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A IMPORTÂNCIA DA LEITURA NO PROCESSO DE ALFABETIZAÇÃO E LETRAMENTO NOS ANOS INICIAIS
Anna Carolina de Camargo

Resumo:
Este estudo versa sobre o tema da importância do letramento durante o processo da alfabetização de crianças do ensino fundamental. O referencial teórico revela conceitos sobre alfabetização que comprovam que o ato de ler é fundamental para o desenvolvimento intelectual e social das crianças. A investigação teve como o desígnio de desvendar o problema norteador da pesquisa, devido o grande número de analfabetos funcionais. As pesquisas bibliográficas apontaram haver estudos eficazes que amenizam esse problema ainda latente na sociedade. Através de uma pesquisa qualitativa, segundo teóricos importantes da área da educação, entre eles destaca-se Emília Ferreiro e Paulo Freire, foi possível elencar a importância da leitura e do letramento das crianças nos anos iniciais. Os resultados foram significativos, do que se visa apreender quais os principais elementos que nos fazem melhor compreender como funciona o processo cognitivo das crianças auxiliando na formação do leitor consciente e ativo, sempre visando associar o processo de alfabetização e letramento como algo que devem se complementar.

1. INTRODUÇÃO
O presente artigo visa compreender como o incentivo e a prática constante da leitura na
sala de aula nos primeiros dois anos do ensino fundamental pode contribuir para o
desenvolvimento da criança, auxiliando-a no processo de alfabetização e letramento. Para
tanto, será utilizada a pesquisa qualitativa, buscando uma fundamentação teórica capaz de
ressaltar a importância da leitura nas séries iniciais do ensino fundamental.
O trabalho realizado com leitura infantil tem como possibilidade de resultado a
formação de leitores/escritores competentes. Tem como objetivo formar crianças que
não somente leem, mas que compreendam o que foi lido; por que compreender é
transmitir aos demais tudo o que foi entendido de uma história através das figuras,
ilustrações e objetos que possa transformar um texto em uma leitura agradável e
prazerosa a quem ouve; que possa aprender a ler o que está escrito em entre linhas;
que saiba que vários sentidos e várias visões podem ser atribuídos a uma onde se
possa imaginar, criar e reinventar (PEREIRA, 2012, p. 2).
Nessa fase de descoberta onde as crianças começam a desenvolver um maior interesse
por coisas novas, sua memória e imaginação estão em pleno desenvolvimento, a inserção da
leitura de forma contínua e de maneira prazerosa durante as aulas contribuem para o processo
de alfabetização, pois é nessa fase que se forma a estrutura cognitiva dos alunos. Segundo
Abramovich (1997, p.17), “[...] por meio das histórias a criança pode vivenciar diferentes
emoções, sentindo profundamente o que as narrativas podem provocar no imaginário infantil.”
Além de contribuir no processo de ensino-aprendizagem, a leitura oferece elementos que
desenvolvam a criatividade e estimulam a imaginação.
Conhecer os processos de compreensão infantil é um valioso instrumento na
identificação dos momentos adequados para as intervenções que o professor pode
realizar que contribuirão para o avanço na aprendizagem da criança. O trabalho com
a linguagem é fundamental para a formação do sujeito. O professor deve ser o
mediador desse processo, investigar e conduzir a criança a gostar de literatura.
Proporcionar uma leitura de qualidade que alimente a imaginação e a criatividade,
despertando o prazer pela leitura (FERREIRO E TEBEROSKI,1991. p.42).
Certamente as crianças apresentadas ao estímulo da leitura de forma constante e eficaz
terão maior repertório linguístico, além de maior capacidade de interpretação e entendimento
do mundo letrado, pois a leitura enriquece o vocabulário infantil e estimula inconscientemente
o processo de letramento.
As crianças se encantam com as histórias e muitas vezes se fazem pertencentes às
mesmas. A instigação desse recurso, de forma que essa imaginação seja uma ferramenta capaz
de inserir a criança no mundo leitor não deve ser desperdiçada, mas utilizada a favor da
formação do educando.

