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DISLEXIA E SEUS DESAFIOS
Andrea Aparecida Cabral

Resumo:
O presente trabalho refere-se à dislexia que trata de uma dificuldade que ocorre no processo de leitura, escrita, soletração e ortografia, é um distúrbio que se torna evidente na época da alfabetização, embora alguns sintomas já estejam presentes em fases anteriores. Estas dificuldades são mais comuns nesta fase devido aos métodos aplicados que não se encaixam a um disléxico e o total desinteresse pela leitura. E é justamente neste período que muito se espera de uma criança, achando que ela atenderá todas as expectativas na fase escolar. Ao contrário do que muitos pensam a dislexia não é o resultado de má alfabetização, falta de atenção ou motivação, condição financeira ou baixa inteligência. Ela é uma condição hereditária ou adquirida com alterações genéticas, apresentando alterações no padrão neurológico que causam esta desvantagem no processo de aprendizagem. Constatando-se precocemente o distúrbio é possível compreender melhor o grau de dificuldade e assim, pais, professores, alunos terão mais facilidade para trabalhar e lidar com pessoas disléxicas. Por isso é de suma importância enquanto educadores estarem informados em relação aos distúrbios de aprendizagem, pois os mesmos serão a ponte para encaminhá-los a uma equipe multidisciplinar que fará o diagnóstico. Palavras-Chave: Dificuldade de aprendizagem – Decodificar.

O capítulo apresentara as definições de especialistas e estudiosos no assunto. A pesquisa realizada se faz necessário entender o que é dislexia, neste sentido para fundamentar este assunto apontamos: IANHEZ; NICO; (2002), NUNES; BUARQUE; BRYANT; (1992); MASSI (2007)

        1.1 Conceito

A dislexia faz-se necessário defini-la conforme alguns autores, os quais apresentarão a seguir:

Dislexia é um dos muitos distúrbios de aprendizagem. É um distúrbio específico da linguagem, de origem constitucional, caracterizado pela dificuldade em decodificar palavras simples. Mostra uma insuficiência no processo fonológico. Essas dificuldades de decodificar palavras simples não são esperadas em relação à idade. Apesar de submetida a instrução convencional, adequada inteligência, oportunidade sociocultural e não possuir distúrbio cognitivos e sensoriais fundamentais, a criança falha no processo de aquisição da linguagem. A dislexia é apresentada em várias formas de dificuldades com diferentes formas de linguagem, freqüentemente incluídos problemas de leituras, em aquisição e capacidade de escrever e soletrar. (ASSOCIAÇÃO BRASILEIRA DE DISLEXIA apud MASSI, 2007, p. 44)


Segundo IANHEZ; NICO (2002), o importante não é o nome ou a denominação que se dá ao distúrbio, pois esse vem acarretar em mais um rótulo, como tantos outros na vida da criança. O necessário é identificar o problema para que possamos ajudar e ensinar a ajudar todos àqueles que de uma forma ou de outra estão envolvidos neste processo.

É uma dificuldade que ocorre no processo de leitura, escrita, soletração e ortografia. Não é uma doença, mas um distúrbio com uma série de características. Torna-se evidente na época da alfabetização, embora alguns sintomas já estejam presentes em fases anteriores. Apesar de instrução convencional, adequada inteligência e oportunidade sociocultural e ausência de distúrbios cognitivos fundamentais, a criança falha no processo da aquisição de linguagem. A dislexia independe de causas intelectuais, emocionais e culturais. (IANHEZ; NICO; 2002 p. 21).



IANHEZ; NICO (2002), afirmam que é importante enfatizar que pelo fato deste distúrbio apresentar muitas formas e variados sintomas que se combinam de modos diferentes em cada indivíduo, quando se fala em dislexia, fala-se de uma dificuldade que é mais facilmente descrita do que definida, ou mesmo denominada. São utilizados diversos termos para denominá-la. Inclusive termos que foram usados para descrever alguns dos sintomas associados, mas que acabaram sendo confundidos com o próprio distúrbio, como: estrefosimbolia (sthephosymbolia), cegueira verbal, desordem de aprendizagem, disfunção cerebral mínima, lesão cerebral mínima, inabilidade específica para a leitura, dislexia constitucional, dislexia evolutiva, entre outros.







