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Dizem que um poema nobre
é feito de salitre, giz, cobre,
um pouco de papel crepom,
de tinta uma demão,
alguma coisa de mistério,
uma piscada de olho do hemisfério
de onde se catapulta ideias fenomenais,
que esse poema não veste robe
e nem bebe champanhe,
mesmo que estranhes,
a pele é dura e escamosa,
poema esse de voz poderosa,
dizem que fede a perfume barato,
vive se encostando nos outros,
mas o fato
é que não se furta a um corpo a corpo,
tem mãos imensas e olhos loucos,
esse poema tem um saco sem fundo
cheio de mundos
que apanha pelas ruas do Ocidente,
dizem que lá dentro tem tanta gente
que poderia constituir uma outra nação,
dessas que os homens plantam trigo
e colhem o pão,
mas, sempre tem um mas,
por ser a chave que liberta quem preso está,
não pode ir a Cuba os dissidentes libertar,
nem abrir os portões para famintos de amor,
retesa o arco e dispara flechas de calor,
dizem que por ser nobre
vive onde estão os que estão vivos,
porém, de noite no colo da lua dorme,
de dia planta palavras a quem tem fome,
vive rodeado de muitos, muitos amigos...
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