Resumo: Nesta poesia, a tristeza não chega de forma violenta — ela se instala em silêncio, como uma presença constante que nunca vai embora. O eu lírico percorre lembranças que não foram ditas, gestos que se perderam no tempo e despedidas que nunca tiveram adeus.
A obra revela a dor das ausências que continuam vivendo dentro da memória, transformando o cotidiano em saudade e o passado em peso emocional. Cada verso aprofunda a sensação de vazio que não se explica, apenas se sente, até chegar à compreensão mais dolorosa: algumas perdas não desaparecem, apenas aprendem a morar dentro de nós.
É uma poesia sobre aquilo que não volta, sobre o que ficou incompleto, e sobre a forma como certas lembranças continuam respirando dentro do coração — mesmo quando tudo já deveria ter terminado. |
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Véu de Ausência
Há um tipo de tristeza
que não faz barulho,
não quebra nada,
não grita.
Ela apenas senta ao lado da gente
como se sempre tivesse morado ali.
Eu tentei fingir que não sentia,
tentei sorrir por cima do vazio,
mas o vazio aprende rápido
a sorrir de volta.
Existem nomes que a gente chama em silêncio,
e mesmo assim eles não voltam.
Existem abraços que ficam no ar
como roupa molhada ao vento,
sem nunca secar dentro da gente.
Eu ainda lembro de coisas pequenas:
um olhar que demorou mais do que devia,
uma palavra que não foi dita,
um adeus disfarçado de “cuide-se”.
E foi assim que tudo começou a desaparecer,
sem pressa,
sem despedida,
como se o mundo tivesse aprendido
a esquecer devagar.
Hoje,
eu carrego um tipo de saudade
que não tem rosto,
não tem nome completo,
só tem peso.
E esse peso me ensina
que sentir demais
também é uma forma de solidão.
Se eu pudesse voltar ao começo,
talvez eu não mudasse nada…
só ficaria mais tempo
nas coisas que eram pequenas,
porque são elas que doem mais
quando somem.
E quando a noite chega,
eu entendo:
nem toda ausência vai embora.
algumas ficam.
e aprendem a morar dentro da gente.
Autor: Anderson Del Duque
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