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O ensino do jogo de damas na Educação Física Escolar
Jogos de tabuleiro como ferramenta pedagógica nas aulas de Educação Física
Matheus Henrique Silva de Oliveira

Resumo:
Este artigo apresenta um relato de experiência sobre o ensino do jogo de damas com alunos do 1º e 2º anos do Ensino Fundamental da Escola Municipal José Pereira de Borba, em Itapecerica da Serra (SP). O projeto “Jogos de Tabuleiro” foi desenvolvido ao longo do ano letivo de 2025 e integra o conteúdo de Jogos e Brincadeiras previsto pela BNCC para a Educação Física. O trabalho teve como objetivo desenvolver o raciocínio lógico, a atenção, o respeito às regras e a socialização por meio da prática de jogos de damas em diferentes formatos e etapas, culminando em um campeonato entre os alunos.

Os jogos de tabuleiro ocupam um lugar especial na Educação Física Escolar, pois proporcionam o desenvolvimento de habilidades cognitivas, afetivas e sociais que ultrapassam o simples ato de jogar. De acordo com a Base Nacional Comum Curricular (BNCC, 2017), o trabalho com jogos e brincadeiras na Educação Física deve favorecer a aprendizagem de estratégias, o respeito às regras e a interação com os colegas.

Nesse contexto, foi criado o projeto “Jogos de Tabuleiro” na Escola Municipal José Pereira de Borba, localizada na Estrada Joaquim Cardoso Filho, 7399 – Potuvera, Itapecerica da Serra – SP, instituição que atende cerca de 380 alunos do Jardim 2 ao 5º ano do Ensino Fundamental.

Durante o ano letivo de 2025, o projeto foi dividido em duas frentes:

Xadrez para os alunos do 3º, 4º e 5º anos;

Jogo de Damas para os alunos do 1º e 2º anos, turmas nas quais são ministradas as aulas de Educação Física descritas neste artigo.

O trabalho foi desenvolvido em etapas, buscando introduzir o jogo de forma lúdica e progressiva. Em duas aulas iniciais, os alunos conheceram a origem do jogo de damas, suas regras básicas, movimentação das peças e a organização do tabuleiro. A utilização da lousa digital, recurso disponibilizado pelo município, foi um importante aliado nessa fase, permitindo a vivência de jogos online interativos, que despertaram o interesse e facilitaram a compreensão dos movimentos.

Em seguida, os alunos passaram para o jogo em duplas, com o objetivo de promover a cooperação e a troca de estratégias. As crianças eram incentivadas a conversar e pensar juntas antes de cada jogada, desenvolvendo tanto o raciocínio lógico quanto a capacidade de trabalhar em grupo.

Uma das atividades mais marcantes do projeto foi a “Dama Humana”, na qual os próprios alunos se transformaram em peças do tabuleiro, movimentando-se de acordo com as regras aprendidas. Essa vivência corporal aproximou o conteúdo da Educação Física ao universo dos jogos, reforçando a importância da ludicidade no processo de ensino-aprendizagem.

No segundo semestre, as crianças receberam um trabalho domiciliar: construir o próprio tabuleiro e as peças com materiais recicláveis e criativos. Essa proposta ampliou o envolvimento familiar e incentivou a sustentabilidade, além de proporcionar momentos de jogo em casa com os responsáveis. Após essa etapa, os tabuleiros retornaram à escola e foram utilizados nas aulas, culminando em um campeonato entre os alunos da mesma faixa etária.

Os resultados observados foram muito positivos: as crianças demonstraram melhor concentração, maior autonomia, respeito às regras, raciocínio rápido e cooperação. Além disso, o entusiasmo e o senso de pertencimento aumentaram significativamente, mostrando que o jogo pode e deve ser um instrumento de aprendizagem efetiva.

Conforme afirma Kishimoto (2011), “o jogo é uma atividade essencial para o desenvolvimento infantil, pois permite aprender, criar e socializar de forma prazerosa”. Assim, o ensino do jogo de damas na Educação Física, alinhado à BNCC, revela-se uma prática pedagógica que une movimento, pensamento e convivência, preparando as crianças para desafios dentro e fora da escola.


Biografia:
KISHIMOTO, Tizuko Morchida. Jogo, brinquedo, brincadeira e a educação. 14. ed. São Paulo: Cortez, 2011.
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