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Por um AMANHÃ
Tânia Du Bois



     Amanhã? E quando será amanhã? Caio Fernando Abreu, responde, “Amanhã é outro dia, aprendi isso ontem”. E Chico Buarque completa, “... Amanhã há de ser outro dia / Você vai ter que ver / A manhã renascer / E esbanjar poesia...”
     Com palavras, compartilho o amanhã comigo mesma. Grito frases de ordem lírica e vislumbro caminhos para me aproximar da porta do amanhã e reencontrar a passagem para o mundo externo, como mudança que transforma por fora, mas também renova a alma. Segundo Álvaro de Campos, “... Hoje não me resta.../ Senão saber isto:/ Grandes são os desertos e tudo é deserto.../ volta amanhã, realidade!...”
     É muito bom mudar e viver por um amanhã, sentir o desafio: quando será amanhã? O amanhã é redesenhar o projeto em tempo; é trazer informações relevantes e objetivas para a vida, com o interesse de se espelhar nas histórias de vida; um bom livro do autor escolhido. Como em Peninha, “... Tenho um sonho em minhas mãos / Amanhã será um novo dia / Certamente eu vou ser feliz.”, e Benedito C. Silva, “... coberto e atormentado por todos os pensamentos inúteis / sobre algo imutável, e quem sabe, amanhã, já não serei / eu mesmo.”
     E quando será amanhã? Amanhã é o entusiasmo que nasce da força excepcional para conduzir o destino. É construir com alegria o meu ponto de chegada e partida, reavaliando os rumos e me concentrando no momento de semear. O amanhã promete a colheita do esforço, do bem-estar nas relações e de usufruir o carinho dos amigos. Nas palavras de Vera Casa Nova, “Não deixo para amanhã /o que posso fazer hoje. / Pois amanhã é o amanhã / Quero preparação do amanhã / Pelo dia de hoje / A conquista de hoje / É a conquista do amanhã /... Qual o saber no amanhã revelará meu dia?” Compreendo que a liberdade depende do empenho e da atitude para viver o amanhã, com reconhecimento, como expressa Valmor Bordin, “... Queria a ti pertinho de mim / é que o amanhã / eu não conheço...”
     Manhã de céu nublado. O vento sopra frio na praia. A esperança de amanhã ser um dia ensolarado, na incerteza como tempero da vida, onde tenho muitas coisas para aprender e em cada conquista, um amanhã.
     Encontro no poema de Pedro Du Bois, “É preciso força e vontade / caminhar exige esforço / acordar não é só abrir os olhos // pela areia sigo os passos /de quem vai à minha frente // é preciso amor e coragem / caminhar exige respeito / dormir não é só fechar os olhos // vejo na água o corpo / nadando em largas braçadas // é preciso sorriso e alegria / caminhar exige atenção / voltar não é só retornar os passos // no encontro da areia e a água / renascem as esperanças do amanhã.”
     Hoje, espero por um amanhã. Tenho certeza de que o amanhã será melhor que o hoje e, ao fazer escolhas, construo o meu próprio caminho. Álvaro Pacheco, escreveu que “em algum lugar do mundo o dia de hoje / é ontem – em outros / será amanhã...”.


Biografia:
Pedagoga. Articulista e cronista. Textos publicados em sites e blogs.Participante e colaboradora do Projeto Passo Fundo. Autora dos livros: Amantes nas Entrelinhas, O Exercício das Vozes, Autópsia do Invisível, Comércio de Ilusões, O Eco dos Objetos - cabides da memória , Arte em Movimento, Vidas Desamarradas, Entrelaços,Eles em Diferentes Dias e A Linguagem da Diferença.
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