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Criatura do Além
fausto vergas lobo

Resumo:
O conto ''Criatura do Além'', é um conto curto e de fácil leitura que explora pequenos elementos Lovecraftianos.

Antes de mencionar os fatos que antecedem à noite do incidente. Irei mencionar breves acontecimentos que ocorreram antes de minha chegada em Black Hill. Cheguei em Belmonte mais ou menos uns seis meses, vindo do Norte do país. Em busca de emprego e obtendo sucesso imediato numa rede de hipermercados Rodnoc. Um bom emprego (porém, extremamente cansativo) no setor de perecíveis.
   Os primeiros meses foram de experiência, auxiliava na fabricação de pães, foram meses de sangue e suor. Aluguei uma casa pelo valor de 600 pratas por mês (ainda precisava pagar luz e água) e, com uma simples e boa ajuda de colegas do trabalho, consegui cobertores, roupas, fogão e etc. Todos os dias depois do trabalho (Meu horário era das 14:00 horas até 23:00 horas), satisfazia-me tomando umas doses de tequila num dos bares não muito frequentado de Belmonte, o Clay. Clay é um bar onde pessoas procuram por uma boa bebida, rock and roll e heavy metal, além de tocar músicas pop e country.
   Houve uma saída inesperada de um dos auxiliares na produção, em seu discurso nada convincente, disse que não via futuro na empresa e a jornada de 8:20 horas de trabalho estava o deixando meio louco, logo cuidou de arrumar outro emprego, só que desta vez como encarregado de um setor, num supermercado chamado Vale do Sol. O gerente da Rodnoc contratou outro auxiliar (com menos experiência) para o cargo que estava vago. Um rapaz de estatura baixa, com olhos de um azul acinzentado com barriga saliente e um corte de cabelo estilo militar, seus dedos gordos e suas roupas que mais pareciam trapos, fizeram-me entender que sua falta de higiene e cuidado pessoal não eram dos melhores. O sujeito era calado e seu cheiro me incomodava, um cheiro de enxofre e ovo podre, todavia, era bastante dedicado e não faltava no serviço. Aos poucos a convivência tornou-se melhor, conversamos pequenos assuntos de pouca complexidade e o sujeito começou aos meus olhos, ser um tanto simpático. Certo dia o encarregado que cuidava dos nossos horários, nos escalou (o sujeito estranho, cujo o nome não irei mencionar, e a mim) para uma madrugada de domingo, o horário seria das 22:00 horas até às 6:00 horas da manhã seguinte. Chegamos às 22:00 horas em ponto, ele trajando um casaco de couro sintético e calças jeans de um azul escuro, um chapéu preto e sapatos brancos da Adidas, junto com uma mochila marrom com costuras soltando, eu estava como de costume, com um casaco preto e calças jeans pretas, e um all star azul marinho. Entramos pela porta principal e subimos pela direita, num lance de escadas que levava até o segundo andar, onde havia o vestiário e o marcador de pontos onde era colocado o dedo para a leitura digital. Trabalhamos até às 2:00 da madrugada de segunda, então subi até o segundo andar novamente para marcar o ponto de intervalo, aproveitei o tempo de intervalo de 1:00 hora, para ir no bar mais próximo e que sempre estava aberto, o sujeito preferiu ficar e continuar o serviço até meu retorno. Assim que cheguei no velho botequim Old Village, onde havia um bilhar com fichas por apenas 50 centavos, sentei numa cadeira distante das outras pessoas (que na maioria eram velhacos alcoólatras) e pedi gim, puxei meu maço de cigarros Marlboro e esperei até o horário de voltar. Às 4:00 horas retornei, um tanto tonto, porém, firme como uma rocha, sem vômitos ou algo do tipo. Não havia estrelas no céu e a lua estava iluminando os becos por onde eu passava.
   Entrei o mais depressa possível, e subi novamente o lance de escadas que levava até o segundo andar e o marcador de ponto, desci e andei com calma até o setor de perecíveis, entrei pelo depósito onde armazenávamos sacos de farinha de trigo, caixas, produtos de limpeza e mais caixas. Entrei na parte da cozinha, onde fazíamos os pães e senti de súbito um arrepio, um fedor de carne em decomposição infestou minhas narinas fazendo um reboliço no estômago e apertando para expelir o álcool que eu propositalmente estava lutando para mantê-lo lá. Percebi quase que de imediato a falta de luminosidade, algumas das lâmpadas fluorescentes (Que no total eram oito) haviam sido quebradas, e os cacos de vidro estavam por toda cozinha, espalhados até por cima de maquinários. À luz da sala de embalagens estava apagada e apenas mais a frente vi à luz que vinha da sala onde eram feitos os bolos. Um calafrio passou por minha espinha e minhas pernas enfraqueceram, minhas mãos ficaram trêmulas e meus olhos arderam como se fossem brasas. O sujeito com o qual eu estava de plantão, havia sumido, apenas lâmpadas quebradas e o fedor extremamente forte. Caminhei aos poucos e devagar até a sala de embalagens, meu coração acelerava-se a cada passo, minha boca secava e minhas pernas tremiam, senti uma leva brisa fria, o que estranhei, por onde diabos entraria uma brisa num lugar todo lacrado? Continuei minha caminhada até a sala, pareciam horas e dias, pareciam semanas e anos, nunca chegava.
   Cheguei até a sala de embalagens, havia pouca luz e o ar parecia pesado e frio, muito frio, e o fedor era mais forte... vi algo, uma criatura saindo, ao que parecia, do corpo do sujeito, havia tentáculos brotando do seu rosto e algo como se fosse um cone saindo da sua boca escancarada, olhos amarelos e no lugar das mãos gordas do sujeitos, havia garras como de caranguejos, rasgando à pele de dentro para fora, o piso de azulejos brancos estava com manchas que pareciam sangue, não consegui obter muitos detalhes, havia pouca luz, mesmo assim o suficiente para enxergar à criatura, envolta da poça de sangue, mas algo pior ficou em meus pensamentos, o fedor e os grunhidos da criatura, ela parecia falar, numa língua que desconheço até hoje, mas alto o suficiente para enlouquecer alguém. A criatura pareceu notar minha presença, virei-me e tentei correr o mais depressa possível, minhas pernas enfraqueceram minha vista escureceu e então... apaguei, ouvindo ainda os grunhidos da criatura, pareciam risadas maléficas, um ser saído das histórias de H. P. Lovecraft. Um ser desconhecido até hoje por mim.
   Acordei um dia depois na minha cama e ao que parecia, tudo estava em perfeita ordem. Procurei investigar sobre o ocorrido, mas nada de anormal acontecera pelo visto, entretanto, pedi demissão do emprego, e viajei até a vila Black Hill, onde estou hospedado num velho Hotel de beira de estrada. Tenho pesadelos frequentes com a criatura que encontrei naquela noite, sinto como se ela estivesse vindo atrás de mim, mas não por muito tempo, peguei trapos de lençóis e fiz uma pequena forca no quarto, esse tormento acaba hoje.


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