        1.2 Etimologia

Segundo IANHEZ; NICO (2002) a palavra dislexia significa:
Dis = distúrbio; dificuldade
Lexia = leitura ( do latim ) ou (do grego )
DISLEXIA: distúrbio de linguagem


O termo Dislexia traduzido do latim e do grego como distúrbio de linguagem, esse foi adotado para denominar um distúrbio específico na aquisição da leitura e escrita. Dessa forma não devemos acreditar que qualquer dificuldade apresentada em leitura e escrita seja sinal de dislexia. As causas que podem interferir no processo de aquisição da linguagem são as mais variadas possíveis, por isso torna-se tão importante um diagnóstico preciso.  

A observação de alguns sintomas pode remeter ao chamado ‘quadro de risco’, que deve ser confirmado mediante uma avaliação adequada. (IANHEZ; NICO; 2002 p. 25).

Para melhor elucidação seguem alguns dos sintomas mais comuns entre os disléxicos que serão abordados posteriormente.






        1.3 Histórico

IANHEZ; NICO (2002), afirmam que a primeira definição sobre dislexia é do neurologista americano Dr. Samuel T. Orton, que define a dislexia não como uma doença, mas como um distúrbio.
Conforme ORTON defende que a dislexia independe de causas intelectuais, emocionais e culturais, que é hereditário e a maior incidência é em meninos, na proporção de três para um.

Segundo, MYKLEBUST (1962) define a dislexia como:
A dislexia é uma desordem de linguagem que impede a aquisição de sentido por intermédio das palavras escritas, por causa de uma deficiência habilidade de simbolização. Pode ser endógena ou exógena, congênita ou adquirida. As limitações na linguagem escrita são demonstradas por uma discrepância entre a aquisição real e a esperada. (MYKLEBUST apud IANHEZ; NICO; 2002 p.22)


Vários profissionais de diversas áreas nas ultimas décadas fazem debates e pesquisas para conceituar e definir o que é dislexia, é importante ressaltar que apesar da dificuldade para defini-la e conceituá-la, a dislexia é reconhecida como um transtorno específico de leitura, conforme a classificação de Transtornos Mentais e de Comportamento já estudados.
(...) um comprometimento específico e significativo no desenvolvimento das habilidades da leitura, qual não é unicamente justiçado por idade mental, problemas de acuidade visual ou escolaridade inadequada. (...) (ORGANIZAÇÃO MUNDIAL DA SAÚDE apud MASSI, 2007, p. 47)


O estudo realizado por um médico oftalmologista alemão, Dr. Rudolph Berlin, em 1862 ,foi designado o termo Dislexia de evolução como problema constitucional para nomear uma dificuldade em leitura apresentada por um de seus pacientes. Na Inglaterra, James Kerr, foi o primeiro a descrever distúrbios de leitura, em 1897. Algum tempo depois houve muitas descrições de crianças com problemas de leitura e muitas definições foram formuladas de acordo com as experiências e bases teóricas de cada autor.

Surgiram várias designações que pudessem identificar e descrever crianças portadoras de distúrbios de leitura e explicações para seus fracassos, mas a cada teoria desenvolvida, críticas eram apontadas por correntes teóricas opostas. (IANHEZ; NICO; 2002 p. 35, 36, 37)

James HINSHELWOOD, em 1917,publicou uma monografia de nome “Cegueira Verbal Congênita”. Nesta publicação foram descritos adultos afásicos, ou seja, pessoas com problemas de leitura e escrita advindos de lesões cerebrais no ‘girus angularis’ (giro cerebral localizado no lóbulo temporal responsável pela leitura).
De acordo com HINSHELWOOD, ele encontrou distúrbios infantis com sintomas similares e, com base nessas semelhanças, sugeriu que os problemas da dislexia tenham possibilidade de serem hereditários ou, ainda, de espécie orgânica.
Ocorre que muitos educandos passam pela escola sendo rotuladas pelos educadores e colegas, como sendo desinteressados e preguiçosos. Desta forma percebemos que o termo dislexia refere-se a um distúrbio de aprendizagem que atinge o ser humano com dificuldades específicas na área da leitura e escrita ocasionando inúmeros problemas na sua vida diária. Estes não possuem a mesma capacidade de ler como as outras pessoas na mesma faixa etária, principalmente as crianças que possuem inteligência e saúde normal. É de extrema valia que o educador identifique a dislexia o mais cedo possível para assim poder encaminhá-lo para comprovação do diagnóstico. E desta forma contribuirá de forma positiva no desenvolvimento deste individuo como um todo.


CAPÍTULO 2
A dislexia na atualidade

Neste capítulo apresentaremos a dislexia na atualidade, por meio de pesquisas realizadas em artigos apresentados o que os especialistas e estudiosos dizem sobre o tema, neste sentido para fundamentar o tema abordado apontamos: IANHEZ; NICO; (2002), NUNES; BUARQUE; BRYANT; (1992); MASSI (2007).