Hoje já se sabe que uma pessoa alfabetizada nem sempre pode ser considerada letrada,
pois o letramento vai muito além da perspectiva de ler e escrever símbolos das palavras, mas é
considerada letrada a pessoa capaz de fazer uso efetivo da língua. Quanto mais cedo a criança
for inserida no mundo da leitura, mais cedo ela fará parte do mundo letrado.
É preciso superar algumas concepções sobre o aprendizado inicial da leitura. A
principal delas é a de que ler é simplesmente decodificar, converter letras em sons,
sendo a compreensão consequência natural dessa ação. Por conta desta concepção
equivocada a escola vem produzindo grande quantidade de “leitores” capazes de
decodificar qualquer texto, mas com enormes dificuldades para compreender o que
tentam ler (BRASIL, 1998).
Esse processo de alfabetização e letramento nem sempre é um processo que ocorre de
maneira simples, alguns alunos apresentam certa dificuldade em desenvolver a ação da leitura
e escrita, e o uso de recursos didáticos que favoreçam essa atividade é fundamental para
estimular o desenvolvimento cognitivo das crianças. Utilizando a leitura a favor da
aprendizagem, de uma forma lúdica e leve, o professor pode despertar nas crianças desde
muito cedo o amor pela literatura e fortalecer as habilidades capazes de tornar o aluno um
cidadão letrado e capaz de fazer o uso efetivo da língua.
O artigo consiste na apresentação dos métodos de pesquisa, o desenvolvimento teórico
onde se apresenta o processo de alfabetização e letramento e a contribuição da leitura durante
este processo, e, posteriormente apresentada à análise e os resultados encontrados com os
estudos relacionados ao tema estudado.
Justificativa
O artigo proposto planeja compreender questões relacionadas à leitura e sua
importância no processo de alfabetização e letramento da criança. Pretende-se através de um
aprofundamento bibliográfico, analisar como os autores principais acerca desta temática,
trazem a importância do ler e escrever como algo relevante para aumentar a imaginação
ampliando o repertório, vocabulário e novas palavras. “A leitura e a escrita são fundamentais
para o aprendizado de todas as matérias escolares. Por isso, em cada ano/série, o aluno precisa
desenvolver mais e mais sua capacidade de ler e escrever”. (BRASIL, 2006)
Entretanto, se o discente apenas decodificar a palavra e deixar de atribuir significado
não é considerada uma criança letrada, pois quem lê constrói sentido expandindo a cognição.
Para Cagliari (1989, p. 85), “aprender a ler e a escrever é apropriar-se do código linguísticográfico, é tornar-se de fato um usuário da leitura e da escrita”. O estudo apresentado trará aos
educadores mecanismos que ajudem no processo de aprendizagem, desde a etapa de aquisição
da consciência fonológica até a compreensão de um texto após lê-lo.

O livro leva a criança a desenvolver a criatividade, a sensibilidade, a sociabilidade, o
senso crítico, a imaginação criadora, e algo fundamental, o livro leva a criança a
aprender o português. É lendo que se aprende a ler, a escrever e interpretar. É por
meio do texto literário (poesia ou prosa) que ela vai desenvolver o plano das ideias e
entender a gramática, suporte técnico da linguagem. Estudá-la, desconhecendo as
estruturas poético-literárias da leitura, é como aprender a ler, escrever e interpretar, e
não aprender a pensar (PRADO, 1996, p, 19-20).
É importante ressaltar que a leitura em todas as etapas, integra em um fundamento para
o desempenho das crianças em todas as atividades escolares, indispensáveis para o
crescimento social, cultural e intelectual. Faz parte do cotidiano, e através de dinâmica
agradável, lúdicas, deve ser inserida no processo de ensino aprendizagem, pois a escola
desempenha um papel importante na autonomia do discente.
1.2 Objetivos
Objetivo Geral
Compreender como o incentivo e a prática constante da leitura podem corroborar para
o amadurecimento do processo cognitivo da criança auxiliando na sua alfabetização e
letramento.
Objetivos específicos
● Realizar um levantamento bibliográfico que apontem sobre a importância da leitura nos
anos iniciais;
● Compreender como a leitura pode auxiliar na transformação cognitiva da criança de 5 a 7
anos;
● Pesquisaras mudanças da criança do século XXI e qual impacto isso traz para os docentes
no processo de ensino aprendizagem da alfabetização;
● Identificar os diversos métodos de alfabetização e como estes auxiliam a criança a se tornar
um sujeito letrado;

