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O dia que Brenda desconectou
Caren Luci Papes de Oliveira

Resumo:
Brenda sempre morou na Barra da Tijuca, desde que se entendia por gente. Até os nove anos, era dessas meninas que brincavam de tudo, corriam pela casa como se o tempo fosse infinito e se encantavam com o simples. Mas bastou ganhar o primeiro celular para que tudo mudasse. A telinha luminosa virou seu novo mundo — e ali ela mergulhou como quem se perde num mar sem relógio. A rotina dela era sempre igual: acordava mexendo no celular, tomava café com os olhos grudados na TV, se arrumava ouvindo música, e passava o dia inteirinho mergulhada em tecnologia. Era como se tivesse esquecido de viver — viver de verdade, com risadas soltas, brincadeiras, ruas e amigos de carne e osso.

Até que, numa manhã qualquer, sua mãe bateu à porta do quarto:
— Filha, chama sua amiga Caren pra vir brincar aqui em casa.
Brenda revirou os olhos.
— Aff, mãe… tanto faz.
Ligou pra Caren, que veio em poucos minutos. Depois de um tempo conversando, Caren insistiu:
— Amiga! Vamos brincar de gato mia?
Brenda, talvez por nostalgia ou tédio, concordou:
— Vamos sim, Caren.
E lá foram elas. Dez minutos de brincadeira… e o inesperado aconteceu. Um tropeço, duas cabeças batendo no chão, e tudo escureceu.
Quando abriram os olhos, não estavam mais no quarto de Brenda. Estavam numa rua iluminada pelo sol, com crianças brincando de pipa, outras com bonecas, outras jogando bola, todas rindo alto, como se não existissem perigos, relógios… ou Wi-Fi.
As duas se entreolharam, estranhando tudo aquilo. Rua? Crianças brincando soltas? Cadê os carros, os prédios, o medo?
Caren, confusa, se aproximou de uma garotinha:
— Ei, menina… que dia é hoje?
A menina sorriu, segurando sua boneca de pano.
— Hoje é dia 13 de março de 1956. Por quê?
Caren gelou. Brenda engoliu seco. As duas se olharam, boquiabertas.
— Nada… não — murmurou Caren, com os olhos arregalados.
Brenda, pela primeira vez em muito tempo, guardou o celular no bolso. Ali, naquele lugar estranho e encantador, sem telas e sem pressa, ela percebia algo raro: talvez viver de verdade fosse muito mais emocionante do que qualquer notificação


Biografia:
Caren Papes
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