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Entendendo as Mulheres
José Ernesto Kappel

queria entender
a mulher
mas não posso,
querer é
igual a comer
um doce, e
não ter colher.

toda mulher
é difícil,
dada a sua
natureza
que ninguém sabe
qual seja -
imagino que a tal
lua seja dona
da festa.

uma hora quer isso
outra hora aquilo,
uma hora não é disso,
noutra vira manjar
de deuses famintos.

mulher é fogo,
feita de água,
é guerreira afoita,
e, ora,
galho quebradiço
que o vento
bem açoita.

por isso,
não há
denominador
para definir
a mulher,
sendo no fundo,
igual a um
semáforo,
que só dá
vermelho
nas horas
críticas
que nos deixa
azedo !

sei que ela é
e não é.

ela sobe ao
mesmo tempo
que desce.

ela vira santa
na igreja,
e é diabo de saias,
nas idas ocasionais
ao inferno, que
oferece aos
homens
até de ferro.

ah!
pobres mancebos !
filhos de zeus
e zapata,
saiam fora dessa
bravata
enquanto é cedo !

por isso
lição que
aprendi
desde que
homem
cresci.

nunca deseje
entender
a mulher:

ela é o que é,
e nunca mais
vai ser
o que foi,
e difícil vai ser
como
nos dias
sem santo,
igual a antigamente.

é vaga em certos
antros,
mas é poderosa até
quando alicia
uma sutil planta.

dá de dez
nos homens
mais machos,
e se quebra quando
vê uma andorinha
sem ninho.

por isso,
vai o conselho:

não se meta
com nenhuma
mulher,
principalmente
se já tiver dono,
principalmente
se for solteira
ou viúva,
noiva,
desgarrada,
ou simplesmente,
amante.

mas se você
estiver
desesperado
procure um
homem.

destes que
não são,
mas tem
fome e
muito nome !

ah! mulher
é fogo!
é festa!

fuja pra não
levar uma picada,
ou transe numa
boa,
na cama dos
inquietos !

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