|
Paro diante de tua casa e temo,
temo bater em tua porta
e descobrir que em tua aorta
não corre o sangue da bondade,
temo não receber o que posso oferecer,
o gosto sutil do cálice da verdade...
Temo parecer-me fantasiado como a um festim,
que repares nos bolsos e não em mim,
temo não ter o braço grande para te alcançar,
que não possa, como a um amigo, te abraçar...
Desculpe-me esta poesia temerosa,
que pisa na pontas dos pés para te falar;
talvez devesse te oferecer em prosa
o que a poesia da alma não pode falar...
|