2. DESENVOLVIMENTO
2.1 Metodologia
Para realização deste artigo de cunho teórico e pedagógico acerca da importância da
leitura nos anos iniciais, iremos utilizar e nos embasar em bibliografias que abordam o tema de
letramento, alfabetização na primeira infância, através de dados que comprova a importância
do letramento atrelado a alfabetização. Este estudo tem por objetivo analisar aspectos da
realidade, para que se possível conforme Lima (2004) possa agir sobre ela, identificando
problemas, formulando, avaliando e aperfeiçoando alternativas de modo que auxiliará os
educadores para possuírem mais instrumentos no processo de ensino aprendizagem.
Sabemos que Mary Kato, historicamente trouxe a ideia do letramento para educação,
queremos através dos seus estudos e de outros autores como Ângela Kleiman, compreender a
importância do letrar durante a alfabetização.
Este artigo se dá através do estudo de pesquisas qualitativas, que como afirma Minayo
(1994) se inserem no âmbito da ciência social, que se caracteriza pela realidade que não pode
ser quantificada, pois, possui significados o porquê das coisas que permeiam as relações
humanas. E através da pesquisa bibliográfica, onde foram analisadas teses e estudos acerca da
temática, foi possível ter um maior embasamento teórico sobre a temática norteadora.
Conforme Lima (2004, p.38) a pesquisa bibliográfica é a “atividade de localização e consulta
de fontes diversas de informação escrita orientada pelo objetivo explícito de coletar materiais
mais genéricos ou mais específicos a respeito de um tema”. Com o levantamento bibliográfico
realizado, através dos estudos de grandes autores como Emília Ferreiro, Lev Vygotsky e Paulo
Freire, foram identificados diversos estudos acerca da alfabetização, onde se é possível
comparar e/ou diferenciar os termos, trazendo uma nova perspectiva sobre o tema trabalhado.
Assim como afirma Severino (2007, p. 131)
(...) os referenciais teórico-metodológicos, ou seja, os instrumentos lógico-categoriais
nos quais se apoia para conduzir o trabalho investigativo e o raciocínio. Trata-se de
esclarecer as várias categorias que serão utilizadas para dar conta dos fenômenos a
serem abordados e explicados. Muitas vezes essas categorias integram algum
paradigma teórico específico, de modo explícito. Outras vezes, trata-se de definir
bem as categorias explicativas de que se precisa para analisar os fenômenos que são
objeto de pesquisa.
As fases de pesquisa foram constituídas da seguinte forma: pesquisa bibliográfica e
análise reflexiva dos estudos do referencial teórico.
E após as análises reflexivas do material coletado espera-se que este artigo dê subsídios
para compreensão da importância da leitura no processo de alfabetização e letramento e o

quanto isto contribui para o desenvolvimento da escrita e da leitura concomitantemente, tendo
em vista que deveriam ser processos indissociáveis.
2.2 Alfabetização e letramento
Podemos dizer que alfabetizar e letrar são processos distintos, mas que sua eficácia
depende um do outro. Deve o educador reconhecer o significado da alfabetização e do
letramento no processo de aprendizagem de modo que seus alunos não sejam apenas capazes
de decodificar as palavras, mas principalmente de entender aquilo que leem.
As práticas de alfabetização e letramento são ações que andam juntas, porém com
significados diferentes. São desenvolvidas na escola principalmente nos anos iniciais do
ensino fundamental I, atividades lúdicas que favorecem o desenvolvimento motor, cognitivo e
social dos alunos, entre outros aspectos. É durante os anos iniciais do ensino fundamental que
se inicia o processo de alfabetização do estudante.
Como menciona (ROJO, 2009, p.23), alfabetizar-se pode ser definido como ação de se
apropriar do alfabeto, da ortografia da língua que se fala. Isso quer dizer dominar um sistema
bastante complexo de representações e de regras de correspondência entre letras (grafemas) e
sons da fala (fonemas) numa dada língua; em nosso caso, o português do Brasil.
Cada criança tem um tempo diferente para estar alfabetizada e nesse processo existem
alguns fatores que influenciam a facilidade com que ela se desenvolve: os procedimentos
didáticos, sua autoestima e o incentivo tanto da família, quanto do professor.
A organização do processo de ensino-aprendizagem é um grande desafio para os
profissionais da educação, e deve ser organizado de maneira que a leitura e a escrita possam
ser desenvolvidas numa linguagem real, natural e significativa.
Segundo Magda Soares (2004) por um lado, é necessário reconhecer que a
alfabetização – entendida como a aquisição do sistema convencional de escrita – distingue-se
de letramento – entendido como o desenvolvimento de comportamentos e habilidades de uso
competente da leitura e da escrita em práticas sociais: distinguem-se tanto em relação aos
objetos de conhecimento quanto em relação aos processos cognitivos e linguísticos de
aprendizagem e, também de ensino desses diferentes objetos. “Enquanto a alfabetização se
ocupa da aquisição da escrita por um indivíduo, ou grupo de indivíduos, o letramento focaliza
os aspectos sócio histórico da aquisição de um sistema escrito por uma sociedade.” (TFOUNI,
1995 apud MORAIS, 2005, p.4).
Para se atingir uma educação de qualidade, onde os educandos não se caracterizem
como uma simples caixa onde se deposita conhecimentos prioriza-se alfabetizar-letrando, de

