Login
E-mail
Senha
|Esqueceu a senha?|

  Editora


www.komedi.com.br
tel.:(19)3234.4864
 
  Texto selecionado
SAUDADES DE MIM
Flora Fernweh

Em que canto me escondi que já não me encontro em voz alguma? O mundo cisma em me moldar, bloqueia minhas lentes. Com um tapa, consome a essência do meu ser. Me envolvo com gente de carne e ossos, caio nas armadilhas terrenas e imperfeitas como os humanos, mas é apenas quando estou no fundo do poço e olho para cima que percebo minha morada nas sombras de uma luz que até ontem me iluminava e me enchia de doces esperanças. A urgência em retornar ao meu eu é inédita, nunca antes saí de minha ilha e precisei voltar a essas terras, pois tinha a plena convicção de que jamais me abandonaria. Hoje vejo que não voltarei a ser quem eu era, pois nunca fui quem não indaguei por imaginar que já soubesse mais de mim do que qualquer outro. Sou estranha a mim mesma, a imagem que se forma no espelho quando me ponho na frente de um, não pertence a mim, e por ser quem hoje sou, desconhecida e alheia, o amanhã passeia como um forasteiro exótico. O sol nasce, mas o parto vem de mim, a fúria em renascer irrompe um casulo cíclico após uma metamorfose que se repete a cada despontar lunar. No útero escuro da noite, busco em vão me reencontrar, pois sei que em breve, me perderei de mim, não saberei mais na verdade quem eu sou. Voei como águia para além das montanhas e suspeito jamais encontrar o caminho de volta, o meu último apelo ao destino antes de partir para sempre: Devolva minha solidão, ela é meu latíbulo, nela eu sou livre, dela eu sinto falta.


Biografia:
Sobre minha pessoa, pouco sei, mas posso dizer que sou aquela que na vida anda só, que faz da escrita sua amante, que desvenda as veredas mais profundas do deserto que nela existe, que transborda suas paixões do modo mais feroz, que nunca está em lugar algum, mas que jamais deixará de ser um mistério a ser desvendado pelas ventanias. 
Número de vezes que este texto foi lido: 65719


Outros títulos do mesmo autor

Crônicas A mulher grávida Flora Fernweh
Haicais Por amor se sofre Flora Fernweh
Sonetos Amor que escapa Flora Fernweh
Cartas O amor é um salto para a eternidade Flora Fernweh
Crônicas Ao calor do incenso Flora Fernweh
Crônicas O problema do professor institucionalizado Flora Fernweh
Crônicas Sobre ser mulher Flora Fernweh
Sonetos Soneto dos dois anos de amor Flora Fernweh
Haicais Ampunheta Flora Fernweh
Crônicas Agora o ano começou Flora Fernweh

Páginas: Primeira Anterior Próxima Última

Publicações de número 11 até 20 de um total de 461.


escrita@komedi.com.br © 2026
 
  Textos mais lidos
O LIVRO DE JASPER 3 - paulo ricardo azmbuja fogaça 66381 Visitas
Talvez - Mayra Alcione Musa Fonseca 66364 Visitas
Óh, Senhor! - katialimma 66324 Visitas
Esporte Clube - Helio Valim 66279 Visitas
Chico deu continuidade às obras de Kardec - Henrique Pompilio de Araujo 66271 Visitas
Curso Como Pensar Acessibilidade na Literatura - Terezinha Tarcitano 66263 Visitas
eu sei quem sou - 66067 Visitas
Faça alguém feliz - 66057 Visitas
Só mais amarguras - Luiz Fernando Martins 66041 Visitas
Amores! - 66026 Visitas

Páginas: Primeira Anterior Próxima Última