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UM GAFANHOTO NO RETROVISOR
Saulo Piva Romero

HOUVE UM DIA EM QUE VALDENES SE PREPARAVA PARA IR AO TRABALHO.
ELE MORAVA NUM A CHÁCARA ONDE TINHA MUITOS CACHORROS, PASSARINHOS, BORBOLETAS, VAGA-LUMES, GRILOS E GAFANHOTOS.
DENTRE TODOS OS ANIMAIS QUE HABITAVAM NA CHÁCARA, UM GAFANHOTO ERA O MAIS ESPERTO. WILBER ERA O SEU NOME.
COM O PASSAR DOS ANOS, ELE COMEÇOU A FICAR ENTEDIADO DA VIDA QUE VIVIA,
O GAFANHOTO QUERIA PORQUE QUERIA SAIR DAQUELA ROTINA DIÁRIA EM QUE SÓ COMIA ERVAS E FOLHAS DE QUALQUER TIPO DE PLANTAS.
WILBER ERA UM GAFANHOTO, MAS, TINHA UM APETITE DE LOBO E DEPOIS QUE A PANÇA ESTAVA CHEIA, ELE DORMIA A TARDE INTEIRA E QUANDO A NOITE CHEGAVA, ELE SE COMEÇA UMA CANTAROLA INTERMINÁVEL IRRITANDO A TODOS OS QUE ESTAVAM A SUA VOLTA. ELE SOLTAVA UM LONGO E DEMORADO “CRI-CRI-CRI” QUE ECOAVA POR TODA A CHÁCARA. ASSIM, COM O TEMPO, ELE PASSOU A SER CHAMADO DE WILBER “CRI-CRI-CRI”, POIS, ELE ERA TÃO CHATO E IRRITANTE TANTO QUANTO O SEU CANTO.
ENFIM, ELE ESTAVA DECIDIDO QUE NAQUELA MANHÃ ENSOLARADA DE VERÃO, PROCURARIA CONHECER PAISAGENS DIFERENTES ALÉM DOS LIMITES DA CHÁCHARA ONDE HAVIA SE HOSPEDADO POR MUITOS ANOS.
MAS, ELE, ALÉM DE SER CHATO E IRRITANTE, TAMBÉM ERA PREGUIÇOSO.
ELE VOAVA MUITO POUCO POR DIA, POIS, GOSTAVA MESMO ERA DE FICAR MAIS PARADO E SE APROVEITAVA DA OCASIÃO PARA CONSEGUIR O SEU OBJETIVO.
ENTÃO, O GAFANHOTO OPORTUNISTA TEVE A BRILHANTE IDEIA DE POUSAR NO RETROVISOR DO CARRO DO VALDENES, ENQUANTO, ELE RETIRAVA O CARRO DA GARAGEM PARA SE DIRIGIR A ESCOLA ONDE ELE TRABALHAVA.
ASSIM, WILBER, O GAFANHOTO MUITO BEM ACOMODADO EXPERIMENTOU A GOSTOSA SENSAÇÃO DE RESPIRAR NOVOS ARES SEM QUE PRECISASSE DESPERDIÇAR A SUA PRECIOSA ENERGIA, VOANDO POR LONGAS E DEMORADAS HORAS ATÉ A CIDADE.
ISSO ACONTECIA TODAS AS MANHÃS SEM QUE VALDENES PERCEBESSE A PRESENÇA DO ILUSTRE GAFANHOTO NO RETROVISOR DO SEU CARRO,
ENTÃO, ENQUANTO O VALDENES TRABALHAVA, O GAFANHOTO APROVEITAVA PARA TOMAR UM GOSTOSO BANHO DE SOL FAZENDO DO RETROVISOR DO CARRO SUA PRAIA ONDE ELE PODIA RELAXAR E AINDA OLHAR PARA AS LINDAS CIGARRAS QUE ERAM HÓSPEDES NAS ÁREAS VERDES QUE CIRCUNDAVAM A ESCOLA.
QUANDO ELAS PASSAVAM VOANDO NA FRENTE DELE, ELE ESTUFAVA O PEITO E COMEÇAVA A CANTAROLAR COM A SUA ESTRIDULAÇÃO QUE NADA MAIS É QUE O SEU CHATO, PROLONGADO E IRRITANTE CANTO QUE CHAMAVA A ATENÇÃO DAS BELAS CIGARRAS E AO MESMO TEMPO ACABAVA COM O SILÊNCIO DA ESCOLA E ENSURDECIA OS PROFESSORES E OS ALUNOS.
