Login
E-mail
Senha
|Esqueceu a senha?|

  Editora


www.komedi.com.br
tel.:(19)3234.4864
 
  Texto selecionado
REFUGIADOS
Sérgio Clos

REFUGIADOS
Não é asilo econômico.
Não é fugir das perseguições e nem das guerras.
Guerras? O que são guerras?
Guerras são muitas. As coletivas. As individuais.
Dentre as individuais surge a mais cruel. Aquela que, sorrateiramente e munida das mais variadas circunstâncias, trava um bombardeio de questionamentos internos.
É pura mente, não puramente. O campo de batalha é mental. O pior deles.
Já não é mais o dia “D”. É a semana “D”. É o ano “D”.
As “tropas” da ingratidão surgem armadas até os dentes na nossa pequena “Normandia” da vida. Tentamos, nos bunkers improvisados a nos proteger das investidas, mas nossa energia e munição jazem poucas.
Assistimos o desembarcar das tropas a lançar granadas de desagradecimento. Seus estilhaços ferem a nossa alma. Ficamos atônitos. Muito pouco a se fazer.
Batemos em retirada. Recuo estratégico não mais cabe. Recuaremos de vez, mas não nos renderemos.
Foi uma longa jornada.
Os tempos mudaram. As cabeças são outras.
Sim. A velhice chegou. Lembro quando jovem eu sempre usara a expressão “É hora de subir a montanha”, fazendo referência talvez ao índio americano quando estava prestes a morrer. Não é o caso.
É hora do refúgio.
E assim é.
É bom pegar o barco, atravessar o mar do “pouco caso”, “dos panos velhos”, da “injustiça” e da “ingratidão”.
É bom atracar no porto, como refugiado, e ser amparado pelos longevos desconhecidos, de um país desconhecido.
Nosso maior orgulho é o de quê fazemos parte da história. Foi numa terra distante. Na memória.
Na nova terra a música toca conforme a nossa dança.
Nosso silêncio é mais filosófico do que as ideologias juvenis.
A nossa comunicação é muito pelos olhares, pois os gestos ficaram mais lentos. Não sabemos tudo, mas sabemos mais. É a nossa barganha.
Na nova terra predomina a política do sossego.
É um dia de cada vez.
Sem investimentos em longo prazo.
O desapego faz morada.
Ao atravessarmos o mar, veio escondida na bagagem a “solidão”. Ela é insistente. Temos que doutriná-la.
Somos refugiados sim. Na “New Land” o pedido de asilo está implícito. Não tem burocracia. É automático.
Bem vindo a terra não prometida.
Bem vindo à velhice. Terra de algumas aventuras e agruras.
Ficamos velhos, mas a vida ainda nos quer.
Clos    


Biografia:
Cronista e articulista. 64 anos
Número de vezes que este texto foi lido: 65001


Outros títulos do mesmo autor

Crônicas Quando Tudo Isso Passar Sérgio Clos
Crônicas ABANDONO FUNCIONAL Sérgio Clos
Crônicas REFUGIADOS Sérgio Clos
Crônicas QUARTA IDADE Sérgio Clos
Crônicas ESTOU ENTRANDO EM GREVE! Sérgio Clos
Crônicas UMA VIDA PROPAROXÍTONA Sérgio Clos
Crônicas O PRECONCEITO Sérgio Clos
Crônicas ADMIRÁVEL NOVA TECNOLOGIA Sérgio Clos
Crônicas MEU AGRADECIMENTO Sérgio Clos
Crônicas REUNIÃO DE EMERGÊNCIA Sérgio Clos

Páginas: Próxima Última

Publicações de número 1 até 10 de um total de 80.


escrita@komedi.com.br © 2026
 
  Textos mais lidos
MEU DENTE CAIU - ELÁDIA CRISTINA TEIXEIRA DOS SANTOS 67532 Visitas
Vivo com.. - 66633 Visitas
MENINA - 66467 Visitas
UM DIA QUE VAI LONGE! - Bete Bissoli 66008 Visitas
SOMOS TODOS YANOMÂMIS! - Maria Padilha 65998 Visitas
Mil e uma Noites - Andre Junior Silva Santos 65793 Visitas
A Abelhinha Jurema - JANIA MARIA SOUZA DA SILVA 65765 Visitas
RESENHAS JORNAL 6 - paulo ricardo azmbuja fogaça 65698 Visitas
FELICIDADE É... - Orlando Batista dos Santos 65626 Visitas
Literatura Hebraica - valmir viana 65623 Visitas

Páginas: Próxima Última