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Reservo para essa noite de sexta-feira, o dia mais quente da semana, ainda mais em se tratando de meados de janeiro, o meu relato pessoal sobre esse acontecimento erótico que me ocorreu como uma surpresa e do qual venho descobrindo os segredos dia após dia: meu primeiro squirt - um episódio marcante na vida de toda mulher que já teve um!
Eu já conhecia o squirt enquanto fenômeno, e embora tivesse curiosidade, eu imaginava que seca era a minha maneira de gozar, até porque evidentemente experimentei um orgasmo muito antes de ter meu primeiro esguicho, e para mim, essas duas figuras continuam sendo bastante distintas.
Enquanto tive meu primeiro orgasmo clitoriano aos quatorze anos, experimentei meu primeiro squirt, ou seja, orgasmo vaginal, apenas com quase vinte e dois. Antes, eu já havia me conformado que o squirt era entre as mulheres um fenômeno raro e, portanto, acreditei por muito tempo, que eu era uma mulher biologicamente comum e igual à maioria, incapaz de me molhar de tal maneira na hora H.
No entanto, tudo aconteceu em um fim de tarde de setembro, mais precisamente no dia 07 de setembro do ano passado. Guardei a data devido à analogia que lembro de ter pensado entre o dia da independência do Brasil com a independência do prazer. “Independência” - entre aspas, porque por enquanto, somente consigo experimentar um squirt com a ajuda de uma segunda pessoa. Cheguei à conclusão que isso se deve à angularização de meu corpo em relação ao ponto G, além do fato de que até o momento, apenas consegui alcançar essa forma de gozo quando estou de pé.
Ou seja, squirt ainda é algo novo e limitado para mim, é algo que ainda tenho que praticar sozinha para que seja conquistado um nível melhor de autossuficiência. Acima de qualquer sensação, encarei essa nova descoberta como fonte natural de aprendizado sobre meu próprio corpo, raríssimas vezes tocado diretamente pelas minhas mãos, especialmente em se tratando de qualquer atividade penetrativa.
Estávamos no banheiro de minha casa, e após um momento de intensa intimidade, o sexo ainda não havia acabado, não em seu sentido amplo. Ele continuou a me tocar, com vontade e sem perder o ritmo, adentrando dois de seus dedos em minha vagina, já exageradamente molhada. Apenas me deixei levar, obedecendo aos desejos naturais e irreprimíveis do momento, até que senti uma vontade semelhante à de urinar, mas um pouco diferente, e meu corpo falou por mim, quando já sentindo em minhas pernas nuas as primeiras gotas, senti em seguida um esguicho forte e quente, com uma pequena poça transparente se formando no chão. Ele continuou a me tocar, e nisso, mais e mais água saía de dentro de mim, como uma fonte potente, provocada pelo ápice do estímulo físico.
Não pude pensar em um título em língua portuguesa para esse relato, porque o que vivi foi intraduzível para qualquer idioma e, de certa forma, um pouco misterioso para mim ainda, que não sou fluente nessa prática. Eu, que pensava que conhecia meu corpo e me imaginava tão evoluída no quesito sexual, fiquei surpreendida com o ocorrido, Desde lá, nunca mais precisei fingir um orgasmo, já que o squirt passou a mitigar a ideia de que o gozo feminino é sempre menos aparente que o dos homens. Um banho foi a melhor escolha para os minutos que se seguiram, logo após, fui dormir feliz e intrigada.
Entre o orgasmo vaginal e o clitoriano, não sei dizer qual é o melhor, mas certamente um orgasmo vaginal exige maior esforço, estímulo e lubrificação, e em uma relação sexual, tem a vantagem de servir como prova inequívoca do prazer alcançado. Ao ter um squirt, sinto-me em um determinado estado de exaustão nos momentos que se seguem. Contudo, considero que o orgasmo clitoriano aciona áreas de prazer mais intenso, cerebral, criando maior sensibilidade e excitação. Se o clitóris depende de imaginação, o orgasmo vaginal deve esvaziar toda a mente, concentrando-se unicamente nas deliciosas impressões da carne. A nível sensível, portanto, ainda prefiro e busco o estímulo clitoriano com maior obstinação, ainda que, pelo visto, esse seja ainda mais raro.
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