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VERSO Dissabor & REVERSO Sabor
Tânia Du Bois


             “... A dureza de um verso, poeta,/ é a maciez do seu reverso.” (Clauder Arcanjo)

Hoje em dia, aparentemente, é possível ver através do verso e reverso a aproximação que dá sentido à vida e à arte. Recriar o mundo através do verso é alcançar a liberdade, algo que se constrói com o conhecimento e a criatividade, tendo a força indomável da inspiração.
Como Clarice Lispector escreveu, ”Eu te invento, ó realidade”. A inovação reversa diz respeito à introdução de novidades onde tudo pode ser dito dentro de uma forma, fosse o poema o rastro possível da poesia.
Verso e reverso mostram as implicações e o espelhamento das palavras; o som do eco poético porque o poema é a passagem da escuta transformada em voz que retorna em encantamento, ritmo e reflexão. Pedro Du Bois no verso Dissabor, “Se o dissabor / trincar o caminho / espantando os espantalhos // pássaros dos espaços / vagos: voo sem sentido / no rasante / à presa. Desfaço / as malas e recoloco / a roupa na estante // instante ao gosto de fixar / o destino: voo em espaços / universais da dor”.      Nuno Júdice, pergunta, “Mas o que fica nas palavras / daquilo que se viveu?”. Carmen Presotto responde que podemos ver “o outro lado do poema”, como mostra Anna K. Lacerda no reverso do poema Dissabor, em Sabor: “Se o sabor / Florir o caminho / Alegrando os espantalhos // Os pássaros / Em revoada / Dançarão // E eu pego carona / Nesse voo / Sem medo / Do rasante / É meu instante.”
A inovação reversa abre caminho para a criatividade, oscilando entre o significado e o significante, o que representa mudança na maneira de pensar sobre o poema e de trazê-lo para perto, como veículo de transferência de conhecimento.
Poetas constroem espaços em versos livres e espalham ecos que persistem nos versos e reversos onde emprestam suas palavras ao mundo, aumentando o sentir da existência reveladora ao tempo de hoje, mesmo diante da diversidade criativa das obras. Todos têm seu momento de impacto, dialogando, criticando e abrindo novas perspectivas para a linguagem poética: a criatividade não tem fim, mas tem começo.
Atualmente as pessoas possuem o senso de realidade em que o criar se dispersa no universo da individualidade. O verso e o reverso funcionam, então, como ponte entre o escritor, o leitor e a criação: despertando ideias.
“Às vezes um texto muito interessante passa despercebido porque não sabemos ler. Saber ler não é simplesmente ser alfabetizado. Saber ler é poder junto, pensar com o autor, compreendê-lo e criticá-lo.” (Leila M. Barbosa e Wilma Mangabeira)
Na poesia, podemos dar atenção especial, mais que a outras artes, pois dela retiramos a ideia que o homem julga necessária: aprender a ler poesia para si, isto é, uma leitura para dentro, o que leva à reflexão e à criatividade.
Este o reverso / da medalha / no corte de minha imagem /
que se corta /no teu fio de navalha...” (Mário Chamie)


Biografia:
Pedagoga. Articulista e cronista. Textos publicados em sites e blogs.Participante e colaboradora do Projeto Passo Fundo. Autora dos livros: Amantes nas Entrelinhas, O Exercício das Vozes, Autópsia do Invisível, Comércio de Ilusões, O Eco dos Objetos - cabides da memória , Arte em Movimento, Vidas Desamarradas, Entrelaços,Eles em Diferentes Dias e A Linguagem da Diferença.
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