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DE ELIAS A CHICO XAVIER
Carlos Roberto Fernandes

O profeta Elias era originário de Tesbi em Galaad, na região leste do rio Jordão da tribo de Naftali, mais tarde chamada Galiléia: seu ministério profético foi exercido no século IX antes do nascimento de Jesus – aJ -, no reino do norte.

No tempo de Elias, o território ocupado pelos hebreus estava dividido entre o reino do norte -Israel, capital Siquém- com as 10 tribos e o reino do sul -Judá, capital Jerusalém- com as 2 tribos; depois da morte do rei Salomão, os conflitos entre as tribos de Israel levaram ao desaparecimento ou a dispersão das 10 tribos do reino norte escravizadas pelos Assírios.

Jacó (ou Israel) era neto do patriarca Abraão: os 12 filhos do patriarca Jacó constituíram as 12 tribos de Israel, ou seja, doze chefes de família: Ruben, Simeão, Levi, Judá, Issacar, Zabulon, Dã, Naftali, Gad, Aser, José e Benjamim. Além dessas, estão mais duas tribos dos dois filhos de José, adotados e abençoados por Jacó: Manassés e Efraim, compondo, assim, 14 tribos, cada qual habitando uma determinada região do que era o território hebreu; entretanto, dois mil anos antes de Jesus esse era o território denominado Canaã, pertencente ao povo cananeu.

Elias foi contemporâneo dos reis Acabe -filho e sucessor do rei Onri-, Acazias, Jeosafá e Jeú, de Obadias – servo do rei Acabe, e Aazael: o denominado ciclo de Elias situa-se entre 874 e 852 aJ, marcado por radicais crises morais, sociais e espirituais para o povo de Israel.

Israel mergulhara no paganismo e o esforço de Elias foi o de denunciar a maldade e a idolatria tanto do povo quanto do rei: o ministério Elias iniciou-se pelo seu comparecimento diante do rei Acabe anunciando uma época grave de seca, fome e miséria.

A época da iniquidade social agravava-se pelas ações da esposa de Acabe: Jezabel, além de instituir o culto a vários deuses, iniciou ferrenha perseguição aos profetas daquele momento histórico.

As profecias de Elias desafiavam o poder real instituído, prevendo, inclusive, a morte do próprio rei Acabe e de sua esposa: eis a atividade política e espiritual do profeta.

Além das profecias, o livro bíblico dos reis registra os fatos mediúnicos produzidos por Elias: multiplicação de azeite e farinha; ressurreição do suposto morto, filho de uma viúva que o acolhera; edificando um altar com doze pedras para reverenciar Iahweh, provocou ateamento de fogo às oferendas sem uso de qualquer técnica humana; igualmente, um fogo misterioso foi provocado por Elias e matou 150 soldados enviados pelo rei Ocozias, sucessor de Acabe; atravessou o rio Jordão sem afogar-se e sem se molhar; diante do testemunho de Eliseu, carro e cavalos de fogo surgem, separando-o de Elias; em seguida, Elias é arrebatado aos céus.

Após esse arrebatamento, em que apenas fica o seu manto com Eliseu, não se teve mais notícia de Elias: eis a razão porque a tradição judaico-cristã afirma que Elias não morreu mas foi arrebatado aos céus.

Estudiosos bíblicos defendem a hipótese de que, após a separação de Eliseu, Elias partiu ou foi transportado para outra região distante. Essa hipótese é corroborada pelos escritos atribuídos ao evangelista João, capítulo três, versículo 13: NINGUÉM SUBIU AO CÉU, A NÃO SER AQUELE QUE DESCEU DO CÉU, O FILHO DO HOMEM.

Escolhido anteriormente pelo próprio Elias, Eliseu foi seu discípulo e sucessor.

No capítulo três, versículos um, vinte e três e vinte e quatro do livro do profeta Malaquias dá testemunho de Elias na qualidade de precursor e preparador do caminho para a vinda da Jesus:no capítulo onze, versículos dez a quinze, e no capítulo um, versículos dez a treze, de modo coerente, o evangelista Mateus registra as palavras atribuídas a Jesus de que João Batista, filho de Zacarias e Isabel, era Elias reencarnado.

Isabel, irmã de Maria de Nazaré, e o sacerdote Zacarias eram criadores de ovelhas e moravam em Judá.

Nascido aos 25 de março do ano 7 aJ, João Batista foi circundado no oitavo dia de nascimento conforme a tradição judaica: aos catorze anos de idade tornou-se membro da seita denominada Nazarita.

