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Lá
onde as palavras dormem o sono dos dicionários,
ressonam sem saber dos calvários
que terão que passar nas mãos humanas,
serão deitadas e pregadas nas brancas páginas,
serão vistas como lúcidas, insanas,
menos como dádivas
dadas aos que procuram no escuro ventre
cadas palavra que queira nascer,
tão só menos que de repente...
Aqui,
onde palavras estão crucificadas
ao lado de verbos ladrões
e frases decodificadas,
reina em absoluta calma e espera
a poesia que, deveras, quer vir ao mundo
de um jeito especial,
escondida num miúdo espaço
de um corriqueiro jornal...
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