        2.1 O que dizem alguns autores sobre esse distúrbio

Atualmente muito se fala na dislexia de evolução que é a desordem de linguagem que não impede a aquisição do sentido por meio das palavras escritas, como propõe MYKLEBUST apud IANHEZ; NICO (2002, p. 22) causa uma dificuldade na aquisição da linguagem escrita, podendo apresentar níveis variados dessa dificuldade. Quanto aos tipos de dislexia, já é sabido também que a dislexia de evolução é diferente da chamada dislexia adquirida, ou afasia, como é conhecida. Isto porque, embora os sintomas sejam bastante semelhantes, a primeira é congênita e hereditária, e a segunda é conseqüência de um traumatismo craniano, acidente vascular, tumor, derrame etc. Assim como MYKLEBUST os pesquisadores CONDEMARIM e BLOMQUIST, acreditam que a dificuldade de aprendizagem da escrita é hereditária, em seus estudos constataram que aproximadamente 80% das pessoas analisadas, tinham parentes que também apresentaram o distúrbio.
Em contra partida Massi ao citar Pamplona Morais questiona a hipótese genética.

Ao estudar questões relativas à linguagem escrita em crianças ditas disléxicas e seus familiares, visto que tanto a criança como seus parentes compartilham do mesmo ambiente social, não é possível estabelecer o que é herdado geneticamente e o que e aprendido socialmente. (MORAIS apud MASSI, 2007, p. 32)



      MASSI afirma que, a explicação genética, mas dentro da visão organista, além da genética temos as abordagens, neurológicas, metabólicas e oftalmológicas, são suposições contraditórias entre si e que ainda não chegaram a resultados conclusivos.

Apesar de a ótica organista ter apresentado uma série de hipóteses na tentativa de explicar as causas da dislexia como um distúrbio específico de aprendizagem, ela não chegou a resultados conclusivos. (MASSI, 2007, p. 33)


     
De acordo MASSI (2007), a dificuldade      de leitura e escrita na visão cognitiva ou instrumental, tentou ao máximo afastar-se da ideia organista, acabou por filiar-se a elas quando buscou explicar as dificuldades da escrita como sendo conseqüência de disfunções mentais ou imaturidades relacionadas ao sistema nervoso central.
De acordo com VELLUTINO, dentro da visão cognitiva a dislexia era considerada conseqüência de desordens psicomotoras, no entanto esse conceito não é verdadeiro.

Não é possível afirmar que problemas de esquema corporal, transtorno de memória, desestruturações espaço-temporais, aspectos psicomotores, entre outros, sejam peculiares a criança tomada como disléxica. Eles podem ser encontrados em qualquer sujeito. (VELLUTINO apud MASSI, 2007, p. 35).

Tendo em vista a visão psicoafetiva a dificuldade relacionada à leitura ocorre em função de problemas emocionais, à síndrome depressiva, aos estados de ansiedade e aos transtornos comportamentais.
Levando em conta a base diversas teorias: evolutiva, organicista, cognitiva ou instrumental e psicoafetiva na tentativa de explicar a dislexia, mas nenhuma dessas teorias chegou a resultados conclusivos sobre o que ocasiona o distúrbio de aprendizagem a dislexia.    


        2.2 Classificando a dislexia

Surgiram vários tipos de definições sobre a dislexia, ao longo do período, entretanto somente algumas difundidas.

A dislexia foi classificada em dois tipos:
        ◦ Dislexia genética;
        ◦ Dislexia por disfunção cerebral mínima.

Dislexia genética – caracterizada por dificuldades em discriminação auditiva, seqüenciação auditiva e associação fonema-grafema.
Dislexia por disfunção cerebral mínima – apresentada por dificuldades videoespaciais, cinestésico-motoras, táteis e de conceitos. (BANNANTYNE apud IANHEZ, NICO, 2002, p. 37).


INGRAM em 1970 realizou uma pesquisa com crianças que apresentavam dificuldades de aprendizagem e dividiu-as em dois grupos: (IANHEZ; NICO; 2002 p. 38).

Dificuldades específicas de aprendizagem – limitada à leitura e à escrita. Dificuldades gerais de aprendizagem – abrangem outras dificuldades como matemáticas (discalculia), educação física e coordenação motora fina (disgrafia), e no aprendizado de outro idioma. (IANHEZ; NICO; 2002 p. 38).


Conforme BODER e MYKLEBUST, em 1971, propuseram outras classificações: (IANHEZ; NICO; 2002 p. 38).

