Login
E-mail
Senha
|Esqueceu a senha?|

  Editora


www.komedi.com.br
tel.:(19)3234.4864
 
  Texto selecionado
COVID 19, nem tão novo assim.
Gladyston costa

Dias de reclusão entre paredes, das janelas olhos incrédulos em quarentena e a mudança de estação, o outono em curso. Na jornada do solstício ao equinócio há uma aquarela com muita tinta! O tempo tem as suas peculiaridades e descarta folhas amarelas pelo chão, o homem urbano em sua arrogância nem as nota. Com seus passos retilíneos como sempre, mal sente o sol e a lua na dança da noite com o dia.
As estações do ano vão e vêm com vigor leve, harmonioso e sedutor... Dancemos a chuva, o sol, a lua, o dia e a noite, esses deuses todos, em nosso estado mais primitivo.
Em Ciclos a vida brota e rebrota em obediência a alquimia dos ácidos invisíveis. No caldeirão da existência elementos químicos intercalados num abecedário de não mais que quatro letras são a receita de toda anatomia e suas nuances. Aos desígnios do ácido nucleico, de bactérias a cachalotes.
Adenina, guanina, citosina e timina borbulhando em meio aos vapores da ciência, aprisionados entre nucleotídeos em uma espiral infinita de pronuncia que enche a boca, ácido desoxirribonucleico, pai e mãe de toda a vida.
Artista a compor formas vivas com o pó bíblico da decomposição, tem nas células a sua pedra fundamental, o DNA é capaz de esculpir o emaranhado de neurônios do encéfalo humano e por ele ser desvendado.
No percurso da vida surge o bicho homem que engatinha, anda e passa a correr na borda de uma linha tênue entre ser bicho e ser homem, entre ser mortal e ser Deus, entre a ciência e a religião.
Quis o curso natural da vida que pornograficamente os homines sapientes desnudassem a natureza e suas entranhas. Filho rebelde do Deus celestial, tal bicho, enquanto cresce, tira da mãe Terra mais do que ela pode dar.
E faminto, o bicho homem, da janela dos aviões, viu florestas virarem cidades.
Contudo a vida segue.
Ora, o que caracteriza a vida é a sua autorrenovação! Bichos e plantas parem bichos e plantas, porém objetos inanimados não o fazem, fosse assim moedas esquecidas pelos cantos povoariam o mundo. Então viveríamos de fotossíntese, mas moedas são produzidas pela casa da moeda pra abastecer a mais-valia.
O bicho homem não é a única obra do artista DNA, já nos idos remotos da existência, uma quase não vida surge de forma espontânea, o vírus.
Uma partícula minimalista com uma miséria de ácido nucleico pra fazer outras partículas iguais a si, mas, tal como as moedas, sem capacidade pra tanto. E sem vida, restou-lhe ter nas células vivas a sua própria casa da moeda. Parasita intracelular encontrou a engrenagem necessária pra fazer mais de si mesmo.
O vírus!
É algo extraordinário, mesmo não tendo vida se reproduz, e se reproduz porque tem ácido nucleico, e se tem este ácido e se reproduz, também muda de cara, sofre mutação. Temos aqui uma bela equação: mutação + adaptação = evolução, a resultante são novos vírus com novas capacidades, tal como a vida.
O grande homem da razão e do pecado tardou a compreender partícula tão sinistra.
Há tempos a microscopia ensinou que fantasmas não causam doenças, saem de cena os espíritos malignos da idade das trevas, entram os micróbios. Vem à luz da ciência a patologia. Esses caras em sua ínfima dimensão se esconderam e o olho mecânico do microscópio não foi capaz de desvendar o mistério.
Os Vírus com suas formas geométricas e exóticas somente foram trazidos à tona mais tarde, com o avanço da tecnologia. À Luz na ciência, revelaram-se predadores de células, as quais consomem para a sua própria procriação. Enigma revelado, as viroses deixaram de ser atribuídas a venenos ou fantasmas.
Saem os espíritos do mal e os miasmas, entram a virologia e a vacina.
A vida é um processo dialético entre evolução e ácido nucleico, a evolução, tão cara à vida é, em última análise, a evolução do próprio DNA, pois este molda formas viventes mais adaptáveis ao mundo. Quando o mundo muda, a vida se encaixa e o DNA se mantém.
O curso da vida é adaptação e sobrevivência, assim tem sido... Cobras e ratos se entendem neste quesito, predadores e presas se equilibram neste dinamismo ecológico e assim seguem seu curso evolutivo. .
Que bichos comem pessoas na atualidade?
O bicho homem concebeu a ciência, armas e guerras, máquinas, antibióticos e vacinas e por mais que evolua tecnologicamente ainda tem nos vírus uma grande ameaça.
Muito antes da história moderna, passando pelas pandemias de varíola, gripe espanhola, influenza H1N1 e agora a COVID 19, partículas virais sempre vão desafiar o homem.
Daqui em diante, quem estará na dianteira dessa interação entre predador e presa? Os próximos passos dirão.

Gladyston Costa


Biografia:
-
Número de vezes que este texto foi lido: 33763


Outros títulos do mesmo autor

Crônicas Pão de Ló Gladyston costa
Contos Esporádica companhia Gladyston costa
Poesias Indolente sedutor Gladyston costa
Crônicas Asas sobre sampa Gladyston costa
Poesias Abraço Gladyston costa
Poesias Água doce Gladyston costa
Crônicas Na borda da banheira Gladyston costa
Poesias Ladeira da misericórdia Gladyston costa
Crônicas Principia a primavera Gladyston costa
Crônicas Divagações sobre um poema Gladyston costa

Páginas: Próxima Última

Publicações de número 1 até 10 de um total de 48.

  Envie este texto por e-mail
Digite seu nome:
Digite seu endereço de e-mail:
Digite o nome do destinatário do e-mail:
Digite o endereço de e-mail do destinatário:

escrita@komedi.com.br © 2020
 
  Textos mais lidos
viramundo vai a frança - 34851 Visitas
O Trenzinho - Carlos Vagner de Camargo 34789 Visitas
LÍRIO - Alexsandre Soares de Lima 34710 Visitas
Pensamento 21 - Luca Schneersohn 34702 Visitas
Como posso desenvolver uma campanha de marketing - Antonio 34700 Visitas
Guerra suja - Roberto Queiroz 34694 Visitas
Na caminhada do amor e da caridade - Rosângela Barbosa de Souza 34692 Visitas
A PRAIA DO PROGRESSO - Rosângela Barbosa de Souza 34664 Visitas
Um dia serei algo - José Rony de Andrade Alves 34653 Visitas
A Carta Gelada - José Rony de Andrade Alves 34646 Visitas

Páginas: Próxima Última