WILBER NÃO ESTAVA NEM AÍ PARA O SILÊNCIO QUE REINAVA NA ESCOLA ANTES DE COMEÇAR O SEU CANTO ESTRIDULAR, POIS, ELA QUERIA MESMO TOMAR UM QUENTINHO BANHO DE SOL E ATRAIR AS CIGARRAS E CONQUISTÁ-LAS
. ENTÃO ERA “CRI-CRI-CRI PARA CÁ E PARA LÁ QUE SE JUNTAVA AO COAXAR DOS SAPOS QUE TAMBÉM SE HOSPEDAM POR ALI, FORMANDO ASSIM UMA VERDADEIRA ORQUESTRA SINFÔNICA.
MAS, A FESTA DO GAFANHOTO TERMINAVA NO INÍCIO DA TARDE QUANDO O WALDENES RETORNAVA PARA A SUA ACONCHEGANTE CHÁCARA, POIS, ERA SÓ O VALDENES ESTACIONAR O CARRO NA GARAGEM QUE A VIDA DO GAFANHOTO VIRAVA DO AVESSO.
ELE DESCIA DO RETROVISOR JÁ ESCUTANDO NOS SEUS OUVIDOS OS BERROS DA DONA CIGARRA RECLAMANDO QUE NOS ÚLTIMOS DIAS, ELE SAÍA MISTERIOSAMENTE TODAS FUGINDO DOS SEUS COMPROMISSOS.
- SE NÃO MUDAR DE VIDA, NO INVERNO VOCÊ HÁ DE SE ARREPENDER, WILBER, SUA FAMÍLIA VAI PASSAR FOME! VOCÊ SÓ QUER FICAR PEGANDO CARONA NAQUELE RETROVISOR E FICAR SOSSEGADO VENDO O TEMPO PASSAR.
 O GAFANHOTO DEU UM SORRISINHO AMARELO E DISSE PARA A ESPOSA FURIOSA.
- QUERIDA, O INFERNO ESTÁ LONGE AINDA!
O GAFANHOTO QUERIA PORQUE QUERIA APROVEITAR A VIDA O MÁXIMO QUE PUDESSE SEM PENSAR NO AMANHÃ
MAS, ELE SABIA QUE A SUA ESPOSA ESTAVA COM A RAZÃO, MAS A SUA PREGUIÇA EM TRABALHAR, FOI COM CERTEZA A SUA RUÍNA, POIS, SUA CARONA QUE ELE PEGAVA NO RETROVISOR DO CARRO DO VALDENIS, UM DIA CHEGOU AO FIM, POIS, O WALDENES, O VIU E ACABOU COM A FESTA DO GAFANHOTO, O FAZENDO DESCER DO RETROVISOR, DEIXANDO-O NO MATO QUE CIRCUNDAVA A ESCOLA.
ENTÃO, COMO WILBER ERA PREGUIÇOSO ATÉ PARA VOAR TEVE MUITA DIFICULDADE DE ENCONTRAR O CAMINHO DE VOLTA A CHÁCARA DO VALDENIS, ONDE ELE E SUA FAMÍLIA HAVIA SE HOSPEDADO NO SEU QUINTAL HÁ MUITOS ANOS.
ELE VOAVA, VOAVA E NADA DE ENCONTRAR O CAMINHO DE CASA.
WILBER QUE HAVIA SE ACOSTUMADO EM PEGAR CARONA NO RETROVISOR DO CARRO DO VALDENES SE VIU EM PAPO DE ARANHAS, POIS, NÃO TINHA NOÇÃO DE DIREÇÃO, POIS, NÃO VOAVA COM FREQUÊNCIA FAZENDO COM QUE ELE NUNCA MAIS CONSEGUISSE ENCONTRAR O CAMINHO DE VOLTA PARA A CHÁCARA.
O GAFANHOTO NEM SE PREOCUPOU EM TRABALHAR DURANTE O VERÃO NÃO SE IMPORTANDO COM OS CONSELHOS DA SUA ESPOSA.
ENTÃO, QUANDO O INFERNO CHEGOU, ELE AINDA NÃO HAVIA ENCONTRADO O CAMINHO QUE O LEVARIA DE VOLTA A CHÁCARA.
CERTO DIA, O GAFANHOTO COMEÇOU A TIRITAR DE FRIO. ELE SENTIA SEU CORPO GELADO E NÃO TINHA O QUE COMER.