modo que se desenvolvam como seres pensantes e transformadores da sociedade, prática
necessária atualmente.
Alfabetizar é o conceito de levar aquisição do alfabeto, ou seja, ensinar o código da
língua escrita, ensinar as habilidades de ler e escrever de forma restrita, rudimentar, em um
processo que envolve um conhecimento conceitual onde o aluno precisa saber o que é a escrita
e de que forma ela representa graficamente a linguagem. Para isso o aluno necessita de
situações desafiadoras que permitam uma reflexão sobre a língua escrita.
Para Val (2006, p. 19),
Pode-se definir alfabetização como o processo específico e indispensável de
apropriação do sistema de escrita, a conquista dos princípios alfabético e ortográfico
que possibilitem ao aluno ler e escrever com autonomia. Noutras palavras,
alfabetização diz respeito à compreensão e ao domínio do chamado “código” escrito,
que se organiza em torno de relações entre a pauta sonora da fala e as letras (e ouras
convenções) usadas para representá-la, a pauta, na escrita.
Deste modo, constata-se que a alfabetização se dá por um processo de ensino
aprendizagem que acontece antes, durante e depois do período escolar, ou seja, a
alfabetização acontece dentro e fora do ambiente escolar. Sendo uma ação que faz com que a
pessoa se aproprie de habilidades que levam a leitura e a escrita, onde se busca apresentar
alguns conceitos de alfabetização e letramento na visão de diferentes autores.
Segundo Kramer (1986, p.17), a alfabetização “vai além do saber ler, e escrever inclui
o objetivo de favorecer o desenvolvimento da compreensão e expressão da linguagem”. Neste
sentido, não basta apenas ler e escrever, é preciso entender o que é a leitura e a escrita.
Moreira (2002, p. 25) aponta que: "alfabetizar significa saber identificar sons e letras,
ler o que está escrito, escrever o que foi lido ou falado e compreender o sentido do que foi
lido e escrito". Reforçando a compreensão no processo de alfabetização.
Estudando a origem da alfabetização é possível constatar que devido às necessidades
da comunicação do dia a dia da humanidade é que surgiu a escrita e a leitura, e que ao
inventar a escrita, o homem também fez surgir a necessidade de que ela continuasse a ser
usada e passada para as novas gerações. Devido a essa necessidade surgiu à alfabetização, ou
seja, processo inicial de transmissão de leitura e escrita, confirmada por Cagliari (1998, p.14)
em:
De acordo com os fatos comprovados historicamente, a escrita surgiu do sistema de
contagem feito com marcas em cajados ou ossos, e usados provavelmente para contar
o gado, numa época em que o homem já possuía rebanhos e domesticava os animais.
Esses registros passaram a ser usados nas trocas e vendas, representando a quantidade
de animais ou de produtos negociados. Para isso, além dos números, era preciso
inventar os símbolos para os produtos e para os proprietários.
E complementada por MORAIS; ALBUQUERQUE (2007, p.15):

Alfabetização – processo de aquisição da “tecnologia da escrita”, isto é do conjunto
de técnicas – procedimentos, habilidades – necessárias para a prática da leitura e da
escrita: as habilidades de codificação de fonemas em grafemas e de codificação de
grafemas em fonemas, isto é, o domínio do sistema de escrita (alfabético ortográfico).
Letramento vai além de saber ler e escrever, é entender e conseguir relacionar o
contexto social e sua experiência cotidiana. É um “conjunto de práticas que denotam a
capacidade de uso de diferentes categorias de material escrito” (MORAIS; ALBUQUERQUE,
2007, p.7).
Os estudos sobre o processo de letramento iniciaram-se nos Estados Unidos, pouco
depois da Segunda Guerra Mundial. Nesse país, no Canadá, assim como em vários países da
Europa, como França, Bélgica e Inglaterra, começaram a perceber que, embora chamados
alfabetizados, indivíduos jovens e adultos não conseguiam lidar satisfatoriamente com as
demandas sociais de leitura e escrita do dia a dia. (DESCARDECI, 2002).
Seu início pode ser considerado pela necessidade de configurar e nomear
comportamentos e práticas sociais na área da leitura e da escrita que ultrapasse o domínio do
sistema alfabético e ortográfico, desde quando a criança convive com pessoas que usam a
língua escrita, rodeada de material escrito, ela vai conhecendo a prática da leitura e escrita.
Segundo Soares (2004), letramento é, pois, o resultado da ação de ensinar ou de
aprender a ler e escrever: o estado ou a condição que adquire um grupo social ou um indivíduo
como consequência de ter-se apropriado da escrita.
Para Tfouni (2006), em simultâneo, onde a alfabetização trata-se da aquisição da
escrita por um indivíduo, o foco do letramento se dá pelos aspectos sócio-históricos da
aquisição de um sistema escrito por uma sociedade.
[...] Letramento, para mim, é um processo, cuja natureza é sócio histórica. Pretendo,
com essa colocação, opor-me a outras concepções de letramento atualmente, em uso,
que não são processuais, nem históricas, ou então adotam uma posição “fraca” quanto
à sua opção processual e histórica. Refiro-me a trabalhos nos quais, muitas vezes,
encontra-se a palavra letramento usada como sinônimo de alfabetização (TFOUNI,
2006, p.31).
Consequentemente, o letramento e a alfabetização se completam para enriquecer o
desenvolvimento do aluno, um buscando uma função social e outro preparando o indivíduo
para leitura, objetivando-se em um maior desenvolvimento do letramento deste sujeito.
2.3Alfabetizar letrando
Alfabetizar e letrar são processos em constante evolução e sua prática é o que torna os
indivíduos aptos para realização desses exercícios. São processos diferentes que ocorrem de

