Login
E-mail
Senha
|Esqueceu a senha?|

  Editora


www.komedi.com.br
tel.:(19)3234.4864
 
  Texto selecionado
O dia que Brenda desconectou
Caren Luci Papes de Oliveira

Resumo:
Brenda sempre morou na Barra da Tijuca, desde que se entendia por gente. Até os nove anos, era dessas meninas que brincavam de tudo, corriam pela casa como se o tempo fosse infinito e se encantavam com o simples. Mas bastou ganhar o primeiro celular para que tudo mudasse. A telinha luminosa virou seu novo mundo — e ali ela mergulhou como quem se perde num mar sem relógio. A rotina dela era sempre igual: acordava mexendo no celular, tomava café com os olhos grudados na TV, se arrumava ouvindo música, e passava o dia inteirinho mergulhada em tecnologia. Era como se tivesse esquecido de viver — viver de verdade, com risadas soltas, brincadeiras, ruas e amigos de carne e osso.

Até que, numa manhã qualquer, sua mãe bateu à porta do quarto:
— Filha, chama sua amiga Caren pra vir brincar aqui em casa.
Brenda revirou os olhos.
— Aff, mãe… tanto faz.
Ligou pra Caren, que veio em poucos minutos. Depois de um tempo conversando, Caren insistiu:
— Amiga! Vamos brincar de gato mia?
Brenda, talvez por nostalgia ou tédio, concordou:
— Vamos sim, Caren.
E lá foram elas. Dez minutos de brincadeira… e o inesperado aconteceu. Um tropeço, duas cabeças batendo no chão, e tudo escureceu.
Quando abriram os olhos, não estavam mais no quarto de Brenda. Estavam numa rua iluminada pelo sol, com crianças brincando de pipa, outras com bonecas, outras jogando bola, todas rindo alto, como se não existissem perigos, relógios… ou Wi-Fi.
As duas se entreolharam, estranhando tudo aquilo. Rua? Crianças brincando soltas? Cadê os carros, os prédios, o medo?
Caren, confusa, se aproximou de uma garotinha:
— Ei, menina… que dia é hoje?
A menina sorriu, segurando sua boneca de pano.
— Hoje é dia 13 de março de 1956. Por quê?
Caren gelou. Brenda engoliu seco. As duas se olharam, boquiabertas.
— Nada… não — murmurou Caren, com os olhos arregalados.
Brenda, pela primeira vez em muito tempo, guardou o celular no bolso. Ali, naquele lugar estranho e encantador, sem telas e sem pressa, ela percebia algo raro: talvez viver de verdade fosse muito mais emocionante do que qualquer notificação


Biografia:
Caren Papes
Número de vezes que este texto foi lido: 65963


Outros títulos do mesmo autor

Crônicas O dia que Brenda desconectou Caren Luci Papes de Oliveira
Artigos A importância da parceria entre Família e escola Caren Luci Papes de Oliveira
Artigos Aprendendo com brinquedos e brincadeiras Caren Luci Papes de Oliveira
Artigos Aprendendo com a Turma da Mônica Caren Luci Papes de Oliveira
Artigos O brincar na educação infantil CAREN LUCI PAPES DE OLIVEIRA


Publicações de número 1 até 5 de um total de 5.


escrita@komedi.com.br © 2026
 
  Textos mais lidos
HISTÓRIA DE CINCO ROSAS - MARCO AURÉLIO BICALHO DE ABREU CHAGAS 70938 Visitas
Perolado de Carmim - José Ernesto Kappel 69045 Visitas
Computador formatado, ano novo! - Vander Roberto 68912 Visitas
Haikai AA-I - Antonio Ayrton Pereira da Silva 68131 Visitas
O crime é hereditário - Roberto Queiroz 67788 Visitas
O Sábio - Deborah Valente Borba Douglas 67736 Visitas
O que e um poema Sinetrico? - 67361 Visitas
O LIVRO DE JASPER 2 - paulo ricardo azmbuja fogaça 67152 Visitas
RESENHAS JORNAL 2 - paulo ricardo azmbuja fogaça 67130 Visitas
ENCONTROS E DESENCONTROS - katia leandra lima pereira 67050 Visitas

Páginas: Próxima Última