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O café está na mesa. A torneira pinga em gotas de água com cor da minha impaciência. Eu olho para a fruta com pele cor de rosa. Ah, talvez, talvez, talvez... Ligo o rádio e está tocando aquela canção que diz tudo de nós. Todas as canções interessantemente agora falam da gente. Vou ao jardim reencontrar a minha rosa vermelha única. Sim, ela ainda está lá como uma certeza. Ah, esse meu talvez, esse meu talvez, esse meu talvez... Retorno a mesa, onde um café somente preto com pouco açúcar me espera fumegante. Apresso-me a queimar a boca ainda com gosto de tuas palavras de meu ontem. E viajo a lembrar blue serenate... Não duvide do que escrevo. Tudo eu sinto. Tudo por mim é sentido verdadeiramente. Há uma bomba atômica na manteiga derretida. Gosto assim. Tu andas passeando em meus sonhos, aguçando meu gosto, meu sabor. Sim eu sei. Meu jardim está repleto de tantas flores... Falta-me a espécime do meu planeta transverso. Falta-me a rosa que habita em ti. Eu te aguaria todas as manhãs, te envolveria a noite para aquietar meu coração quebrado. Eu te daria todo o universo de mim. Talvez, talvez, talvez... Alcanço minha página, a cabeça repleta de poemas dedicados a ti. Eu sei. Meu sonho do agora vem do teu eu. Talvez eu seja algo em ti também. Minhas mãos, minha cabeça, minha vontade, me levam a ti. O espaço é inusitadamente irreal. Mas está lá quem eu quero. Talvez, talvez, talvez... Ah, eu sei. Tem uma cidade inundada de versos nesse teu sorriso vasto. Há um mundo delicado e complexo um passo depois das tuas íris. Sob teus cílios, há o meu talvez...
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