forma indissociável e interdependente. De acordo com Rios e Libânio (2009, p. 33) “a
alfabetização e o letramento são processos que se mesclam e coexistem na experiência de
leitura e escrita nas práticas sociais, apesar de serem conceitos distintos”.
Entendemos que uma criança letrada possui a habilidade de ler e escrever com
coerência. Já o letramento indica a capacidade de praticar a leitura e escrita dentro de um
contexto social, onde o ambiente seja rodeado de materiais escritos e a convivência, seja
também com pessoas que recorrem à língua escrita. Podendo assim fazer parte da prática da
leitura e escrita.
Se as crianças crescem em comunidades iletradas e a escola não as introduz na
linguagem escrita (em toda a sua complexidade), talvez cheguem a atingir esses
“mínimos de alfabetização”, que lhes permitam seguir instruções escritas e aumentar
a sua produtividade em uma fábrica, contudo não teremos formar cidadãos para este
presente nem para o futuro próximo. Há que se alfabetizar para ler o que os outros
produzem ou produziram, mas também para que a capacidade de “dizer por escrito”
esteja mais democraticamente distribuída. Alguém que pode colocar no papel suas
próprias palavras é alguém que não tem medo de falar em voz alta (FERREIRO,
2004, p. 54).
Entretanto, uma criança alfabetizada nem sempre é letrada. Isso porque apesar de estar
familiarizada com os sistemas de codificação e decodificação não se constituem como sujeito
que pratica o letramento, que exerce a prática da leitura (livros, jornais, revistas), tendo como
consequência dificuldades de interpretação e escrita. E por essa razão o papel da escola e dos
educadores é de extrema importância no sentido de incentivar as práticas de leitura e escrita.
Para alfabetizar letrando, deve haver um trabalho intencional de sensibilização, por
meio de atividades especificas de comunicação, como escrever para alguém que não
está presente (bilhetes, correspondências escolar), contar uma história por escrito,
produzir um jornal escolar, um cartaz etc. Assim a escrita passa a ter função social
(CARVALHO, 2010, p.69).
O processo de alfabetizar letrando nos anos iniciais vai além de simplesmente ensinar a
ler e escrever, ele envolve uma prática social edificada dia a dia. Temos a escola como
ambiente principal onde ocorre a alfabetização, no entanto, é fato que essa prática se
concretiza no ambiente social.
Cabe ao educador explorar caminhos que despertem o interesse de seus alunos e
também que atendam às suas necessidades, por isso o planejamento deve estar interligado com
o ambiente inserido.
Segundo Rojo (1998, p. 66) "um método de alfabetização que leve em conta o processo
de aprendizagem deve deixar um espaço para que o aluno exponha suas ideias a respeito do
que aprende". Conforme abordado, entende-se que o método escolhido precisa oferecer
oportunidade para que o aluno apresente suas ideias, participando das aulas de maneira
produtiva.