Samuel e Sansão foram Nazaritas: os votos da irmandade dos Nazaritas eram abstenção de todas as bebidas intoxicantes, abstenção de cortar o cabelo, abstenção de tocar nos mortos.

Samuel foi o último dos juízes e o primeiro profeta de Israel; era filho de Elcana e Ana – ambos da tribo de Efraim. Na tradição judaica, Samuel ungiu o primeiro e o segundo rei de Israel – Saul (da tribo de Benjamin) e Davi (governador da tribo de Judá após a morte de Saul). O sucessor de Davi foi seu filho Salomão.

A divisão de Israel em reinos norte e sul aconteceu após a morte de Salomão: o reino norte (das 10 tribos) pertencia ao seu filho Jeroboão I; o reino sul (das 2 tribos) pertencia ao seu filho Roboão.

Com uma altura de mais de um metro e oitenta aos dezesseis anos, a personalidade de João Batista conheceu os escritos sobre a sua reencarnação como profeta Elias: adotou o mesmo modo de vestir anterior, qual seja, uma vestimenta de pele e um cinturão de couro.

José e Maria de Nazaré casaram-se no mês de março do ano 8 aJ: de acordo com a tradição judaica, ficaram noivos por dois anos e casaram-se (passando a morar na mesma casa) após os anos de noivado. José estava com 21 anos de idade e Maria com 16.

Por ordem de nascimento, o casal José e Maria de Nazaré tiveram os seguintes filhos: Jesus; Tiago (não é nenhum dos apóstolos), Miriam, José, Simão (não é nem o zelote nem Pedro), Marta, Judá, Amós e Rute.
Jesus nasceu ao meio dia de 21 de agosto do ano 7 aJ. (Erroneamente, esse ano 7 foi considerado ano um porque Dionísio Exíguo, monge católico do início do sexto século contou a era cristã segundo o nascimento de Cristo com um erro entre 4 e 7 anos).

O homem Jesus estava com 31 anos e meio de idade quando se permitiu ser batizado por João Batista.

Judas Iscariotes, os irmãos Tiago Zebedeu e João Zebedeu, os irmãos André e Simão (Pedro) eram discípulos de João Batista; todos eles fizeram-se discípulos de Jesus, com anuência do próprio João Batista.
Dois traços significativos ligam e expressam as personalidades de Elias, João Batista, João Huss, Allan Kardec, Chico Xavier: a fé absoluta em Deus e, posteriormente, a fidelidade absoluta a Jesus de Nazaré. Por esta fé e fidelidade, todos eles demonstraram um mesmo espírito de identidade com os Planos de Deus para a vida: todos eles entregaram suas vidas na Terra para que o conhecimento do Caminho, da Verdade e da Vida tornassem as criaturas libertas da ignorância; todos eles foram educadores, segundo a Pedagogia Divina.

Particularmente, quanto a Elias e João Batista, a centralidade divina de seu ministério foi expressa pelo próprio Jesus: Elias – João Batista vieram para restabelecer ou restaurar todas as coisas. Essa autoridade, dita por Jesus com referência a Elias-João Batista está registrada no evangelho de Marcos, capítulo nove, versículos doze e treze.

Ao rever cuidadosamente as vidas de Elias, João Batista, João Huss, Allan Kardec e Chico Xavier, uma lógica reencarnacionista expressa-se... uma lógica registrada por João, capítulo três, versículo oito: O ESPÍRITO SOPRA ONDE QUER E OUVES O SUA VOZ, MAS NÃO SABES DE ONDE VEM NEM PARA ONDE VAI.


Biografia:
Carlos Roberto Fernandes, nascido em Uberaba-MG, a 24 de maio de 1962; graduou-se em Enfermagem pela UFTM; fez mestrado em Enfermagem pela UFMG. Em 1994 mudou-se para Belo Horizonte e em 2008 radicou-se no Espírito Santo. Poeta, trovador, escritor tem publicado poesia e prosa no seu site pessoal (www.carlosfernandes.prosaeverso.net) Foi membro da UBT, Delegacia Uberaba-MG, junto à poetisa Eva Reis. Desde 2007 suas publicações em livro estão na área científica: Violência Moral na Enfermagem (AB Editora, de Goiânia) e Fundamentos do Processo Saúde-Doença-Cuidado (Editora Águia Dourada, Rio de Janeiro) são seus dois últimos livros. Em 2008 participou da "3a. Antologia Poética-Literária edição histórica - AVBL", publicando trovas e sonetos de sua autoria.
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