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Teatro de Solidão
Francisco Martins Silva

Angélica, uma jovem atriz apaixonada pela profissão, admirada pelos amigos e determinada em cada trabalho que faz, vive uma vocação, uma dádiva: ela se dedica ao teatro desde pequenina. Cresceu aprendendo a recitar textos, poemas, a maquiar-se e a usar máscaras no rosto, dar vida a outras vidas que nascem da imaginação. O palco sempre fora sua paixão. Em seu trabalho, nunca deixou a desejar. Disciplina, pontualidade, estudo e performance, todos os requisitos necessários para o êxito de suas funções - ela aprendeu a administrar.
Numa ocasião rara, dessas que nunca se deseja ou se espera, Angélica tinha uma peça a apresentar, um monólogo, que por sinal era um longo texto! Para isso, usara como de costume o dom da memória a fim de decorar com a ajuda do poder da interpretação, as palavras, os pontos e até as vírgulas daquelas longas páginas. Quando chegou sua hora, ainda no camarim, ela deu-se conta que havia uma única e só pessoa, uma só cadeira ocupada daquela grande sala de espetáculos. Olhando-se no espelho daquele lugar, viu-se diante de um drama entre o espetáculo e o real: sentiu-se sozinha e abandonada pelo público, uma solitária atriz.
Então, ela pensou em como reagir diante de um episódio que pode ser constrangedor para uma artista, para uma atriz. Analisou o quanto essa atividade exige habilidade e coragem para enfrentar momentos fortes como este. E então entendeu que viver sua profissão não se define só em aplausos e vaidades, mas em trabalho, humildade e perseverança naquilo que se dedica e responsabilidade no que se faz. Viu-se desafiada pela solidão do palco. Encarar um monólogo já era de se esperar, mas uma sala de espetáculos sem o público almejado é uma das situações mais humilhantes. Rapidamente pensou em como agir: um monólogo, uma só atriz, uma só pessoa, uma só cadeira ocupada, mas a sua vocação, seu ofício, seu ar, podiam fartar-lhe mais do que os aplausos de uma grande plateia, mais do que a companhia de muitos companheiros em cena... Angélica então decidiu o que fazer: enfrentar o drama... Saiu do camarim como quem ia para uma grande guerra, determinada a cumprir o seu dever: interpretar o papel. Entrou no palco como se fosse a única vez de tantas em sua vida. Iria apresentar o monólogo com garra e decidida a vencer o drama da solidão, do abandono... ela não conseguia imaginar-se saindo do teatro para casa sem nutrir-se do seu alimento, do seu ar, do seu ofício.
     Ao entrar no palco, as luzes se acenderam e ela respirou fundo, concentrando-se na mensagem do texto. Encarou aquela única pessoa a lhe assistir, olhou-a bem nos olhos e com expressão de quem não tinha nada a temer e nem a se constranger, pôs a sua obra em prática, apresentando dignamente o monólogo por horas e horas, enfrentando uma grande sala de espetáculos com um só espectador, pronunciando com ênfase todo o texto, dando vida, sentimento e emoção às palavras e gestos que uma atriz do seu nível sabia representar. Ao terminar, foi aplaudida de pé, recebeu o cumprimento digno a uma boa atriz e saiu fortalecida por cumprir sua nobre missão.
Angélica foi avaliada e elogiada por sua atitude e por seu desempenho, tornando-se ainda mais reconhecida pela profissão. Recebeu um prêmio de melhor atriz cujo concorrente era um só: o trauma da solidão, o qual ela venceu.


Biografia:
Francisco Martins Silva (10 de dezembro de 1974) São Félix de Balsas – Maranhão. Reside em Uruçuí – Piauí. Professor, escritor e poeta. Licenciado em Geografia pela Universidade Estadual do Piauí – UESPI e pós-graduado em Pedagogia Escolar pela Faculdade de Teologia Hokemãn. Possui curso de extensão acadêmica em Ensino Religioso pelo Fórum Nacional Permanente em Ensino Religioso em parceria com a Faculdade São Francisco e Rede Vida de Televisão. Compõe poemas, contos, crônicas e ensaios. É membro Correspondente da Academia de Letras de Teófilo Otoni – MG-Brasil, Patrono: Luiz Almeida Cruz; Membro Titular da Litteraria Academiae Lima Barreto cadeira nº 43 do Rio de Janeiro-Brasil; Membro Corresponde Imortal da Academia Luminescência Brasileira (Ciências, Letras e Artes) ALUBRA – cadeira nº 23, Araraquara – SP-Brasil, Patrono: Pio Lourenço Correa; membro correspondente da Academia de Letras e Artes de Fortaleza – ALAF – CE - Brasil, Patrona: Cora Coralina; membro da Academia Mundial de Cultura e Literatura – AMCL, cadeira nº 47, Patrono: Gonçalves Dias, Rio de Janeiro – Brasil; membro correspondente da Academia Pan Americana de Letras e Artes do Rio de Janeiro e membro do Núcleo de Letras e Artes de Buenos Aires - Argentina. Autor do livro Um tributo à natureza pela editora Câmara Brasileira de Jovens Escritores – RJ. Autor da peça de Teatro “Uma ciranda no bosque”. Autor da peça de Teatro “A Senhora dos Livros” da coleção Cirandas para Gostar de Ler. Autor do conto “A Barca” da coleção Cirandas para Gostar de Ler. Autor da crônica “Um abraço ao Lago das Águas Claras” da coleção Cirandas para Gostar de Ler. Autor de “Cirandas Poéticas” – Poesias, da coleção Cirandas para Gostar de Ler. Recebeu a Medalha de Mérito Literário da Litteraria Academiae Lima Barreto. Rio de Janeiro. Recebeu a Láurea troféu Maestro Wilson Dias da Fonseca pela Academia de Ciências, Letras e Artes - ALUBRA – Araraquara – SP. Recebeu o troféu Evita Perón pelo Núcleo de Letras e Artes de Buenos Aires - Argentina. - É Embaixador pela defesa da paz mundial, direito das mulheres e pela cultura sem fronteiras pelo Núcleo de Letras e Artes de Buenos Aires - Argentina. - É Comendador – Ordem do Mérito Cultural Carlos Gomes pela Sociedade Brasileira de Artes, Cultura e Ensino - SBACE – São Paulo. - Recebeu a Medalha Cinquentenário das Forças Internacionais de Paz da ONU; honraria concedida pela Associação Brasileira das Forças Internacionais de Paz da ONU – Organizações das Nações Unidas. São Paulo.
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