Dislexia disfonética – dificuldades de percepção auditiva na análise e síntese de fonemas, dificuldades temporais, nas percepções da sucessão e da duração.
Dislexia diseidética – dificuldade na percepção visual, na percepção gestátilca, na análise e síntese de fonemas.
Dislexia Visual – deficiência na percepção visual e na coordenação visuomotora (não visualiza cognitivamente o fonema):
Dislexia Auditiva – deficiência na percepção auditiva e na memória auditiva: (IANHEZ; NICO; 2002 p. 38).




Tendo em vista que dislexia sendo uma das causas específicas da dificuldade de aprendizagem com ênfase na leitura é uma das habilidades cognitivas que levam o leitor a decodificar uma mensagem ou até mesmo compreender um texto, pois a decodificação é a capacidade que temos como leitores ou aprendentes para identificarmos e formarmos uma imagem ou um som.

        2.3 Sintomas

Segundo IANHEZ, NICO (2002), as causas que podem interferir no processo de aquisição da linguagem são as mais variadas possíveis, por isso torna-se tão importante um diagnóstico preciso e correto.   A constatação a partir da observação de alguns sintomas pode remeter ao chamado ‘quadro de risco’, que deve ser confirmado mediante uma avaliação adequada e precisa pela equipe clinica. Seguem alguns dos sintomas mais comuns entre os disléxicos.
      
    • Desempenho inconstante.
    • Demora na aquisição da leitura e da escrita.
    • Lentidão nas tarefas de leitura e escrita, mas não nas orais.
    • Dificuldade com sons das palavras e, conseqüentemente, com a soletração.
    • Escrita incorreta, com trocas, omissões, junções e aglutinações de fonemas.
    • Dificuldade em associar o som ao símbolo.
    • Dificuldade com a rima (sons iguais no final das palavras) e aliteração (sons iguais no início das palavras).
    • Discrepância entre as realizações acadêmicas, as habilidades lingüísticas e o potencial cognitivo.
    • Dificuldade em associações, como por exemplo, associar os rótulos aos seus produtos.
    • Dificuldade para organização seqüencial, por exemplo, as letras do alfabeto, os meses do ano, tabuada etc.
    • Dificuldade em nomear objetos, tarefas etc.
    • Dificuldade em organizar-se com o tempo (hora), no espaço (antes e depois) e direção (direita e esquerda).
    • Dificuldade em memorizar números de telefone, mensagens, fazer anotações ou efetuar alguma tarefa que sobrecarregue a memória imediata.
    • Dificuldade em organizar suas tarefas.
    • Dificuldade com cálculos mentais.
    • Desconforto ao tomar notas e/ou relutância para escrever.
    • Existência no mesmo erro, embora conte com ajuda profissional. (IANHEZ; NICO; 2002 p. 26).


MASSI (2007) questiona os sintomas disléxicos apresentados por IANHEZ e NICO, de acordo com autora todos esses itens tomados como fenômeno patológico devem ser revisto.
Segundo MASSI, a dificuldade com sons das palavras, escrita incorreta, trocas, omissões, junções e aglutinações de fonemas resultam no diagnostico da dislexia.

Cabe ressaltar que, antes de ser tomados como sinais de uma patologia, tais itens relacionados como manifestações sintomáticas parecem revelar falta de clareza a respeito das diferenças existente entre fonema e letra. Afinal fonemas são unidades sonoras e, portanto, dizem à linguagem oral. Dessa forma, seria impossível afirmar que crianças que troca letra, omite ou aglutina sons na sua escrita. Os sons de uma língua não podem ser confundidos ou tomados como integrante da escrita. (MASSI, 2007, p. 104)


   
Estudos constataram que a relutância para escrever não é um sintoma disléxico e sim um medo que a criança desenvolve para escrever.

Medo de escrever e de ser rotulado como imaturo, lento, incapaz, disléxico. Medo, enfim, de manipular a escrita, de tentar, de errar, de criar hipóteses e saída para resolver os impasses gerados por situações em que se vê diante de algo desconhecido que se quer compreender. (MASSI, 2007, p.106)
     


      MASSI questiona que a leitura em espelho é um sintoma citado na literatura, como um sintoma ocasionado por problema de dominância cerebral.


