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Há quanto tempo eu não pairo os meus olhos em vossa beleza, chego a me considerar palermo por certas atitudes repentinas assim. Já não me recordo do benigno tom da tua voz, aquele pelo qual, me perdi diversas vezes em amor desatinado. A melancolia que você me proporcina em momentos de solidão estacionada, me aflinge todas as vontades neste exato instante. Só de cogitar, o meu coração entra em disparate. Ponderei em escrever-te qualquer noite dessas, mas acredito que não há alcool correndo em proporções suficientes por minhas veias. Porém, não vou sucumbir-me às minhas vontades de luxúria. Estacionarei nesta carta que ando a escrever e que invejo por motivos óbvios, pois ela ainda ama-te. O tempo vai dissipando memórias que me concernem sem dar-me, ao menos, o direito de escolha aos momentos, mas quanto a isso, não posso fazer nada. Eis que não cabe mais, a essa mente enferma, decisões de eminente grandeza.
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