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Um dia, certo homem me jogou pela estrada.
A chuva veio, e eu continuei ali.
O sol veio, e eu continuei ali.
O pastor passou com seu rebanho,
e eu continuei ali.
Pais e filhos passaram,
e eu continuei ali.
Dias se passaram,
e eu continuei ali.
Semanas se passaram,
e eu continuei ali.
Meses se passaram,
e eu continuei ali.
Mas, desta vez,
eu não estava sozinha.
De semente, agora várias gramas,
matinhos verdes.
Quando a chuva descia,
eu exalava frescor.
Quando o sol nascia,
eu me fortalecia.
E assim foi o que aconteceu.
Fiquei ali.
Por dias, semanas e meses.
Vi crianças crescerem.
Adultos envelhecerem.
“Velhos” morrerem.
Então, um dia, tudo mudou.
As pessoas que sempre cuidavam
não estavam mais ali,
quando fui arrancada e alvejada
por minério e fogo.
Eu era uma semente forte
e resisti a dias de chuva e sol.
Mas, naquele dia, eu ainda era grama
e continuava ali,
FORTE.
Vieram o minério e o fogo.
E, em meio à penumbra e à chama,
adormeci.
Os dias de chuva e sol
continuaram ali.
E, no âmago,
continuei ali.
FORTE.
Passaram
dias, semanas,
meses.
E, todos os dias, parte de mim
ainda lutava,
como uma fênix.
Sempre FORTE e resistente.
Resistente àquele que me impedia
de crescer na chuva,
de brilhar à luz do sol,
de exalar o meu perfume
e de firmar minhas raízes.
E então continuei ali,
LUTANDO,
tentando derrotar o minério que
sufocava e oprimia.
Eu fui uma semente
jogada na estrada para lutar.
Agora, eu sou uma flor no meio do minério
que “eles” chamam de asfalto.
Eu?
EU SOU A RESISTÊNCIA.
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