Eu morro de amor sem ser de amor ferido,
porque a morte que visita minha alma
não sei se é verdadeiramente mortal
ou a fantasia ensanguentada de um pierrô.
Sei também que a fogueira que me incendeia
já nasceu das cinzas do amor de Dante
que por sua Beatriz moveu montanhas,
e de amor não se cura nem de fogo.
Mas se de eternidade somos feitos sonhos
e da mesma essência se fizeram mundos
movidos na mesa de xadrez da vida
o amor será o meu troféu supremo
da conquista do reino de uma rainha lúcida
esposa de um rei que de amor não morre nunca.