Portanto, alfabetizar letrando significa trazer para sala de aula a prática da leitura e da
escrita respeitando o contexto social e a realidade dos alunos, pois é a partir do seu interesse
que todo processo vai se constituindo e ampliando.
2.4 Leitura
A leitura como hábito constante, o contato com os livros, interagir com as mais
diversas histórias auxiliam no desenvolvimento intelectual, cognitivo e psicomotor das
crianças. Além de contribuir no enriquecimento da fala, do vocabulário consequentemente
melhorando no seu rendimento escolar.
Muitos são os benefícios que a leitura proporciona as crianças, tais como: estimulação
da criatividade, aquisição de cultura, incentiva a imaginação, melhora a escrita entre outros.
É imprescindível a necessidade do ato de ler para a formação do cidadão crítico acerca
de suas responsabilidades e direitos, a leitura proporciona que ele se aproprie do aprendizado,
de diversas culturas, da “leitura de mundo” assim como Freire dizia, não podemos aceitar um
ensino aprendizagem que não propicie ao aluno diversas categorias de leitura e meios para que
ele poder se apropriar de tais conhecimentos.
Acerca disso podemos refletir sobre suas palavras, segundo Freire: “Alfabetizar uma
criança é, entre outras coisas, ensiná-la a ler, a confrontar ou usar os textos escritos,
compreendendo-os e situando-se melhor no mundo segundo os propósitos buscados nesses
próprios textos.” (FREIRE,1982).
Com o avanço da tecnologia o perfil das crianças e também dos adultos se modificaram
devido ao uso excessivo de aparelhos de TV e de celular, com essa mudança de hábito a leitura
foi cada vez mais se tornando escassa no cotidiano das famílias. O uso exacerbado destes
meios de comunicação vem dificultando cada vez o processo de ensino aprendizagem das
crianças. O excesso de informação e a velocidade com que elas surgem, faz com que os livros
se tornem algo cada vez mais distante da sua realidade. Compreendemos com isso que o
docente do século XXI precisa cada vez mais procurar meios de atrair o interesse dos alunos
para os livros, para a prática da leitura. Entende-se que um destes meios a ser utilizado seria a
aplicação do lúdico para atrair as crianças. A ideia da utilização do lúdico para cativar os
alunos não é recente, sendo ela abordada por diversos teóricos, em “Leis”, por exemplo, o
ateniense salientava a importância do jogo para o processo de educação, defendendo a ideia de
que:
“[...] brincando, aprenderá o futuro construtor, a medir e a usar a trena: o guerreiro, a
cavalgar e a fazer qualquer outro exercício, devendo o educador esforçar-se por

dirigir os prazeres e os gostos das crianças na direção que lhes permita alcançar a
meta a que se destinarem (PLATÃO apud SILVEIRA, 1998, p.41)”
O ato de ler proporciona descobrir um mundo novo, mas é necessário apresentar a
criança de forma diferenciada e atrativa, de modo que se torne prazeroso e um hábito, sem ser
visto como um momento obrigatório. O incentivo à leitura torna a criança ativa e desenvolve
novas habilidades, para tanto é necessário o incentivo à leitura para ter resultados efetivos na
educação e agregue conhecimento. O professor precisa entender a dificuldade e necessidade de
cada discente, pois o gostar de ler é construído em um processo individual e social, sendo que
a leitura não é só de textos escritos, mas também de símbolos, figuras, imagens, permitindo
uma interpretação pessoal do indivíduo.
Em relação aos tipos de textos para fins didáticos podemos classificar os textos em
práticos, informativos ou literários e extra verbais, sendo que os três primeiros grupos
foram introduzidos, por Landsmann. Essa classificação segundo ela tem o objetivo de
facilitar o trabalho que teve o aluno a produzir e sistematizar conhecimentos.
(NASPOLINE, 1996. p, 39)
Para Martins (1984, p.34), o educador precisa criar condições ao educando para a
aprendizagem, não cabe só ao professor de Língua Portuguesa ensinar a ler, mas a todos os
componentes curriculares, pois é um trabalho em conjunto para possibilitar ao aluno o acesso a
diferentes tipos de texto. Quando o processo da função leitora do aluno é bem desenvolvido, é
beneficial a leitura de qualidade e uma boa educação literária. Conforme os Parâmetros
Curriculares Nacionais (BRASIL, 1998, p.36):
Não se formam bons leitores oferecendo materiais empobrecidos, justamente no
momento em que as crianças são iniciadas no mundo da escrita. As pessoas aprendem
a gostar de ler quando, de alguma forma, a qualidade de suas vidas melhora com a
leitura.
No âmbito desta abordagem, fica evidente que os recursos didáticos e procedimentos
devem viabilizar e enriquecer a forma como se procede a uma atividade, seja ela
individual ou coletiva, com intuito de facilitar à criança desenvolver seus próprios
esquemas mentais na organização do processo de aprendizagem.

