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No fim,
quando lá você chegar,
não será o término —
mas a dobra do tempo
onde a alma aprende a voltar.
Haverá cansaço nas mãos,
poeira nos passos,
nomes que o vento levou —
mas, ainda assim,
um sopro insistente
pedindo passagem em você.
Recomeçar não será escolha:
será pulso.
Será a vida, em silêncio,
tecendo de novo
o que em você não morreu.
E mesmo que tudo pareça
já dito, já gasto, já ido,
haverá dentro do peito
um território intacto
esperando teu primeiro gesto.
No fim,
quando lá você chegar,
entenderá:
será essa a hora
de recomeçar.
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