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Existe, nos dias de hoje, uma pedra que não deveria estar mais no meio do caminho. Na era da informação, é chocante que um dos nossos maiores problemas seja a falta da mesma.
Somos todos tão entendidos nos assuntos que nos convém, mas somos tão alienados nos que precisamos ter a mínima compreensão. Por que sabemos distinguir a diferença no momento da destilação de uma cerveja apenas pelo paladar, mas não sabemos como criar nossos filhos? Por que sabemos o nome de todos os técnicos da seleção brasileira, mas não sabemos como tratar nossas esposas e maridos? E por que, também, sabemos a diferença de tamanho do salto de cada sapato ou da qualidade do couro usado no mesmo, mas não sabemos nos sensibilizar pela dor do outro?
É claro, não existe problema em saber sobre cerveja, futebol, sapatos, bolsas, comida. Mas, também, temos que nos atentar a outras prioridades, como uma somatória de conhecimentos. Vivemos num mundo fútil, de plástico, onde coisas que poderiam ser o segundo plano, vem primeiro. E por que? Porque não tratamos nossos filhos como o mesmo amor que tratamos nossos sapatos e roupas, em busca de uma aceitação desnecessária. Porque não priorizamos nossas famílias da mesma forma que priorizamos nossos jogos de futebol. Porque não nos importamos mais uns com os outros, nos preocupamos com o que os outros pensarão de nós. Com fofocas e separações. E dinheiro, sempre.
Então, da próxima vez que formos reclamar da política e do país, olhemos para nós mesmos primeiro. Talvez a culpa de toda essa bagunça não deva ser empregada em alguém tão longe de nossas casas.
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