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Tudo o que tenho
se resume a uma palavra: corpo...
Nele o ouro dos garimpos de minh'alma,
a neve do Kilimanjaro que nunca subi,
a fresca brisa dos Alpes,
caprinos pastando sem se darem conta
de que existe o ontem e o até quando...
A roupa que visto
não esconde o que sinto,
não cessa a engrenagem que em mim pulsa
nem quando paro na esquina
para que, avulsa,
passe a máquina com a outra máquina
em seu comando,
que não sabe que existe
o ontem e o até quando...
Nada me pertence,
nem que pareça que me pertença,
nem mesmo a crença
de que as cercas que cercam as posses
sirvam como impassíveis sons de vozes
ditas por interfones impessoais
que soam como estranhos algozes
que não conhecem o pranto
e que não sabem que existe
o ontem e o até quando...
Levarei o que tenho
para o fogo que levará meu espírito
ao sagrado campo de onde vim
e no qual venho cultivando a liberdade
nos versos que possuo,
única extensão de mim,
que sei, me acompanharão
quando estarei sonhando
com o ontem do fim
enquanto houver quando...
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