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O Agora!
O mundo nos enche de demandas. Demandas de adulto — adulto esse que uns sequer irão chegar a ser, ou demandas que o mundo sequer chegará a impor. Digo isso porque a brevidade da vida, por mais conhecida e inevitável que seja, nunca, sob hipótese alguma, nos encontra preparados para lidar com ela. Por mais preparados emocionalmente, psicologicamente ou espiritualmente que estejamos, nunca será suficiente. Aquele paciente internado em estado vegetativo há sete anos, um coma profundo há dois... seja lá o que for, quando a notícia fúnebre chega, ninguém — eu disse nenhum ser humano que já tenha passado por esta terra em seus milhões de anos, do Homo sapiens aos Neandertais — deixa de ficar baqueado e balançado com tal notícia.
Vivemos sempre no futuro, fazendo coisas e planejando o "quando". "Quando eu me formar", "quando eu receber", "quando eu for", "quando eu chegar"... quando? Até que a brevidade da vida lhe chama. Esta é a realidade: estamos com uma epidemia de excesso de futuro (crise de ansiedade). Estamos sempre planejando algo, juntando títulos, acumulando coisas ou querendo acumular, esperando o famigerado "quando".
O "quando" não chega para ninguém, porque nós, seres humanos, temos por natureza a mania de criar o que chamo de "fila dos problemas". Estamos sempre esperando o "quando", sempre querendo algo, e, quando conquistamos, na verdade isso vira apenas um "problema resolvido", e logo vem o próximo desejo na nossa fila. Deveríamos largar o "quando" e o excesso de futuro para nos lembrarmos firmemente da expressão em latim Memento Mori, que em sua mais bela e singular definição nos diz exatamente: "lembre-se de que você irá morrer".
Por isso te digo que, viver no futuro é altamente alucinógeno. O futuro é uma construção do presente. Jamais viveremos no futuro, porque quando o futuro chegar, ele será o agora. O amanhã será mais agora do que o agora!
Por isso, pelo menos no momento desta leitura, lembre-se e valorize o agora. Você é o agora, você faz agora, você resolve agora. Diga que ama agora, perdoe agora, ligue agora, livre-se do que te faz mal agora! O agora não "chega"; o agora é. Ele vem para nos lembrar que, do nada — do absolutamente nada — tudo vira de cabeça para baixo. Em um instante, tudo aquilo que foi planejado muda e não faz mais sentido. Tudo aquilo que foi acumulado não será mais usado e sequer terá para outra pessoa o valor que tinha para você.
Valorize o agora. Valorize seu tempo. Não perca tempo com o que talvez não chegue e que, se chegar, talvez não seja tão doce quanto você imaginou. Por isso, faça, diga, ligue e largue, se tiver que largar, AGORA!
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