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O SOL, O BALÃO, E A LUA
Uma história sobre a efemeridade
Matheus Moreira Morigoni

— Você sempre foi presunçosa de mais, Lua. Misteriosa? Magnífica? Mágica? Você não é especial, nunca foi!

— E o que te difere de mim? Somos poeira estelar da mesma galáxia, ó todo poderoso Sol... Vai chegar uma hora que você não vai mais suportar tudo isso, fazendo com que todos ao seu redor caiam, arrastados contigo para o esquecimento.

— A VERDADE É QUE VOCÊ NÃO PASSA DE UMA LADRA, MEU BRILHO, SEM ELE VOCÊ NÃO É NADA! NÃO OUSE FALAR DO MEU TRABALHO, VOCÊ DEPENDE DELE TAMBÉM!

— E você acha que eu preciso de brilho? Você realmente se tornou tão humano assim? Eles te deram imagens, nomes, importância, você sabe bem que antes disso, antes dos humanos, nós vivíamos bem melhor! Eles nos intoxicaram com seus conceitos.

— Não me importa. O que está feito, está feito. Não mais devemos mencionar nossos problemas. Somos individuais, não preciso de você para existir, e, aparentemente você também não precisa de mim.

— Então, é um adeus, Sol?

— Sim... É um adeus.

Muito tempo se passou desde que o Sol e a Lua decidiram cortar seus laços de admiração, mesmo assim, todos os dias, se encontravam no céu, era de sua natureza astronômica. Até que, entre seus caminhos, uma prova de humanidade mostrou-lhes um novo significado.

O céu agora era dividido pelo Sol, a Lua, e um balão. A princípio, animado, o balão disse:

— Sol, Sol! Bom dia! Prazer, eu sou o balão! Aaaaaah, eu ouvi tantas histórias sobre o senhor... Queria conversar com a Lua mas ela já está indo embora.

Sem muita simpatia, a estrela maior respondera: — Ela não vai te responder mesmo. E nem eu deveria. — O balão, deprimido, foi impulsivo na resposta.

— Eu não vou conseguir ver ela amanhã! Por favor... Minha voz é tão baixa, chame-a para mim, eu preciso pedir algo. Entenda minha efemeridade, por favor!

Não comovido, o Sol ainda assim a chamou, fazendo com que por um momento, a Lua pendesse ao céu, olhando diretamente para o pequeno balão.

— O que foi, pequenino? Não vê que já não é mais minha hora?

— Eu sei, eu sei! Mas eu preciso te pedir algo... Quando a senhora voltar, eu já não mais cortarei os céus, provavelmente o Sol presenciará minha queda...

— Bem, a morte afeta a todos em seu próprio tempo. Não há o que eu, ou o Sol, possamos fazer.

— Eu entendo, mas, por favor! A senhora tem tanto tempo... Poderia, por favor, guiar meus irmãos? Nós temos tão pouco tempo nos céus, logo, voltamos a terra onde nos tornamos pó. Eu digo com convicção que aproveitei minha curta vida, mas, muitos de meus irmãos vivem assustados de cair, não aproveitando seu voo. Poderia, por favor, ensinar-los a aproveitar seu tempo?

— Por que eu deveria, criatura pífia?

Nesse momento, tocado pelas palavras simplórias do balão, o Sol pôs-se a rogar: — Eu o farei. Mas sem a Lua, os balões que nascerem a noite não terão guias, está além de minha natureza. É algo que cabe a ela também. — Surpresa, o satélite ficou sem palavras.

— Muito obrigado, senhor Sol! Sou eternamente grato enquanto vivo.

— Se o Sol o fará, pode contar com minha sabedoria. Mas saiba que o faço pelos homens, e não por você.

— Eu entendo, senhora Lua! Eu entendo! Muito obrigado... Nenhum balão deveria ter sua curta vida afogada em medo, nosso curto tempo nos presenteia com uma devoção magnífica, deveríamos poder gozar disso.

A Lua fora embora, enquanto o Sol governava imponente sobre o céu, até que, finalmente, a hora do balão chegou. — Aproveitei meu tempo e conclui meu desejo, muito obrigado Sol, muito obrigado Lua.

Desde então, a única coisa que o Sol e a Lua mantem juntos, é o dever de guiar os balões, que escalam a sabedoria dos astros e dos céus, para no fim, aproveitar uma sincera morte.

— Sol, você sabe que um dia, nós morreremos, certo?

— Está com medo? Não é isso que ensinamos essas pobres criaturas a não terem?


Biografia:
Matheus Morigoni tem 18 anos, recém formou-se no Ensino Médio e como todo bom paulista não coloca uva-passa no cachorro-quente. Atualmente administra a página Mata Ego no Facebook (https://www.facebook.com/olhosencharcados/), onde busca construir um ambiente propício para todos os praticantes dos mais diversos suportes artísticos, ao mesmo tempo que divulga seu trabalho. Transpira poesia ainda que autor de prosas e quando não escrevendo, leva uma vida comum de adolescente da Geração Z.
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