Login
E-mail
Senha
|Esqueceu a senha?|

  Editora


www.komedi.com.br
tel.:(19)3234.4864
 
  Texto selecionado
O paquiderme
Danilo Barcelos Corrêa

Ponho o poema
no meio da rua
e ele não será lido

nem pelo que passa
nem pelo que fica
nem pelo transeunte da agonia.

O poema é mudo.
Espia o mundo e então cresce,
toma ruído,
atropelado pelos carros sem governo.
E não será lido.

O poema é sujo
e parco em poesia.
Mudo e nulo, é carga.
Não é todo dia
não tem sortilégio
não sangra
não é monumento
não ilumina.

Ponho o poema
no meio da rua
e espero...

e ninguém o vê
ninguém o percebe
mesmo agora, quase um paquiderme.

É um amontoado de grifos desconexos,
gritos de amor, adultérios
e não é nem um pouco poético.

Se movimenta, balança no ar,
bate as patas no meio-fio
e não é visto
não será lido.

O poema já não cabe na rua
e avança para o mar.
O passo lento não marca sombra,
não esconde a cidade.

O pandemônio tem todos os gritos
e não é ouvido no tráfego.
Pisa a areia e não deixa marca.

Mas o mar, sempre o mar,
não ouvirá o poema
não o verá
não o lerá.

O mar, sábio em espumas,
se abre como profético
ao paquiderme esquecido da cidade.


Biografia:
Danilo Barcelos Corrêa, 25 anos, é formado em Letras pela Universidade Federal de Ouro Preto (Ufop) e mestrando em Estudos Literários da Universidade Federal de Juiz de Fora (UFJF). Natural de Belo Horizonte, é professor de Literatura no curso de Letras da Universidade Federal do Espírito Santo (Ufes). Escreve para a revista eletrônica Klups e tem textos publicados em antologias literárias e revistas do ramo. Seu primeiro livro, Barulho Branco, é de 2006.
Número de vezes que este texto foi lido: 65791


Outros títulos do mesmo autor

Poesias O paquiderme Danilo Barcelos Corrêa
Poesias Sala de Armas Danilo Barcelos Corrêa
Poesias Cartografia Danilo Barcelos Corrêa
Contos Um Velho Danilo Barcelos Corrêa
Contos Pactários Danilo Barcelos Corrêa
Poesias Auto Danilo Barcelos Corrêa


Publicações de número 1 até 6 de um total de 6.


escrita@komedi.com.br © 2026
 
  Textos mais lidos
Sangria desatada - Flora Fernweh 75974 Visitas
HISTÓRIA DE CINCO ROSAS - MARCO AURÉLIO BICALHO DE ABREU CHAGAS 71272 Visitas
DOIS CORAÇÕES - orivaldo grandizoli 70970 Visitas
Carta Tardia - Fernando Rodrigues dos Santos 70622 Visitas
O SABICHÃO - Robério Pereira Barreto 70438 Visitas
Essa não é mais uma carta - Fernando Rodrigues dos Santos 69702 Visitas
RPG. - Kady Barker 69501 Visitas
A mulher grávida - Flora Fernweh 69402 Visitas
Perolado de Carmim - José Ernesto Kappel 69338 Visitas
Computador formatado, ano novo! - Vander Roberto 69306 Visitas

Páginas: Próxima Última