Login
E-mail
Senha
|Esqueceu a senha?|

  Editora


www.komedi.com.br
tel.:(19)3234.4864
 
  Texto selecionado
LIRA MUDA-SE
Donária Salomon

LIRA MUDA_SE< RUA VITOR ALVES
No final do ano de 1973 muda-se para Rua Victor Alves 2006, a mesma onde residia à amiga Raquel. A casa era simpática, menor que a meia água, porém melhor, apesar de não ter quintal, a segunda casa a contar da entrada da avenida de longo corredor onde perfilavam cinco casas de boa estrutura, laje, telhado de telha francesa, varanda de cerâmica vermelha, azulejo na cor azul até a metade da parede, o parapeito e as soleiras revestidas de pedra mármore, a sala e o quarto com piso de madeira em forma de taco impermeabilizado com sinteco, o banheiro seguia a linha da varanda com sanitários de qualidade e grande erro de construção na colocação do vaso sanitário, instalado dentro do boxe, abria-se o chuveiro e o vaso também tomava banho. Lira aproveitou, sentava-se nele para dar banho nos meninos com o chuveirinho. A cozinha era um pouco apertada, no entanto ajeitou-se como pode. Na área de serviço, um tanque grande na extensão, porém baixo demais, no final da lavagem das roupas sempre estava com a coxa marcada de forçar na beirada do tanque. Certa vez perguntou às vizinhas como eram os tanques e todas que ali estavam reunidas deram uma gostosa gargalhada, explicando que era construção de português. Lira constatou que todas as vizinhas tinham marcas profundas nas coxas. Então perguntou sobre o vaso dentro do boxe, o que gerou uma algazarra, então ficou sabendo que só a sua casa possuía essa anomalia. Quanto ao tanque resolveu que não ia ficar com a perna marcada, e coincidência ou não nesta ocasião houve um incêndio na fábrica de espuma de poliuretano e muita gente pegou pedaços de tamanhos variados, a maioria pegava enormes pedaços que davam até para fazer colchão sem nenhuma emenda para cama de casal, travesseiros e almofadas. O transporte era feito em bicicletas, carroças, caminhões e até nos ombros. Foi um verdadeiro festival de espumas e Lira teve vontade de acompanhar as vizinhas que sorridentes a convidaram para irem até a fábrica pegar espumas, receosas, preferiu não arriscar. Ficou esperando a volta das vizinhas enquanto ninava o filho de sete meses e o de quatro anos que no momento andava no seu carro de bombeiro por toda extensão do corredor. Quando as vizinhas chegaram com aqueles feixes de espumas enroladas. Fazendo a maior algazarra:
_Viu quanta espuma? Você não quis ir com a gente.                                                       
– Eu queria, mas com os dois meninos não ia dar. Olha está caindo espuma.                  
_ Não tem importância, fica pra você, se quiser mais é só falar.                          
Depois de lavar o pedaço de espuma fez uma espécie de almofada pra colocar na coxa quando lavasse roupas. A idéia da coxa-eira caiu no gosto das vizinhas.
Certa tarde o Laurence brincava sentado no tapete da sala, Lira deixou-o sozinho e foi até a cozinha, de repente ouviu a estante de panelas balançarem. Lira que estava de costas virou-se qual foi sua surpresa, ao ver aqueles olhos brilhantes e o sorriso largo no rosto do pequeno. Extasiada pelo acontecimento só pensava como isso aconteceu se o menino acabara de completar sete meses, não engatinhava, só andava segurando na grade do berço, agora estava ali, diante de seus olhos, radiante em ver os primeiros passos da criança.   Quando completou oito meses Lira engravidou pela terceira vez, de pronto estava explicado o porquê de ele ter andado tão cedo. Ele não perdeu o colo, ela não se intimidou, estava comemorando seus vinte quatro anos de idade, ainda no embalo do Hei, Hei, Hei, dançava e cantava pela casa: _ Não tem nada não, ter filhos é muito bom... O casal está esbanjando hormônios, de que vale tanto amor e saúde se não tiver a quem dividir? Tranqüila, sem maiores conseqüências, estranhou apenas as vontades, como, por exemplo, tomar sorvete na noite chuvosa. Achou esquisito, pois não gostava tanto assim. O Sílvio achando que ela não fosse tomar o sorvete depois que ele fosse comprar, perguntou várias vezes: _Vou buscar ou não Vou? Ele achava que ela tinha plenos direitos, com toda certeza, de sentir esses tipos de desejos. Mas estava chovendo. Então ela perguntou: _Você também quer?_Lógico! Quem não quer. Vou perder essa!...
Lira ficou sabendo que a última casa seria desocupada, imediatamente telefonou estreando o telefone que há dois anos seu marido pagava e a Cetel acabava de instalar, falou com o Seu Salgado, o senhorio, o qual sogro de Vanda sua vizinha e amiga, morava na primeira casa e também havia engravidado do segundo filho. Brincaram: Todo lugar engravido junto com as vizinhas... Lira à advertiu. Cuidado ficar grávida na mesma ocasião que eu e um mistério, os da Geni foram gêmeos.
_Quem é você? Perguntou o português.
_ Sou Lira, esposa do Sílvio, aquele que tem um Corcel. Moramos na segunda casa.
_ Não está boa?
_ Está, mas preciso de dois quartos. Estou esperando o terceiro filho
Mas a casa cinco está ocupada.
_ Eu sei, mas ela vai desocupar por esses dias. Quero ter certeza de que o senhor vai nos dar preferência.
Depois de ouvir que estava tudo bem, se tranqüilizou.



Biografia:
Ainda não tenho.
Número de vezes que este texto foi lido: 65691


Outros títulos do mesmo autor

Poesias DESENHO SEU ROSTO NO CÉU _2009 Donária Salomon
Poesias MINHA VOZ_2009 Donária Salomon
Poesias JUVENTUDE_2009 Donária Salomon
Poesias ANIVERSARIANTE DO DIA_2009 Donária Salomon
Resenhas ILDA MINHA FILHA_2009 Donária Salomon
Contos SEXTA-FEIRA DA PAIXÂO_2009 Donária Salomon
Contos TIQUE- TIQUE DOS PEIXES Donária Salomon
Contos LIRA SOFRE< SOFRE>>> Donária Salomon
Contos LIRA DESPEDE-SE DE NORIVAL E ACALENTA O PAI Donária Salomon
Contos LIRA VISITA O IRMÂO E CUIDA DO FATO DO PORCO Donária Salomon

Páginas: Primeira Anterior Próxima Última

Publicações de número 11 até 20 de um total de 82.


escrita@komedi.com.br © 2026
 
  Textos mais lidos
Talvez - Mayra Alcione Musa Fonseca 66332 Visitas
Óh, Senhor! - katialimma 66312 Visitas
Esporte Clube - Helio Valim 66257 Visitas
Curso Como Pensar Acessibilidade na Literatura - Terezinha Tarcitano 66246 Visitas
Chico deu continuidade às obras de Kardec - Henrique Pompilio de Araujo 66240 Visitas
Só mais amarguras - Luiz Fernando Martins 66023 Visitas
eu sei quem sou - 65981 Visitas
“The insufficient” - Gonçalo reis 65968 Visitas
Faça alguém feliz - 65948 Visitas
A DEMOCRATIZAÇÃO DA GESTÃO ESCOLAR - ADRIANA CARVALHO DOS SANTOS 65930 Visitas

Páginas: Primeira Anterior Próxima Última