3. ANÁLISE E DISCUSSÃO DOS RESULTADOS
Diante dos estudos realizados e com a afirmação de Colomer (2001, p. 73) que diz que:
“[...] a leitura é um ato complexo que envolve uma série de raciocínios, conhecimentos e
processos que a escola tem obrigação de desenvolver nos alunos”. Pode se considerar que a
metodologia de trabalho adotada pelo professor alfabetizador é essencial para o
desenvolvimento cognitivo da criança. E essa metodologia deve ir além do reconhecimento de
palavras e construção de frases, mas devem interagir todos os elementos que envolvem o
processo da leitura.
A relação entre a metodologia escolar, a leitura e a história de vida dos alunos devem
ser significativas para que o educando reconheça sentindo no que lê. Uma alternativa para essa
aproximação é criar espaços de manipulação de leituras e materiais textuais que os alunos
possam ter contato direto, desenvolvendo o prazer pela leitura e o reconhecimento de sua
importância na vida cotidiana.
A leitura deve ser vista além do processo de decifrar e decodificar palavras, mas deve
ser uma atividade que envolva o leitor em buscar a compreender e interpretar aquilo que ele
está lendo.
[...] ler é um ato interpretativo, o qual consiste em saber guiar uma série de
raciocínios para a construção de uma interpretação da mensagem escrita, a partir da
informação proporcionada pelo texto e dos conhecimentos do leitor. Ao mesmo
tempo, ler implica iniciar outra série de raciocínio para controlar o progresso dessa
interpretação, de tal forma que possam ser detectadas as possíveis incompreensões
produzidas durante a leitura. (COLOMER, 2001, p. 127).
O professor deve ser um incentivador da leitura, estimulando os alunos a que o
manusear e a busca de respostas em livro para desenvolver a leitura e escrita, e observar como
se desenvolve essa relação entre as crianças e os livros. Estimular essa interação contribui para
o desenvolvimento cognitivo dos alunos e consequentemente no processo de alfabetização e
letramento, já que a leitura ativa a mente do leitor para o aprendizado.
A leitura é um dos meios mais eficazes de desenvolvimento sistemático da linguagem
e da personalidade. Trabalhar com a linguagem é trabalhar com o homem. Significa
que o elemento humanitário está enfraquecendo e a capacidade de compartilhar uma
experiência por simpatia e valorização está diminuindo. A leitura favorece a remoção
das barreiras educacionais de que tanto se fala, concedendo oportunidades mais justas
de educação principalmente pela promoção do desenvolvimento da linguagem e do
exercício intelectual, e aumenta a possibilidade de normalização da situação pessoal
de um indivíduo.
(CIRÍACO, 2020. p.02)
Rangel e Rojo (2010) fizeram uma reflexão sobre os níveis de leitura dos brasileiros
onde concluiu serem poucos que conseguem atingir o nível adequado, apenas 5,3% dos
estudantes com habilidades de leitura adequadas aos onze anos de ensino, capazes de ler
17
variados tipos de textos, muitos dos alunos concluintes do ensino médio, foram considerados
capazes de ler com fluidez, mas não de forma que corresponde a série que frequenta; dos
52,5% dos estudastes brasileiros avaliados em 2001, 42% passaram onze anos da educação
básica não podendo ao menos serem considerados bons leitores, estando em níveis críticos ou
muito críticos.
Para incentivar o hábito da leitura nas crianças é preciso que a família e a escola façam
sua parte e os estimulem apresentando os mais diversos títulos, para que, eles consigam
descobrir que existem livros que atendem a suas curiosidades e podem sim, ser um hábito
prazeroso.
Segundo os autores percebe-se com isso que a escola não está garantindo a formação
básica que os alunos necessitam, pode se considerar urgente e essencial que a escola assume
seu lugar no desenvolvimento da leitura e consequentemente da formação cognitiva dos
alunos, especialmente na fase de alfabetização e letramento que é a base da formação escolar.
Nenhum método de alfabetização vai dar jeito para os baixos índices de leitura entre
os alunos, a não ser que a escola realize eventos de letramento que causem a
“inserção” dos alunos em práticas de letradas contemporâneas e, com isso,
desenvolvam as competências (capacidades de leitura e escrita requerida na
atualidade (RANGEL E ROJO, 2010. p.22).
É muito comum encontrarmos pessoas a que mesmo sendo alfabetizadas não
conseguem compreender o que leem, pois, não basta apenas ler e decodificar as palavras, mas
é preciso entender o que se está lendo, e nessa perspectiva que encontramos os denominados
analfabetos funcionais, que pode ser definido como a dificuldade ou incapacidade de
compreender e interpretar textos simples, ou fazer pequenos cálculos.
O Indicador de Alfabetismo Funcional (Inaf), que avalia o nível de analfabetismo da
população brasileira entre 15 e 64 anos, apresenta dados preocupantes, pois mostra que 71% da
população brasileira pode ser considerada funcionalmente alfabetizada, dois a menos abaixo
do índice registrado em 2015 e apresenta ainda um aumento nos números e analfabetos
funcionais.
Figura 1-NÍVEIS DE ALFABETISMO NO BRASIL CONFORME INAF (2001-2018)