ENTÃO, DESESPERADO VOOU ATÉ UMA BEIRA DE ESTRADA, POIS, ESTAVA COM MUITA FOME, CANSADO E CONGELANDO DE FRIO.
ELE LEVANTOU UMA DE SUAS PATINHAS E COMEÇOU A FAZER SINAIS PARA QUE ALGUM DOS MOTORISTAS LHE DESSE UMA CARONA, MAS, NENHUM DELES PAROU PARA AJUDAR O GAFANHOTO,
QUANDO, O GAFANHOTO JÁ HAVIA PERDIDO A ESPERANÇA DE CONSEGUIR UMA CARONA, ELE QUE ESTAVA PARADO NO AR, AVISTOU O TÃO FAMILIAR CARRO DO VALDENES VINDO NA SUA DIREÇÃO.
ASSIM QUANDO O VALDENES PASSOU PERTO DE WILBER, O GAFANHOTO POUSOU NOVAMENTE NO VELHO CONHECIDO RETROVISOR E ASSIM ELE CONSEGUIU VOLTAR PARA O SEU LAR, DOCE LAR E REVER A SUA FAMÍLIA QUE NÃO VIA DESDE O FIM DO VERÃO.
ASSIM QUE O VALDENES GUARDOU O CARRO NA GARAGEM, O GAFANHOTO QUE ESTAVA TREMENDO DE FRIO DESCEU DO RETROVISOR E FOI BATER NA PORTA DA SUA CASA.
ENTÃO, A ESPOSA DO WILBER ABRIU A PORTA E VIU QUE O MARIDO ESTAVA CONGELANDO DE FRIO, ENTÃO, PUXOU-O PARA DENTRO, AGASALHOU-O E DEU-LHE UMA SOPA BEM QUENTE E DELICIOSA.
DEPOIS DOS CUIDADOS NECESSÁRIOS PARA QUE O WILBER SE SENTISSE AQUECIDO, ELA LHE DISSE:
- SE AMA A SUA FAMÍLIA E SE QUER FAZÊ-LA FELIZ, CUMPRA COM O SEU DEVER TRABALHANDO TODOS OS DIAS, APROVEITANDO MELHOR O TEMPO E DEIXANDO A PREGUIÇA PARA TRÁS.
ASSIM, O GAFANHOTO QUE PASSAVA OS DIAS NA MÁ COMPANHIA DA PREGUIÇA, ESCUTAVA PELA PRIMEIRA VEZ OS SÁBIOS CONSELHOS DA SUA ESPOSA.
ENTÃO, PASSOU A TRABALHAR COM DEDICAÇÃO PARA QUE A FAMÍLIA TIVESSE O QUE COMER, NÃO SÓ NO INVERNO, MAS, EM TODAS AS ESTAÇÕES DO ANO.
ENTÃO, ELE NUNCA MAIS PEGOU CARONA NO RETROVISOR DO CARRO DO VALDENES, DEIXOU A PREGUIÇA DE LADO E SE TORNOU UM NOVO GAFANHOTO, PASSOU A TRABALHAR COM AMOR E PASSOU MAIS TEMPO AO LADO DA FAMÍLIA.
AQUELE INVERNO FEZ COM QUE WILBER APRENDESSE SÁBIAS E VALIOSAS LIÇÕES, POIS, FEZ COM QUE ELE APRENDESSE A VOAR COM AS PRÓPRIAS ASAS E DEIXASSE DE SER “CRI-CRI-CRI”.
COM CERTEZA, AQUELE INVERNO HAVIA SIDO O MAIS FELIZ DA SUA VIDA.
 
 
 
 
 
 


Biografia:
Saulo Piva Romero, professor de Língua Portuguesa e Poeta, 46 anos. Nasceu em São Paulo no dia 9 de março de 1972. Começou a escrever poesias aos 18 anos. É formado em Letras pelas Faculdades Associadas do Ipiranga com Licenciatura Plena em Língua Portuguesa, Inglesa e Literatura.Em 2000 publicou seu primeiro livro Vida, amor e esperança.
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