Login
E-mail
Senha
|Esqueceu a senha?|

  Editora


www.komedi.com.br
tel.:(19)3234.4864
 
  Texto selecionado
CAMPINAS, GIBRAN E GALEANO
Orlando Batista dos Santos

Bem-humorado, andando pelas ruas da bela Campinas, reflito sobre a doçura das palavras de Gibran (Khalil Gibran), quando em “O Profeta” diz:
“Quando trabalhardes, sois uma flauta através da qual o murmuro das horas se transforma em melodia.
E apegando-se ao trabalho, estareis na verdade amando a vida.
Disseram-vos que a vida é escuridão; e no vosso cansaço, repetis o que os cansados vos disseram.
E eu vos digo que a vida é realmente escuridão, exceto quando há impulso.
E todo impulso é cego, exceto quando há saber.
E todo saber é vão, exceto quando há trabalho.
E todo trabalho é vazio, exceto quando há amor.
E quando trabalhais com amor, vós vos unis a vós próprios, e uns aos outros, e a Deus.
O trabalho é o amor feito visível”.
Bloqueando essas reflexões, um grito ecoa na multidão:
- Óia o rapa!!!
Começa uma debandada geral. Gente correndo aflita em todas as direções. E seguem-se mais gritos, tiros, palavrões. Jacas, goiabas, laranjas, maçãs e jabuticabas rolam pelas calçadas. É preciso correr, porque “os zome” chegaram: Fiscais, policiais, jornalistas, guardas municipais, representantes do prefeito e do comércio formal. Junto aos carrioleiros, correm os paredeiros, os plaqueiros, os churrasqueiros, os doceiros, os sorveteiros, os trombadões, os rolistas, os papeiros, os artesãos...gente sem emprego que mora nas ruas, debaixo de pontes, em favelas, em ex-bairros operários, presas fáceis da contravenção, da indústria da falsificação e de todos aqueles que têm ódio ao fisco.
Sinto raiva.
Gibran acaba de abandonar-me, para a entrada de Galeano (Eduardo) e sua crônica ácida falando-me sobre os ninguéns:
“Os filhos de ninguém, os donos de nada.
Os ninguéns: os nenhuns, correndo soltos, morrendo a vida, fodidos e mal pagos:
Que não são, embora sejam.
Que não falam idiomas, falam dialetos.
Que não praticam religiões, praticam superstições.
Que não fazem arte, fazem artesanato.
Que não são seres humanos, são recursos humanos.
Que não tem cultura, tem folclore.
Que não tem cara, tem braços.
Que não tem nome, tem número.
Que não aparecem na história universal, aparecem nas páginas policiais da imprensa local.
Os ninguéns, que custam menos que as balas que os matam”.


Biografia:
Estudioso do Folclore e da Cultura Popular de raízes caipiras. Autor do livro Heróis Caipiras. http://www.clubedeautores.com.br/book/119026--HEROIS_CAIPIRAS Presidente da Associação de Produtores da Agricultura Urbana de Campinas e Região. Blog: http://aproagriup.blogspot.com.br
Número de vezes que este texto foi lido: 65862


Outros títulos do mesmo autor

Contos BATICO Orlando Batista dos Santos
Crônicas PROBLEMAS, PROBLEMAS... Orlando Batista dos Santos
Crônicas CAMPINAS, GIBRAN E GALEANO Orlando Batista dos Santos
Crônicas UM GENERAL EM MEU QUARTO Orlando Batista dos Santos
Artigos PRA LÁ DE CAIPIRA Orlando Batista dos Santos
Teatro A GUERRA DA ÁGUA Orlando Batista dos Santos
Cartas SIGA TEU CORAÇÃO, MARIANE Orlando Batista dos Santos

Páginas: Primeira Anterior

Publicações de número 11 até 17 de um total de 17.


escrita@komedi.com.br © 2026
 
  Textos mais lidos
Hoje - Waly Salomão (in memorian) 66893 Visitas
O Desafio do Brincar na Atualidade - Daiane schmitt 66892 Visitas
Jazz (ou Música e Tomates) - Sérgio Vale 66888 Visitas
O BOLO DE GIRASSÓIS - ELLEN RAQUEL LIMA SANTANA 66884 Visitas
A caixinha de jóias - Condorcet Aranha 66863 Visitas
A calça preta - Condorcet Aranha 66855 Visitas
A ELA - Machado de Assis 66852 Visitas
A DEMOCRATIZAÇÃO DA GESTÃO ESCOLAR - ADRIANA CARVALHO DOS SANTOS 66851 Visitas
Namorados - Luiz Edmundo Alves 66822 Visitas
INCLUSÃO DA LIBRAS NO CURRÍCULO DO ENSINO FUNDAMENTAL - Michela Aparecida Biltge 66808 Visitas

Páginas: Primeira Anterior Próxima Última