Quando uma pessoa tem alterações celebrais relacionadas à dominância hemisférica, ela não apresenta problemas somente na escrita (...) mas mostra dificuldade de locomoção (...) Afinal, um problema tão grave como esse não afetaria apenas a linguagem escrita, no seu momento inicial, mas toda a vida da pessoa, nas diversas situações. (MASSI, 2007, p.109)








        2.4 Diagnóstico

É de extrema importância a observação e Identificação do problema de aprendizagem escolar, que podem ser percebidos na escola ou até mesmo em casa, deve se procurar ajuda especializada.
De acordo com IANHEZ, NICO (2002), o diagnóstico da dislexia é de exclusão e deve ser realizado por uma equipe multidisciplinar formada por psicólogo, fonoaudiólogo e psicopedagogo.
Se necessário é feito um encaminhamento ao neurologista e/ou a outros profissionais como oftalmologista, geneticista, otorrinolaringologista, pediatra etc, para se determinar se existem ou não outros fatores que possam estar comprometendo o processo de aprendizagem, ou mesmo coexistindo com a dislexia (exemplo disto é a hiperatividade, muito confundida com a própria dislexia). Todos os profissionais envolvidos com o diagnóstico devem trocar informações para confirmar ou não o distúrbio. As informações trocadas competem ao: desenvolvimento da criança, histórico familiar, desempenho escolar, métodos de ensino e repertório adquirido.

São itens muito importantes, por isso pais e escola são vistos como fontes essenciais de informação. A partir das informações trocadas entre os profissionais envolvidos faz-se o encaminhamento adequado para o programa de reeducação. (p. 29, 30).

MASSI (2007) apresenta e questionam duas listas elaboradas a partir da proposta de diferentes autores, inclusive IANHEZ e NICO, a primeira apresenta os pré-requesitos para apropriação da escrita.

    • organização espacial e temporal;
    • noções de lateralidade;
    • noções de esquema corporal;
    • discriminação e percepção visual;
    • discriminação e percepção auditiva;
    • memória imediata e memória de longo prazo;
    • praxias orofaciais;
    • coordenação visomotora;
    • postura; ( MASSI, 2007, p.124)



Segundo MASSI não tem como objetivo desconsiderar por completo a influência de aspecto orgânico no processo de apropriação da escrita, no entanto, acredita que essa lista é frágil simples, porque reduz a apropriação da escrita ao desenvolvimento de parte do corpo e noções de lateralização, como se isso pudessem dar conta do processo de letramento.

Sabemos que apropriação da escrita é um processo complexo (...) Mas recorrer a uma lista de habilidades para dar conta de tal complexidade parece-nos, no mínimo, discutível. (MASSI, 2007, p.127)



     A segunda lista apresenta as tarefas avaliativas supostamente relacionadas a aspectos lingüísticos.

                            • Manipulação de fonemas;
                            • fluência verbal;
                            • reprodução de sons que iniciam, terminam e estão no meio de palavras proferidas pelo examinador;
                            • formação de palavras;
                            • formação de frases com palavras fornecidas pelo avaliador;
                            • soletração e repetição de palavras;
                            • leitura e separação de palavras nos seus sons unitários, sem sílaba, em encontro consonantal e em dígrafo;
                            • leitura logatomas;
                            • leitura em voz alta de textos simples;
                            • extrações de conceitos fundamentais de um texto;
                            • identificação e nomeação de letras do alfabeto, apresentada em ordem aleatória;
                            • cópia e ditado
                            • correção de frases que não seguem critérios semânticos e gramaticais;
                            • escrita espontânea (MASSI,2007, p. 132)



Conforme já anunciamos essa lista foi elaborado a partir de vários manuais, que de acordo com MASSI (2007) desconsidera as hipóteses levantadas pelo sujeito na busca de compreender o funcionamento da escrita.

Em outras palavras, as tarefas avaliativas propostas em manuais, além de pautarem-se em uma noção de língua como sistema já pronto de signos a ser registrado independentemente da manipulação do aprendiz (...) desconsideram pistas e as sinalizações que ele utiliza para dar sentido ao texto (...) as tarefas avaliativas apresentadas acima descontextualizam; ignoram as ações com, sobre e da linguagem; e se pauta, em procedimento que assumem uma postura confusa a oralidade e a escrita (MASSI,2007,p.132-133)   



     Infelizmente o que acompanhamos é o sistema educacional, respaldado por profissionais da área da saúde, justificando o fracasso escolar como uma questão de saúde, na atualidade existe um modismo de encaminhar para profissionais da área da saúde todos os sujeitos que não conseguem acompanhar “a máquina da aprendizagem”   como diz BAUER (1997).
     Não estamos negando a existência da dislexia e que existem lesões que prejudicam o processo de ensino-aprendizagem, mas questionamos o modismo e os rótulos que nossas crianças vem recebendo com preguiçosa, lerda, disléxicas e hiperativa.   



   


Biografia:
Cabral Aparecida Andrea
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