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Momentos
Pedro Girardi Modesti

“...Quão feliz é o destino de um inocente sem culpa. O mundo em esquecimento pelo mundo esquecido. Brilho eterno de uma mente sem lembranças. Cada orador aceito e cada desejo renunciado...”

O quão incrível é a mente humana. Cada experiência pela qual passamos molda profundamente nossa personalidade, cada momento vivido muda um pouco o ser humano que somos.

O poema acima de Alexander Pope foi a inspiração para o filme “Brilho eterno de uma mente sem lembranças”. Filme extremamente difícil, daqueles que precisam ser mastigados e digeridos lentamente, sendo que assistir uma vez não é o suficiente para um entendimento sequer raso.

Poucas pessoas gostam desse tipo de obra, vide a formula dos blockbusters atuais. As pessoas querem ação e entretenimento fácil. Também quero, não nego o valor de um “Vingadores”. Mas os filmes que me fazem entrar em conflito, esses sim, são minha paixão.

No brilho eterno, o protagonista vivido por Jim Carrey sofre uma desilusão amorosa e contrata uma empresa especializada em apagar memorias especificas das pessoas. Magnífica interpretação, incrível como o ator consegue apagar a imagem paspalhona que temos dele e fazer o papel de um depressivo desiludido.

Mas o pulo do gato da confusa história é o momento de epifania do personagem, quando ele compreende que as memórias não devem ser apagadas, que apesar de todo o sofrimento e dor pelo qual está passando, ele viveu momentos muito felizes ao lado de sua ex companheira, que apesar de o relacionamento não ter dado certo num momento, deu certo em vários outros.

A vida não se faz apenas de momentos felizes, muito pelo contrário, na maioria das vezes não estamos irradiando alegria. Devemos os momentos de intensa felicidade aos momentos tristes. É a partir da tristeza que temos parâmetros para identificar a verdadeira felicidade.

Cada momento, cada experiência, cada lembrança do que passamos nos torna o que somos. Não se arrependa de ter vivido uma experiência desagradável, se arrependa de não ter vivido por medo. Até a lembrança de não ter experimentado por medo tem sua função. Na próxima vez em que for confrontado, lembre-se, na outra vez não teve coragem de ser feliz, mas nessa terá.


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