|
Talvez eu te dê um sol para esse frio de amor que te povoa,
a esse semblante de rainha vitoriana eu te dê a mais bela coroa,
te faça, como Shakespeare faria, um soneto descalço,
buscaria frutas vermelhas, a ti, no denso mato...
O amor procria sem conjunção carnal,
faz filhos como a espiga de milho faz grãos
dentro da capa verde do seu coração...
O amor desliza suas sementes dentro do ventre
que nem corpo tem e nada dele se vê
quando quer criar algo para ver viver...
Talvez eu apanhe estrelas para teu pescoço de cisne branco,
roube da história a história da Cinderela, te dê uma memória de fábula,
só assim te conquiste montado em meu avassalador cavalo manco
tocando tuas Trompas de Falópio com minha língua rádula...
Pus, nesta composição, do soneto clássico sua clássica dissolução
por buscar teu amor na caverna escura que me descreveu Platão,
mesmo que veja as sombras da tua recusa ao infinito amor...
Caio, devagar e lentamente aos pés da poesia pedindo justiça,
que se feito foi o coração do homem para abrigar sentimentos,
que me seja a prisão do amor a caverna iluminada da minha vida...
|