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Bárbara estava tremendo, encolhida no canto da parede, sentada em um colchonete velho, chorando continuamente. Ela não tinha a menor ideia de onde estava, de quem era aquela casa e de quem havia sido o cúmplice de Butão pra fazer aquela barbaridade.
Será que havia passado tempo suficiente para terem notado o sequestro de Bárbara? Ela não sabia, mas provavelmente não, pois ainda aparentava ser de manhã. A verdade é que ela estava com medo, muito medo do que a aguardava; agora Bárbara tinha certeza que Butão era capaz de tudo.
Horas mais tarde, julgando pelo sol forte que batia na janela gradeada, quando devia ser cerca de meio dia, um barulho de carro vindo de fora fez o coração de Bárbara acelerar. Se algo de ruim fosse acontecer, ela tinha certeza que seria naquele momento. Espremendo-se inutilmente no canto da parede, Bárbara desejou com toda sua força que ficasse invisível.
A porta se abriu e Alexandre entrou no quarto carregando Lúcia desmaiada nos braços. Os olhos de Bárbara estavam arregalados e seu queixo começou a bater.
"A Lúcia ta morta?!"
Alexandre a pousou no mesmo colchonete que Bárbara estava sentada e sem encará-la, saiu do quarto, trancando-as.
Engatinhando até a cabeça de Lúcia, Bárbara começou a balançar o seu rosto, sussurrando, ainda sem conseguir cessar o pranto.
— Lúcia? Lúcia?! Lúcia, acorda, por favor, acorda! Lúcia?!
Mas não houve resposta. A única coisa que a acalmou foi perceber que ela seguia respirando.
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