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CONVERSAMOS BEM POUCO
Arnaldo Agria Huss

Sempre considerei a família o melhor lugar para o desenvolvimento das pessoas, mesmo tendo observado que nem sempre esta é a verdade, pois muitos se deixam engolir pela própria estrutura familiar, por vezes repleta de crendices, verdades (e mentiras), e necessidades. Não nos satisfazemos apenas com os “nossos problemas”, indo atrás também dos problemas dos outros que, muitas vezes, nem nos dizem respeito. E aí arma-se a confusão, o circo, por muitas vezes vindo a faltar tempo e clima para que se estabeleçam situações e momentos mais saudáveis.

Abro espaço para falar do casal em si, esse desconhecido. Sim, porque depois de “assinarem papeis” e se tornarem pais, tanto o homem como a mulher são tragicamente engolidos por uma determinada “instituição” onde acaba cessando o diálogo homem e mulher. Fim do sonho.

O que se conversa durante as refeições (quando se conversa)? Apenas discussões dos problemas familiares que são cíclicos e não acabam nunca. Contas a pagar, escola e criação dos filhos, problemas no trabalho, problemas domésticos.

Todos sabem da insatisfação que abala muitos casais, em parte por culpa deles mesmos. Nesse sentido, para aliviar essa insatisfação, entendo que homens e mulheres deveriam se olhar isentos de responsabilidade, de idade, de problemas (familiares ou profissionais), simplesmente para falar de si próprios, incluindo aí os desejos, sonhos e... as bobagens. Ah, as bobagens! Como elas são leves e importantes num relacionamento, mas, infelizmente, pouco utilizadas. São como o ar que respiramos, simplesmente impossível viver sem ele. E assim são as bobagens que podem ajudar a manter uma boa relação: alegres, picantes, sensuais, para que a temperatura interna do desejo fique sempre em valores altos e que a vida continue tendo algum objetivo, algum significado, alguma leveza.

É voz corrente que no casamento é onde menos se pratica o sexo, nem tanto pela falta do desejo, mas pelo diálogo cada vez mais pobre e fútil, que acaba por causar inibição no casal. Resultado: ambos se acomodam e fica o dito pelo não dito. Sou daqueles que defendem com unhas e dentes a existência de um diálogo leve, brincalhão e descompromissado com o dia a dia, pois acredito que este seja o espelho da perfeita intimidade de um casal e o que suporta e mantém a jovialidade na relação, independente do tempo que dure.

E para encerrar, uma pequena observação: quando ouço alguém dizer que vai “discutir a relação”, penso comigo que tal relação já acabou e a pessoa ainda não percebeu. Relação não se discute, vive-se.



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Biografia:
Se as pessoas conhecem os meus textos, isso é o suficiente. Eles dizem tudo o que eu tenho a dizer, mesmo que as situações descritas não tenham acontecido diretamente comigo.
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