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COVID 19, nem tão novo assim.
Gladyston costa

Dias de reclusão entre paredes, das janelas olhos incrédulos em quarentena e a mudança de estação, o outono em curso. Na jornada do solstício ao equinócio há uma aquarela com muita tinta! O tempo tem as suas peculiaridades e descarta folhas amarelas pelo chão, o homem urbano em sua arrogância nem as nota. Com seus passos retilíneos como sempre, mal sente o sol e a lua na dança da noite com o dia.
As estações do ano vão e vêm com vigor leve, harmonioso e sedutor... Dancemos a chuva, o sol, a lua, o dia e a noite, esses deuses todos, em nosso estado mais primitivo.
Em Ciclos a vida brota e rebrota em obediência a alquimia dos ácidos invisíveis. No caldeirão da existência elementos químicos intercalados num abecedário de não mais que quatro letras são a receita de toda anatomia e suas nuances. Aos desígnios do ácido nucleico, de bactérias a cachalotes.
Adenina, guanina, citosina e timina borbulhando em meio aos vapores da ciência, aprisionados entre nucleotídeos em uma espiral infinita de pronuncia que enche a boca, ácido desoxirribonucleico, pai e mãe de toda a vida.
Artista a compor formas vivas com o pó bíblico da decomposição, tem nas células a sua pedra fundamental, o DNA é capaz de esculpir o emaranhado de neurônios do encéfalo humano e por ele ser desvendado.
No percurso da vida surge o bicho homem que engatinha, anda e passa a correr na borda de uma linha tênue entre ser bicho e ser homem, entre ser mortal e ser Deus, entre a ciência e a religião.
Quis o curso natural da vida que pornograficamente os homines sapientes desnudassem a natureza e suas entranhas. Filho rebelde do Deus celestial, tal bicho, enquanto cresce, tira da mãe Terra mais do que ela pode dar.
E faminto, o bicho homem, da janela dos aviões, viu florestas virarem cidades.
Contudo a vida segue.
Ora, o que caracteriza a vida é a sua autorrenovação! Bichos e plantas parem bichos e plantas, porém objetos inanimados não o fazem, fosse assim moedas esquecidas pelos cantos povoariam o mundo. Então viveríamos de fotossíntese, mas moedas são produzidas pela casa da moeda pra abastecer a mais-valia.
O bicho homem não é a única obra do artista DNA, já nos idos remotos da existência, uma quase não vida surge de forma espontânea, o vírus.
Uma partícula minimalista com uma miséria de ácido nucleico pra fazer outras partículas iguais a si, mas, tal como as moedas, sem capacidade pra tanto. E sem vida, restou-lhe ter nas células vivas a sua própria casa da moeda. Parasita intracelular encontrou a engrenagem necessária pra fazer mais de si mesmo.
O vírus!
É algo extraordinário, mesmo não tendo vida se reproduz, e se reproduz porque tem ácido nucleico, e se tem este ácido e se reproduz, também muda de cara, sofre mutação. Temos aqui uma bela equação: mutação + adaptação = evolução, a resultante são novos vírus com novas capacidades, tal como a vida.
O grande homem da razão e do pecado tardou a compreender partícula tão sinistra.
Há tempos a microscopia ensinou que fantasmas não causam doenças, saem de cena os espíritos malignos da idade das trevas, entram os micróbios. Vem à luz da ciência a patologia. Esses caras em sua ínfima dimensão se esconderam e o olho mecânico do microscópio não foi capaz de desvendar o mistério.
Os Vírus com suas formas geométricas e exóticas somente foram trazidos à tona mais tarde, com o avanço da tecnologia. À Luz na ciência, revelaram-se predadores de células, as quais consomem para a sua própria procriação. Enigma revelado, as viroses deixaram de ser atribuídas a venenos ou fantasmas.
Saem os espíritos do mal e os miasmas, entram a virologia e a vacina.
A vida é um processo dialético entre evolução e ácido nucleico, a evolução, tão cara à vida é, em última análise, a evolução do próprio DNA, pois este molda formas viventes mais adaptáveis ao mundo. Quando o mundo muda, a vida se encaixa e o DNA se mantém.
O curso da vida é adaptação e sobrevivência, assim tem sido... Cobras e ratos se entendem neste quesito, predadores e presas se equilibram neste dinamismo ecológico e assim seguem seu curso evolutivo. .
Que bichos comem pessoas na atualidade?
O bicho homem concebeu a ciência, armas e guerras, máquinas, antibióticos e vacinas e por mais que evolua tecnologicamente ainda tem nos vírus uma grande ameaça.
Muito antes da história moderna, passando pelas pandemias de varíola, gripe espanhola, influenza H1N1 e agora a COVID 19, partículas virais sempre vão desafiar o homem.
Daqui em diante, quem estará na dianteira dessa interação entre predador e presa? Os próximos passos dirão.

Gladyston Costa


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