A meta número 9 do novo PNE tinha como objetivo “elevar a taxa de alfabetização da
população com 15 anos ou mais para 93,5% até 2015 e erradicar, até 2020, o analfabetismo
absoluto e reduzir em 50% a taxa de analfabetismo funcional”, porém, segundo o
levantamento do Inaf esse resultado ainda está longe de ser alcançado.
Para que o analfabetismo funcional possa diminuir é preciso investir em sua
erradicação desde o início da educação básica, é importante que as escolas ofereçam conteúdos
que vão além de conteúdos decorados e padronizados. O ambiente escolar precisa estimular a
refletir, opinar, desenvolvendo a alfabetização eficiente a qual está relacionada à prática da
leitura e escrita, os dois grandes pilares do letramento, o incentivo a esses hábitos são
um grande aliado no combate ao analfabetismo funcional.
O desenvolvimento do hábito de ler está relacionada às práticas de leitura na sala de
aula. As aulas não podem ficar presas somente ao conteúdo sistemático, ou a aulas
expositivas. É de extrema importância a utilização de diferentes gêneros textuais em
sala de aula independente da disciplina de estudo, pois cada gênero se materializa em
um determinado ambiente comunicativo, seja esse ambiente em Matemática, ou
História, ou mesmo na Internet. A finalidade é desenvolver no aluno o prazer da
leitura, pois podemos tornar esse ato mais significativo. Portanto, quanto mais
levarmos a leitura para os ambientes próximos de nossos alunos, mais eficaz será
nossa proposta de desenvolver esse gosto, pois eles associarão melhor os conteúdos
dentro de um ambiente de contextualização, facilitando assim a sua aprendizagem. O
aluno que lê possui maior possibilidade de compreensão e interpretação textual,
assim compreende melhor o conteúdo transmitido (VALE, 2018. p.04).
Quando a leitura faz parte da vida escolar dos alunos eles conseguem fazer a sua
própria interpretação do mundo, e não são mais reféns do outro para buscar conhecimento,
conseguem recorrer aos meios de comunicação para alcançar objetivos e alçar maiores voos.

4. CONSIDERAÇÕES FINAIS
Através deste artigo podemos compreender por diversos autores a importância do
letramento na alfabetização das crianças, foi possível perceber que uma criança alfabetizada
não é necessariamente letrada e quais são os processos necessários para chegar à combinação
de alfabetização e letramento de maneira simbiótica.
Através de uma pesquisa bibliográfica de cunho qualitativo podemos evidenciar que
nos anos iniciais escolares as crianças no auge de sua capacidade cognitiva têm a possibilidade
de reter informações e transformar em aprendizado de longo prazo, por isso os métodos que
serão empregados para alfabetizá-la, refletirão em toda sua vida escolar e até na sociedade que
a mesma está inserida. Quando proporcionamos um ambiente focado em alfabetizar e letrar de
forma conjunta, as oportunidades de termos crianças mais preparadas é muito maior.
Durante a construção deste artigo foi evidenciado que os autores que tratam da temática
do letramento a defendem como método que não deve ser dissociado da alfabetização, os
alunos apreendem de maneira mais efetiva quando os assuntos não são tratados em “caixas”
separadas, mas de forma que os temas se complementam. O “bê-á-bá” ensinado antigamente
não cabe mais nos novos métodos de ensino, vivemos em uma sociedade globalizada e com
crianças cada vez mais conectadas, com isso o alfabetizar se torna muito mais assertivo,
ensinado pelo letrar.
Conclui-se que, os estudos sobre o assunto sempre trazem um novo olhar para o ensinar
e torna os educadores seres cada vez mais atuantes na formação dos alunos e faz com que a
sociedade na totalidade ganhe no processo. Pessoas alfabetizadas e letradas se tornam cidadãos
muito melhores, com maiores conhecimentos de seu papel na sociedade, pois tudo que se é
ensinado para estas crianças é compreendido em sua potência máxima, tornando-os pessoas
cada dia mais crítico e atuante.


Biografia:
Anna Carolina de Camargo
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