aulas! — Dizia ela. — Não quero ver mais o rostinho de vocês que me enchem o saco todos os dias.
O ano se acabou e todos nós nos despedimos, e a partir dali nunca mais vimos Rita, pois ela mudou de escola e ficamos com outro professor de matemática…


Biografia:
Vida de escritor mirim não é fácil. Você tenta publicar seus livros mas não tem condições. Minha paixão pelos livros foi desde quando começei a assistir os filmes de ficção científica. Daí me apaixonei pela ficção e passei a transformar a ficção que estava em mim em histórias.
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