Login
E-mail
Senha
|Esqueceu a senha?|

  Editora


www.komedi.com.br
tel.:(19)3234.4864
 
  Texto selecionado
Insônia
Gladyston costa

Com o corpo inquieto sobre a cama, em uma formidável contenda com o travesseiro, a viagem segue, da janela do trem no alto do trilho elevado, a paisagem se movimenta com velocidade crescente e o ambiente é preenchido pelo ruído da máquina. Os estalos da linha férrea são como o “tic tac” do relógio que marca o tempo. Som invisível como mantra na madrugada a acompanhar a imobilidade do tempo. Pela cidade a noite tem a sua marca, inicia com as luzes vermelhas e o brilho dos faróis em mosaico. Correndo a linha férrea a vista é de paredes que se elevam das calçadas até o céu, há luzes e vidas alem das janelas. Gente dormindo, gente acordada, gente de todo o jeito. Apartamentos são caixinhas empilhadas que escondem essas pessoas, cada qual em seu próprio mundo... Quanta gente pela cidade! Uma profusão de vidas escondidas em seus bunkers. Em cada sala de estar, em cada quarto de dormir, no fundo de cada luz nas janelas há gente que vive. Na ausência do anonimato das caras que se misturam pela cidade, como é cada um? A noite com seus mistérios é o momento do encontro com a própria alma. A cabeça sobre a fronha e as rodas de aço que giram, giram como os ponteiros do relógio sem parada. Depois de tudo, da ultima estação, do fim do dia, despe-se dos pensamentos tangíveis. O ruído da noite ecoa no quarto, um espaço infinito e indecifrável. Então, a mente com seus desejos, medos, dúvidas e sonhos, ganha vida própria. Anjos e demônios em uma Divina Comédia. Os olhos correm o escuro em um mergulho profundo. A mente vaga sem sentido e sem ponto de chegada, uma aquarela onde as cores se misturam no espaço. Então, no encontro com a alma, o ponto de inflexão e no fim de tudo, se está sempre só. Quando amanhece o dia os fantasmas da noite se escondem e a vida continua.
Gladyston Costa


Biografia:
-
Número de vezes que este texto foi lido: 65691


Outros títulos do mesmo autor

Poesias Infarto Gladyston costa
Crônicas No trânsito, a cidade. Gladyston costa
Poesias Luz de vela Gladyston costa
Crônicas Segundos no farol e a vida Gladyston costa
Crônicas COVID 19, nem tão novo assim. Gladyston costa
Poesias A morte da velha rica Gladyston costa
Crônicas Desembarque pelo lado esquerdo do trem Gladyston costa
Crônicas O verme da razão Gladyston costa
Crônicas Insônia Gladyston costa
Poesias Gula capital Gladyston costa

Páginas: Primeira Anterior Próxima Última

Publicações de número 11 até 20 de um total de 48.


escrita@komedi.com.br © 2026
 
  Textos mais lidos
DIFICULDADES DE MEMORIZAÇÃO E RETENÇÃO NA TERCEIRA IDADE - Ismael Monteiro 66357 Visitas
Talvez - Mayra Alcione Musa Fonseca 66340 Visitas
Óh, Senhor! - katialimma 66316 Visitas
Esporte Clube - Helio Valim 66266 Visitas
Chico deu continuidade às obras de Kardec - Henrique Pompilio de Araujo 66254 Visitas
Curso Como Pensar Acessibilidade na Literatura - Terezinha Tarcitano 66249 Visitas
Só mais amarguras - Luiz Fernando Martins 66034 Visitas
eu sei quem sou - 66021 Visitas
Faça alguém feliz - 65981 Visitas
“The insufficient” - Gonçalo reis 65978 Visitas

Páginas: Primeira Anterior Próxima Última