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O Amor Lança Fora o Medo – Jó 23
Silvio Dutra

Em nenhum momento de sua grande aflição Jó deixou de reconhecer a Deus como um grande e perfeito Juiz, conforme podemos ver neste 23º capítulo.
Ele estava convicto de que Ele julgaria a sua causa com reta justiça, especialmente, livrando-o das falsas acusações que lhes estavam sendo dirigidas pelos seus três amigos, a ponto de acusá-lo de pecados específicos que sequer passaram pelo seu pensamento.   
Mas o peso da mão do Senhor sobre ele, até aquele dia ainda era muito grande, e maior mesmo do que o seu próprio gemido (v. 2).
Todavia, Jó ansiava ter um encontro com o Senhor, no Seu tribunal de juízo, para que pudesse expor diante dele a sua causa, porque já a tinha elaborado com argumentos precisos e verdadeiros para a defesa do seu caminhar perante o Altíssimo.
Como andava em justiça diante de um Deus justo, haveria bom entendimento entre ambos, porque tanto entenderia o que Deus lhe dissesse como o Senhor também o entenderia. Não haveria portanto, conflitos e coisas a serem escondidas em tal tribunal de julgamento.   
Jó sabia que era filho de Deus, e teria nEle o julgamento de um pai em relação a seu filho, e não de um juiz togado em relação a um malfeitor.
Por isso estava certo de que Deus seria brando e compassivo para com Ele, e não lhe trataria segundo a grandeza do Seu poder.
Ele estava convicto de sua absolvição eterna pelo seu Juiz, porque estava convicto da sua retidão (v. 7).
Ele tinha em seu espírito o testemunho de ter sido e feito o que Lhe era agradável, e por ter vivido pela fé, no Seu amor divino, não havia nele qualquer temor do Juízo, porque o amor lança fora o medo da condenação.
Sabemos que já não há nenhuma condenação para os que são de Jesus, e Jó, por sua fé, pertencia a Cristo, ainda que Ele não tivesse ainda se manifestado em carne em Seu ministério terreno.
Jó sabia em espírito que tinha em Cristo o Seu Redentor, ainda que não soubesse o Seu nome, porque ainda não havia sido revelado até então.   
Contudo, sabia que o efeito desta redenção, desta absolvição é para sempre, ou seja, é eterna, conforme havia declarado no verso 7.
Ele estava à busca de Deus, sem dar descanso à sua alma, mas o Senhor não estava se revelando a Ele naquele período da sua aflição. Deus não havia ainda falado com ele, como viria a fazer, como lemos na parte final do seu livro, depois que Eliú concluiu o seu discurso.
O Senhor interveio porque se compadeceu de Jó, em face das grandes e contínuas acusações que estava recebendo da parte daqueles insensatos.   
Contudo, mesmo na aflição, Jó declara que nunca havia se desviado do caminho do Senhor, antes havia guardado tal caminho (v. 10,11).
Ele nunca deixou de guardar os Seus mandamentos, e sempre escondeu no seu coração as palavras da Sua boca (v. 12).
Ele reconheceu que Deus estava determinado em cumprir tudo o que havia resolvido fazer em relação a ele, e que ninguém poderia desviá-lO do Seu propósito. Por isso, se sujeitou inteiramente ao desígnio do Senhor, porque sabia que o que Ele havia intentado, certamente o faria.
Ele sabia que Deus poderia afligi-lo ainda mais com muitas outras coisas como aquelas, e que por isso ficava perturbado diante dEle, e sentia medo do que mais poderia lhe sobrevir (v. 14,15).
Então seus amigos estavam enganados pensando que ele estava perturbado e temeroso por causa dos pecados, que segundo eles, ele havia cometido, mas o seu temor era do próprio Senhor, das aflições que Ele poderia ainda lhe trazer na Sua determinação que nunca poderá ser frustrada por ninguém e por nenhum poder (v. 16,17).



“1 Então Jó respondeu:
2 Ainda hoje a minha queixa está em amargura; o peso da mão dele é maior do que o meu gemido.
3 Ah, se eu soubesse onde encontrá-lo, e pudesse chegar ao seu tribunal!
4 Exporia ante ele a minha causa, e encheria a minha boca de argumentos.
5 Saberia as palavras com que ele me respondesse, e entenderia o que me dissesse.
6 Acaso contenderia ele comigo segundo a grandeza do seu poder? Não; antes ele me daria ouvidos.
7 Ali o reto pleitearia com ele, e eu seria absolvido para sempre por meu Juiz.
8 Eis que vou adiante, mas não está ali; volto para trás, e não o percebo;
9 procuro-o à esquerda, onde ele opera, mas não o vejo; viro-me para a direita, e não o diviso.
10 Mas ele sabe o caminho por que eu ando; provando-me ele, sairei como o ouro.
11 Os meus pés se mantiveram nas suas pisadas; guardei o seu caminho, e não me desviei dele.
12 Nunca me apartei do preceito dos seus lábios, e escondi no meu peito as palavras da sua boca.
13 Mas ele está resolvido; quem então pode desviá-lo? E o que ele quiser, isso fará.
14 Pois cumprirá o que está ordenado a meu respeito, e muitas coisas como estas ainda tem consigo.
15 Por isso me perturbo diante dele; e quando considero, tenho medo dele.
16 Deus macerou o meu coração; o Todo-Poderoso me perturbou.
17 Pois não estou desfalecido por causa das trevas, nem porque a escuridão cobre o meu rosto.” (Jó 23)     


Biografia:
Servo de Deus, que tendo sido curado, pela graça de Jesus, de um infarto do miocárdio e de um câncer intestinal, tem se dedicado também a divulgar todo o material que produziu ao longo dos 43 anos do seu ministério, que sempre realizou para a exclusiva glória de Deus, sem qualquer interesse comercial ou financeiro. Há alguns anos atrás, falou-me o Senhor numa visão que eu fosse ter com os puritanos e com Martyn LLoyd Jones. Exatamente com estas palavras. Por incrível que possa parecer, até então, nunca havia ouvido falar sobre os puritanos e LLoyd Jones. Mais tarde, fui impelido pelo Senhor a divulgar todo o material que havia produzido como fruto do referido estudo. Você pode ler e baixar estas mensagens nos meus seguintes blogs e site: http://livrosbiblia.blogspot.com.br/ Comentário dos livros do Velho Testamento https://www.legadopuritano.com/ https://spurgeonepuritanos.net/ https://jenyffercarrandier.wixsite.com
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