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Ah...queria tanto
uma poesia cheia de encanto,
com gosto de flor de laranjeira,
encostado no pé de bananeira,
a folha de hortelã sobre o pudim,
feito na hora, de comer tudo, tudim...
Ai que fome, ai de mim que gosto
de coisas que as abelhas também gostam,
amo o azeite que demora a sair da garrafa,
do peixe pescado na hora, a tostada posta,
esse desejo insano que me arrasta
para o gole de cachaça,
virtude do caipira,
excesso para o executivo,
ainda bem que me soa bem o som da vida,
o pio da coruja, as asas das cigarra,
o quase canto do grilo...
Ainda bem que é assim a vida,
com esse tal de livre arbítrio
posso sair da cidade,
ir morar num sítio,
escutar o riacho cantar,
eu acho,
uma ária aquática,
de saborear...
Ah...poema silvestre,
com cheiro de capim,
eu gosto do que é bom,
que ainda vivo sobre o cimento,
ai, ai, de mim...
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