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Caso ames um jardim de rosas,
beija ternamente suas rosas,
sem desejar com teus beijos,
tomar-lhes o segredo da cor,
perfume e vida.
Inútil seria.
Está na experiência íntima
da sua essencial identidade de flor ser rosa.
Espinhos.
Estranhos parecem, a muitos.
Quem é que os vê?
Quem os admira?
Quem deseja roubar-lhes o sacrifício?
Rosas.
Nem pálidas, estranhas parecem.
Não podendo interpretar belamente
o papel que lhes foi dado,
não se põem a chorar ausências.
De tão enamoradas de seu puro ser,
solenes e grandiosas,
entram em nova glória
no visível e no invisível.
Sempre novas e louçãs,
cálidas, cândidas.
Sempre a dar o que são.
Generosas.
Desinteressadas.
Simplesmente rosas.
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