Login
E-mail
Senha
|Esqueceu a senha?|

  Editora


www.komedi.com.br
tel.:(19)3234.4864
 
  Texto selecionado
Fazendo bolo
Ana Mello

Eu adoro fazer bolo!
Aquele da massa, com ovos, farinha, leite e fermento. Se bem que aquele que significa rolo e confusão também tem seu valor. Gosto mesmo de cozinhar. Comidas de todo o dia, arroz, feijão, bife e tudo mais. Acho que o aroma e as cores dos alimentos despertam emoções e lembranças, pois usamos todos os sentidos para percebê-los e manuseá-los. Creio que é como escrever um texto ou um poema. Vem primeiro a idéia, o sentimento, sob a forma de ingredientes. Depois a escolha das palavras, o tempero, e misturamos tudo, cozinhamos. Lemos e relemos, curtindo o aroma e o sabor, em uma prova na palma da mão.
Decoramos o prato, imprimimos. Depois servimos para uma ou mais pessoas, pode ser um banquete, um livro.
Os alimentos e as palavras - são vida. Reúnem pessoas com gostos parecidos, despertam a curiosidade. Em volta da mesa ouvimos o que os outros têm para contar e contamos também. Lugares diferentes têm sabores e autores distintos.
Os alimentos simples como as frutas, o feijão e o arroz trazem a idéia de simplicidade, de trabalho. Para mim são alimentos da infância, junto com os biscoitos e o bolo.
Cozinho praticamente todos os dias e quase todos os sábados faço um bolo. O bolo leva a energia das mãos que misturam a massa e logo espalha um aroma quente pela casa. Como palavras, convidam, chamam a família para a mesa. Pode até ser de pacotinho mesmo, funciona igual, é só testar para ver.
Pode ser um pão-de-ló que derrete na boca, como um poema do Mario Quintana. “Os poemas são pássaros que chegam não se sabe de onde e pousam no livro que lês.”
Talvez de cenoura, com cobertura de chocolate, que eu misturo lendo Cecília Meireles. “Eu canto porque o instante existe e a minha vida está completa.”
Sim, adoro ler poesia na cozinha, naqueles momentos de espera, em que o caldo do feijão engrossa, ou o molho rouba o sabor da carne, ou o bolo cresce.
O bolo que pode ser de café, para comer em prato todo branco acompanhado de licor e de Drumond. “Que pode uma criatura senão, entre criaturas, amar?”
Os bolos são como as pessoas. Cada um com seu sabor, seu recheio ou cobertura. No decorrer da vida aprimoram a mistura, cozinham no fogo suas dificuldades, fazem seu fermento agir. Crescem e transformam-se em pessoas melhores.
Ou simplesmente abatumam.


Biografia:
Para saber mais sobre a autora acesse http://anamello.multiply.com
Número de vezes que este texto foi lido: 65718


Outros títulos do mesmo autor

Crônicas Um livro diferente Ana Mello
Crônicas Um eterno jogador Ana Mello
Contos Muralhas da infância Ana Mello
Crônicas Doença de médico Ana Mello
Crônicas Digo sempre “Eu te amo” Ana Mello
Poesias Eu te amo Ana Mello
Crônicas Namore, não fique Ana Mello
Crônicas Na verdade, tá ligado? Ana Mello
Contos Amor adolescente Ana Mello
Crônicas Em briga de marido e mulher Ana Mello

Páginas: Primeira Anterior Próxima Última

Publicações de número 11 até 20 de um total de 27.


escrita@komedi.com.br © 2026
 
  Textos mais lidos
Óh, Senhor! - katialimma 66269 Visitas
Esporte Clube - Helio Valim 66251 Visitas
Curso Como Pensar Acessibilidade na Literatura - Terezinha Tarcitano 66219 Visitas
Chico deu continuidade às obras de Kardec - Henrique Pompilio de Araujo 66205 Visitas
Só mais amarguras - Luiz Fernando Martins 66004 Visitas
A DEMOCRATIZAÇÃO DA GESTÃO ESCOLAR - ADRIANA CARVALHO DOS SANTOS 65903 Visitas
eu sei quem sou - 65843 Visitas
O Senhor dos Sonhos - Sérgio Vale 65834 Visitas
O Cônego ou Metafísica do Estilo - Machado de Assis 65826 Visitas
MENINA - 65814 Visitas

Páginas: Primeira Anterior Próxima Última